Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Persistência no bem


A semente


Era uma vez um dente-de-leão. Suas pétalas, de um amarelo vivo, lembravam os raios do sol da manhã. Com o passar dos dias, elas se transformaram em uma penugem branca, que funcionava como um pequeno guarda-chuva para cada semente, ajudando-as a flutuar.

Quando as sementes amadureceram, chegou a hora de o vento carregá-las para longe. Com um sopro, todas ganharam os ares, confiantes de que a brisa as levaria a bons lugares, onde poderiam crescer.

Algumas pousaram em um vasto gramado e ficaram muito felizes, pois sabiam que a terra era boa e poderiam se desenvolver bastante ali. Outras caíram em vasos e jardins e também se alegraram por encontrar outras flores como companheiras.

Mas um vento mais forte levou uma das sementes para a beira de uma rua, e ela ficou muito aborrecida ao perceber que se aproximava de uma calçada.

— Ei, espere aí! Não posso ficar aqui. Preciso de terra fofinha para germinar! — reclamava a semente. — Esse chão duro não é lugar para planta nenhuma!

Mas não havia nada que a pequena semente pudesse fazer. A brisa se dissipou, e ela foi deixada sobre a calçada fria, presa em uma rachadura. Não havia nenhuma outra planta por perto que lhe fizesse companhia nem, mais importante ainda, que pudesse dividir com ela um pouco de terra.

— É o meu fim! — chorava.

Caiu a noite. A sementinha olhava as estrelas e pensava no que poderia fazer para sair daquela situação. Quem sabe o vento voltaria e ela poderia pegar uma carona para um lugar melhor...

Um novo dia nasceu, e a semente esperou ansiosamente pela brisa que a salvaria. As horas passaram e, quando se deu conta, já era noite outra vez. Ela continuava presa no mesmo lugar.

— Quer saber de uma coisa? Sou uma semente, e meu trabalho é florescer. A única coisa que posso fazer aqui é criar raízes e crescer o mais alto que puder. Talvez eu encontre terra embaixo desta calçada!

E assim fez a sementinha. A cada dia, aprofundava um pouco mais suas raízes pela rachadura, confiante de que, em algum momento, encontraria terra. E encontrou! Quando veio a chuva, as gotas que penetraram pela rachadura foram suficientes para umedecer o solo e permitir que surgissem suas primeiras folhas.

Agora transformada em um broto, a sementinha passou a despertar a atenção de quem transitava pela rua. As crianças paravam para admirar suas folhas, e a calçada parecia mais bonita com aquele toque de verde. A senhora que morava na casa em frente emocionou-se com a determinação daquele brotinho em crescer.

— A força desta plantinha é mesmo admirável! Vou abrir espaço para ela crescer. Quem sabe ela não dá uma flor? — pensou a senhora, alargando a rachadura.

Com mais espaço, o broto cresceu ainda mais e logo surgiu um botão amarelo, parecido com um pequeno sol. E mais pessoas passaram a parar para observá-lo.

— Mamãe, olha que linda a florzinha da vizinha! Podemos plantar flores em frente da nossa casa também?

— É uma boa ideia, filha! As flores alegram o ambiente. Não deve ser difícil abrir espaço no piso; até essa plantinha conseguiu.

Nos dias que se seguiram, vários canteiros surgiram ao longo da calçada. Alguns vizinhos plantaram flores e até mudas de árvores, que, no futuro, refrescariam a rua com sua sombra. A rachadura onde a plantinha crescia transformou-se em um amplo canteiro, com espaço de sobra para muitas flores companheiras.

Como acontece com todo dente-de-leão, a flor amarela deu lugar às sementes, cada uma equipada com seu delicado guarda-chuva de penugem, pronto para levá-las pelo vento.

— Minhas sementes — disse o dente-de-leão —, logo vocês iniciarão sua própria jornada. Guardem a lição que também aprendi: não se preocupem com as condições do terreno onde irão cair. Façam sempre aquilo que sabem fazer de melhor. Toda semente carrega dentro de si o poder de florescer e de transformar não apenas a própria vida, mas também o ambiente ao seu redor.

E lá se foram as sementinhas, levadas pelo vento da esperança, confiantes de que até uma calçada pode transformar-se em um jardim.

 

Texto de Lívia Seneda.
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita