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Conta-nos um amigo querido que, certa ocasião, em uma
visita a Chico Xavier, teve a oportunidade de vivenciar
uma das muitas lições de verdadeiro amor fraterno e de
desprendimento das coisas materiais que a alma simples e
caridosa de Pedro Leopoldo sempre nos oferecia.
O fato ocorreu por ocasião do Natal, quando de sua primeira
visita ao amigo. Havia levado uma pequena cesta com frutas e
guloseimas natalinas, um presente singelo e carinhoso que
pretendia oferecer-lhe.
Logo que chegou, foi recebido com calor e estima, sendo
apresentado aos donos da casa, Lindolfo e Luiza, e às suas
filhas — Maria Alice, a Pingo, e Lúcia. Em seguida, entregou-lhe
o singelo presente, que Chico muito agradeceu.
Após rápidas e amenas conversas, Chico convidou-o para fazer
algumas visitas. Em todos os lugares por onde passavam, mostrava
a tal cesta, deixando o amigo um tanto quanto acanhado.
Dirigiram-se, especialmente, a uma casa de extrema pobreza,
iluminada apenas por uma lamparina a querosene. No humilde
quarto, uma velhinha jazia no leito. Seus olhos tristes,
cansados e remelentos iluminaram-se de inenarrável contentamento
ao reconhecer Chico Xavier como seu visitante.
Estavam ali na tentativa de aliviar o sofrimento daquela
senhora. Conversaram, oraram e ministraram-lhe passes. Naqueles
instantes de doação sincera, parecia que milhares, milhões de
lamparinas iluminavam o modesto aposento.
Ao final da visita, Chico disse à pobre mulher, olhando para o
amigo:
— Nosso companheiro quis conhecê-la e trouxe estas coisas
gostosas. Permite que eu prove de uma uva?!
Centenas de vezes, ao longo dos anos, todos os amigos
presenciamos cenas como essa. Tudo o que Chico recebia
amorosamente transferia, sem alarde, aos menos afortunados.
E os amigos, muito apropriadamente, costumavam dizer:
— Nosso Chico é igual ao outro, o de Assis.
Do livro Chico
Xavier – Mandato de Amor, por
Autores Diversos.
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