Tema: Amor ao trabalho
A pedrinha brilhante
Esta história se passa em um lindo jardim. Havia vários
canteiros espalhados pelo grande terreno, todos muito
bem cuidados e contornados por uma fileira de tijolinhos
brancos. Cada canteiro tinha o seu tipo de planta. As
rosas ficavam no meio do jardim; o canteiro das lavandas
ficava ao lado do espaço do alecrim; os tomatinhos
cresciam perto do muro; os morangos se espalhavam pela
lateral... Era uma festa de cores e perfumes.

Assim que o sol nascia, o jardim se movimentava com o
trabalho de todos os que moravam ali. As flores abriam
suas pétalas para receber as abelhas; as plantas
deixavam cair suas folhas velhas para que as formigas as
recolhessem; os passarinhos carregavam sementes; as
minhocas deixavam a terra fofinha... Todos estavam
felizes com suas atividades.
Todos, menos a pedrinha.
— Seria tão bom se eu fosse grande e quadrada... —
suspirava ela. — Eu poderia proteger um canteiro também,
como os tijolos. E cuidaria muito bem das plantas que
estivessem comigo!
A cada dia, a pedrinha esperava que o vento soprasse bem
forte ou que alguém esbarrasse nela, para que pudesse
rolar até o canteiro mais próximo e, quem sabe,
encontrar um lugar entre os tijolos dali.
— Se eu brilhar bastante com a luz do sol, talvez até
pareça branquinha também! — pensava a pedrinha, cheia de
esperança.
Certa manhã, chegou uma tempestade. De tanta chuva, uma
enchente se formou no jardim, e a água foi arrastando
tudo o que encontrava pela frente: terra, grama, frutas,
muitas plantas... e a pedrinha também!
Quando a chuva passou, o jardim estava todo bagunçado, e
vários canteiros haviam sido desfeitos. Mas a pedrinha
estava radiante de felicidade! A chuva tinha sido muito
boa para ela, pois agora havia chegado ao canteiro dos
tomates e estava mais brilhante do que nunca, sem nenhum
grão de poeira. Encontrou um lugar entre dois tijolos
tortos e sentiu que finalmente teria seu valor ali.
— Agora sim, está perfeito! — cantarolava a pedrinha.
Acontece que, para o jardineiro, as coisas estavam longe
de ser boas.
— Quantos galhos quebrados... Tenho muito trabalho a
fazer! Vou primeiro colher os frutos que estão maduros.
O jardineiro buscou sua cesta para apanhar os tomates.
Quando se aproximou do canteiro, um brilho chamou sua
atenção.
— Minha nossa, como brilha esta pedrinha! Nunca vi nada
igual.
O jardineiro refletiu por alguns instantes, observando a
pedra na palma da mão, e, em seguida, colocou-a no
bolso.
— Já sei para que vou usá-la.
A pedrinha ficou desconsolada. Justo agora que havia
encontrado seu lugar em um canteiro, estava sendo
carregada para longe, em um bolso escuro, sem nenhuma
ideia do que iria acontecer!
As horas se passaram. A pedrinha percebia que o
jardineiro estava trabalhando bastante. Imaginava que
ele estaria reconstruindo as fileiras de tijolos em
volta dos canteiros e torcia para que deixasse um
espacinho sobrando onde pudesse se encaixar.
O sol já estava se pondo quando o jardineiro finalmente
tirou a pedrinha do bolso. Estavam no ponto mais alto do
jardim, um morro de onde se podiam ver todos os
canteiros. O jardineiro se ajoelhou ao lado de um
círculo de terra macia e deixou a pedrinha ali.
— Estou colocando você aqui, minha pedrinha, para
cumprir uma tarefa especial. Plantei aqui uma semente
que, com o tempo, vai crescer e se tornar uma grande
árvore. Seus galhos e raízes vão conduzir a água das
chuvas para a terra e evitar outras enchentes,
protegendo os canteiros. Enquanto a semente estiver
crescendo, seu brilho vai me mostrar exatamente onde ela
está, para que eu possa cuidar dela!
No dia seguinte, o jardim despertou com muita
movimentação. Os animaizinhos, as plantas e o jardineiro
se ocupavam de realizar suas tarefas com alegria, para
que a harmonia do jardim voltasse o quanto antes.
Mas ninguém estava mais feliz do que a pedrinha
brilhante, que reluzia com tanta intensidade que todos,
onde quer que estivessem no jardim, podiam saber
exatamente onde se encontrava a sementinha da qual ela
cuidava para o jardineiro.
Texto de Lívia Seneda.