Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Amor ao trabalho


A pedrinha brilhante


Esta história se passa em um lindo jardim. Havia vários canteiros espalhados pelo grande terreno, todos muito bem cuidados e contornados por uma fileira de tijolinhos brancos. Cada canteiro tinha o seu tipo de planta. As rosas ficavam no meio do jardim; o canteiro das lavandas ficava ao lado do espaço do alecrim; os tomatinhos cresciam perto do muro; os morangos se espalhavam pela lateral... Era uma festa de cores e perfumes.

Assim que o sol nascia, o jardim se movimentava com o trabalho de todos os que moravam ali. As flores abriam suas pétalas para receber as abelhas; as plantas deixavam cair suas folhas velhas para que as formigas as recolhessem; os passarinhos carregavam sementes; as minhocas deixavam a terra fofinha... Todos estavam felizes com suas atividades.

Todos, menos a pedrinha.

— Seria tão bom se eu fosse grande e quadrada... — suspirava ela. — Eu poderia proteger um canteiro também, como os tijolos. E cuidaria muito bem das plantas que estivessem comigo!

A cada dia, a pedrinha esperava que o vento soprasse bem forte ou que alguém esbarrasse nela, para que pudesse rolar até o canteiro mais próximo e, quem sabe, encontrar um lugar entre os tijolos dali.

— Se eu brilhar bastante com a luz do sol, talvez até pareça branquinha também! — pensava a pedrinha, cheia de esperança.

Certa manhã, chegou uma tempestade. De tanta chuva, uma enchente se formou no jardim, e a água foi arrastando tudo o que encontrava pela frente: terra, grama, frutas, muitas plantas... e a pedrinha também!

Quando a chuva passou, o jardim estava todo bagunçado, e vários canteiros haviam sido desfeitos. Mas a pedrinha estava radiante de felicidade! A chuva tinha sido muito boa para ela, pois agora havia chegado ao canteiro dos tomates e estava mais brilhante do que nunca, sem nenhum grão de poeira. Encontrou um lugar entre dois tijolos tortos e sentiu que finalmente teria seu valor ali.

— Agora sim, está perfeito! — cantarolava a pedrinha.

Acontece que, para o jardineiro, as coisas estavam longe de ser boas.

— Quantos galhos quebrados... Tenho muito trabalho a fazer! Vou primeiro colher os frutos que estão maduros.

O jardineiro buscou sua cesta para apanhar os tomates. Quando se aproximou do canteiro, um brilho chamou sua atenção.

— Minha nossa, como brilha esta pedrinha! Nunca vi nada igual.

O jardineiro refletiu por alguns instantes, observando a pedra na palma da mão, e, em seguida, colocou-a no bolso.

— Já sei para que vou usá-la.

A pedrinha ficou desconsolada. Justo agora que havia encontrado seu lugar em um canteiro, estava sendo carregada para longe, em um bolso escuro, sem nenhuma ideia do que iria acontecer!

As horas se passaram. A pedrinha percebia que o jardineiro estava trabalhando bastante. Imaginava que ele estaria reconstruindo as fileiras de tijolos em volta dos canteiros e torcia para que deixasse um espacinho sobrando onde pudesse se encaixar.

O sol já estava se pondo quando o jardineiro finalmente tirou a pedrinha do bolso. Estavam no ponto mais alto do jardim, um morro de onde se podiam ver todos os canteiros. O jardineiro se ajoelhou ao lado de um círculo de terra macia e deixou a pedrinha ali.

— Estou colocando você aqui, minha pedrinha, para cumprir uma tarefa especial. Plantei aqui uma semente que, com o tempo, vai crescer e se tornar uma grande árvore. Seus galhos e raízes vão conduzir a água das chuvas para a terra e evitar outras enchentes, protegendo os canteiros. Enquanto a semente estiver crescendo, seu brilho vai me mostrar exatamente onde ela está, para que eu possa cuidar dela!

No dia seguinte, o jardim despertou com muita movimentação. Os animaizinhos, as plantas e o jardineiro se ocupavam de realizar suas tarefas com alegria, para que a harmonia do jardim voltasse o quanto antes.

Mas ninguém estava mais feliz do que a pedrinha brilhante, que reluzia com tanta intensidade que todos, onde quer que estivessem no jardim, podiam saber exatamente onde se encontrava a sementinha da qual ela cuidava para o jardineiro.

Texto de Lívia Seneda.

 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita