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O
julgamento do
assassinato de Henry
Borel
O julgamento mais longo
da história judicial do
estado do Rio de Janeiro
(11 dias ininterruptos),
envolvendo o assassinato
do menino Henry Borel
(2016-2021), foi
momentaneamente
concluído. Assim me
refiro, porque a
promotoria já avisou que
vai recorrer do
resultado, tendo-se em
vista que uma série de
irregularidades foram
cometidas. A mais
contundente
protagonizada pela
juíza - além de
desconsiderar
determinados
procedimentos legais -,
foi rebaixar ao seu
talante a acusação de
homicídio doloso
atribuída à mãe do
garoto para a forma
culposa, culminando por
lhe conceder perdão.
Não bastasse tal
aberração jurídica, na
visão de muitos
entendidos, a senhora
magistrada proferiu um
discurso – totalmente
alheio aos autos,
diga-se – extemporâneo e
carregado de cunho
ideológico, que
desagradou até mesmo os
grupos feministas mais
renhidos. A propósito,
cabe destacar que é
sempre frustrante
constatar a ausência de
equilíbrio de quem mais
se espera isso.
Seguindo essa linha de
raciocínio, em um
esclarecedor artigo
publicado na Folha de
São Paulo, a
jornalista e roteirista,
Mariliz Pereira Jorge,
sintetizou bem essa
percepção ao observar
que:
“A armadilha dessa
militância de gabinete é
óbvia. Uma
estrutura que decide
absolver o abrandar
penas com base no gênero
abre péssimos
precedentes. Se hoje
o plenário aceita o viés
ideológico com o intuito
de blindar uma ré,
amanhã o mesmo critério
subjetivo servirá a fim
de condenar outra sem
provas. O feminismo
não precisa de
privilégios biológicos
ou de indulgência que
nos reduza a eternas
incapazes. Exigimos o
cumprimento cego da lei.
A autoridade que suaviza
a culpa por meio de
teses vitimistas
apequena o direito e
insulta as mulheres
conscientes de sua
autonomia e de seus
deveres e recusam esse
tipo de tutela”
(ênfase minha).
Quanto aos personagens
do caso em si, as penas
imputadas ao agressor,
Jairo Souza Santos
Júnior (Dr. Jairinho),
foram, sem dúvida,
pertinentes. Afinal de
contas, Jairinho, como
é popularmente
conhecido, foi condenado
a 43 anos, 9 meses e 20
dias de prisão por
homicídio duplamente
qualificado, com emprego
de tortura, além de
coação ao longo do
processo. É importante
também ressaltar que
Jairinho foi
diagnosticado por um
psiquiatra como um
psicopata, cujos traços
de personalidade indicam
desfrutar de satisfação
em praticar atos
desalinhados aos padrões
de normalidade. O
referido cidadão já
possuía antecedentes a
respeito, e o depoimento
de outras vítimas foram
decisivos à sua
condenação. Como um
criminoso e Espírito
profundamente doente,
terá um longo percurso
para purgar as suas
faltas à luz das leis
divinas.
Já Monique Medeiros, foi
descrita, pelo mesmo
psiquiatra, como uma
mulher narcisista, bem
como portadora de traços
de megalomania. Seja
como for, as evidências
colhidas demonstraram
que a mãe do menino fez
uma escolha infeliz para
padrasto do seu filho,
não dando a devida
importância ao que
ocorria sob seu próprio
teto. Não pretendo
avançar nos pormenores
da terrível morte de
Henry, pois a imprensa
elucidou detalhadamente
o papel de cada um dos
personagens. Não posso
me furtar a acrescentar,
no entanto, que a
paternidade e a
maternidade encerram
também enormes
responsabilidades
espirituais. Naquele lar
eram extremamente tênues
os laços de amor,
harmonia e respeito.
Nesse sentido, vale
mencionar que na
resposta dada à questão
nº 773 d’O Livro dos
Espíritos, de Allan
Kardec, reportando aos
laços de família,
encontramos a explicação
de que:
“Os animais vivem vida
material e não vida
moral. A ternura da mãe
pelos filhos tem por
princípio o instinto de
conservação dos seres
que ela deu à luz. Logo
que esses seres podem
cuidar de si mesmos,
está ela com a sua
tarefa concluída; nada
mais lhe exige a
Natureza. Por
isso é que os abandona,
a fim de se ocupar com
os recém-vindos”
(ênfase minha)
Tal lembrança se
justifica, uma vez que,
segundo os autos do
processo, Monique
Medeiros não protegeu o
seu filho, quando ele
mais precisou dela, como
a própria natureza
ensina. Aliás, o reino
animal mostra o
admirável sacrifício que
as mães de muitas
espécies fazem para a
preservação dos seus
filhotes – em alguns
casos cedendo a própria
vida. Resta, portanto, a
Monique colher as
duríssimas consequências
da sua omissão no âmago
da consciência.
Infelizmente prevejo que
ela não terá um pingo de
paz enquanto estiver
encarnada, já que a
promotoria, como dito
acima, vai recorrer da
decisão da juíza. Mesma
que ela vença a batalha
jurídica, que não se
encerrou ainda, o seu
nome estará sempre
associado, nos anais da
história criminal, como
uma mãe que falhou
lamentavelmente no seu
dever. Pode-se
conjecturar que os
desdobramentos
espirituais, tanto para
seu companheiro como
para ela própria, serão
eminentemente dolorosos.
Por fim, cabe algo
ponderar sobre o garoto
Henry Borel, a vítima
dessa tragédia, portador
de um rostinho
angelical, e considerado
como uma criança
saudável, inteligente,
carinhosa e comunicativa
pelos familiares. Por
que Henry viveu ao lado
de seres que não o
amavam? Por que ele teve
um fim tão trágico, a
ponto de comover o país
com a sua curta e amarga
história? É, pois,
preciso alargar a visão
e analisar o caso com
outras lentes. Do
contrário, muitos podem
entender,
equivocadamente, que o
Senhor da vida abandona
os pequeninos. Contudo,
essa interpretação não é
correta. O fato é que as
crianças estão
igualmente sujeitas às
injunções cármicas, e o
sofrimento pelo qual
passam requer
entendimento apropriado.
Notem, por exemplo, que
a violência sexual no
país contra as crianças
e adolescentes,
especialmente na faixa
entre 4 e 15 anos, é
alarmante (aumentou mais
de 4 vezes em 11 anos),
sendo que 61% dos casos
ocorrem dentro do
ambiente familiar.
Quadro similar é
encontrado nas guerras
entre Israel e os seus
inimigos fronteiriços da
Palestina e Líbano, onde
as crianças são as
principais vítimas dos
descalabros.
Posto isto, é preciso
lembrar que Henry é,
antes de mais nada, um
Espírito com uma
trajetória milenar, que,
assim como todos nós,
deve ser pontuada por
erros e acertos. O
acontecimento em questão
sugere que ele estava
destinado a ter uma
existência curta. Com
efeito, viver no âmbito
daquela família, cujos
liames se ligam a um
passado certamente
comprometedor,
constituía em espinhosa
prova para o alcance de
harmonia na relação
entre todos os
personagens.
Infelizmente, foi um fim
chocante para todos os
envolvidos. O que parece
claro, no entanto, é que
Henry Borel resgatou,
por meio dessa dolorosa
expiação, graves débitos
espirituais - os quais
ninguém foge, consoante
as sábias e justas leis
de Deus -, mas o seu
caminho está livre agora
para outras realizações
e desafios espirituais,
entre eles, o de perdoar
os seus malfeitores.
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