Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Anjo da guarda; mundo espiritual


Marina no mundo espiritual

 

Marina estava triste. Seu avô havia desencarnado.

— Mãe, sinto saudade do vovô.

— Não fique triste, Marina. Quando as

pessoas desencarnam, elas vão para o mundo espiritual. Lá existem cidades iguais às que você conhece aqui, com prédios, casas, hospitais, flores, árvores e animais. E você vai voltar a vê-lo, conversar com ele e abraçá-lo novamente.

— Mas como?

— Ora, Marina! Somos espíritos e ganhamos um corpo de carne ao nascer. Podemos sentir o corpo, mas não podemos ver o espírito. Há muitas coisas que não podemos ver, como os micróbios e o ar. Quando desencarnamos, deixamos o corpo de carne, mas nós, espíritos, continuamos a viver no mundo espiritual.

— É lá que o vovô está?

— Sim, querida. Você poderá encontrá-lo no mundo espiritual. Antes de dormir, faça uma prece, pedindo ao seu anjo da guarda que a leve até ele, e seu protetor a guiará, se isso for permitido e útil para ambos.

O dia passou e a noite chegou. Marina fez como a mamãe havia orientado: fez uma prece, pedindo ao seu anjo da guarda que a levasse até o vovô.

Ao adormecer, Marina, em espírito, levantou-se sonolenta e viu seu corpo deitado na cama quentinha.

— Que estranho! — pensou.

Foi então que um espírito muito simpático aproximou-se e lhe disse:

— Olá, Marina. Sou seu anjo da guarda. Tenho acompanhado sua tristeza pela desencarnação de seu avô. Você gostaria de visitá-lo?

— Claro! Mas como isso é possível?

— Como sua mãe já lhe explicou, seu avô é um espírito desencarnado. Ele mora no mundo espiritual, onde, aliás, eu também moro.

— Onde fica esse mundo espiritual?

— Ele está em toda parte, inclusive aqui, ao nosso redor. É um mundo invisível para os homens. Entendeu?

— Hum... Mais ou menos.

— No mundo espiritual, Marina, temos tudo o que você conhece no mundo material e muito mais. Quando você dorme, afasta-se temporariamente do corpo físico e, em espírito, pode ir a quase todos os lugares. Agora venha comigo e observe direitinho como é esse mundo onde vivem os espíritos desencarnados.

— O vovô está muito longe daqui?

— Um pouquinho, mas chegaremos rapidamente, porque vamos volitar.

— Voli... o quê?

— Volitar quer dizer "voar". É um modo de locomoção muito rápido. Mas, no mundo espiritual, também existem meios de transporte.

— Dê-me sua mão e pense com vontade em me acompanhar.

E assim aconteceu. Em poucos minutos, aproximavam-se de uma linda cidade.

Henrique, o anjo da guarda, explicou que aquela cidade espiritual se chamava Cidade Esperança.

Marina ficou encantada com os prédios, as casas, as árvores, as flores e os pássaros de cores muito vivas.

Aproximaram-se de uma casa. Henrique bateu de leve à porta, e uma voz conhecida pediu que entrassem. Assim que entrou, Marina viu o vovô de braços abertos, esperando por ela, e correu para abraçá-lo, chorando de emoção.

— Marina, não chore assim!

Mas não foi o vovô quem disse isso, nem Henrique. Era a vovó, que havia desencarnado havia alguns anos. Marina abraçou os dois, agora feliz por revê-los.

— Compreende, querida, que, ao desencarnarmos, deixamos apenas o corpo físico e continuamos vivendo em um mundo ainda mais bonito?

— Sim, vovô.

Depois de conversarem bastante e de a vovó lhes servir um delicioso suco, passearam pela Cidade Esperança. Ao despedir-se dos avós, Henrique disse que ela poderia voltar em outra oportunidade.

Logo depois, Marina acordou. Eram sete horas da manhã. Sentia uma grande alegria no coração.

Marina pensou que tivesse tido um belo sonho. Nós, porém, sabemos que tudo aconteceu de verdade, no mundo espiritual.


(História de Simone Anastácio)


 


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