Confortadora visita
Irmãos, o condiscípulo temporariamente afastado da
escola vem visitar-vos e agradecer as vibrações
encorajadoras e amigas. (*)
A morte foi para mim benigna e rápida, no entanto, a
desencarnação mental, propriamente considerada, continua
para meu Espírito, porque o homem não se desvencilha, de
chofre, dos hábitos consuetudinários que lhe marcam a
vida.
Os deveres, as afeições, os projetos formados para o
futuro, constituem laços ao pensamento. Ainda assim,
tenho comigo a bênção da fé, presidindo-me a gradativa
liberação.
Sinto-me, por enquanto, na posição do convalescente
inseguro, esperando recuperar-se; contudo, já sei o
bastante para afirmar-vos que, neste “outro lado” da
vida, a sobrevivência é tal qual pressentimos na Terra,
mas nem todas as situações se desdobram aqui, segundo
imaginamos.
A experiência continua sem saltos, o homem se prolonga
sem alterar-se de improviso, a matéria rarefaz-se e, de
algum modo, se modifica, sustentando, porém, as
características que lhe são próprias, e o túmulo é
apenas transposição de Plano em que a nossa consciência
encontra a si mesma, sem qualquer fantasia.
Compreendo, assim, agora, com mais clareza, a função do
Espiritismo como instituto mundial de educação
renovadora das almas, junto ao qual precisamos empenhar
interesse e energia.
Não vale tomar a Doutrina a serviço nosso, quando é
nossa obrigação viver a serviço dela. Escravizá-la às
vantagens particulares, nos caprichos e paixões da luta
terrestre, é acrescer compromissos e débitos, adiando a
nossa própria emancipação.
Sem a cápsula física, nossa penetração na verdade é mais
íntima e, a rigor, mais verdadeira. Daí o motivo de nos
doerem, fundo, as faltas de omissão, porque todos
trazemos para cá a preocupação de não haver feito pelo
bem tudo aquilo que poderíamos ter realizado, no
transcurso de nossa permanência no corpo.
Não nos iludamos. Exercer a caridade vulgar, alimentando
os famintos e agasalhando os nus, é simples dever nosso,
em nossas novas noções de solidariedade e justiça. E não
nos esqueçamos de que a caridade real será sempre
iluminar o espírito humano para que o espírito humano se
conheça e ajude a si próprio.
Oxalá possais ver mais longe que nós, os companheiros
que vos precederam na grande viagem, atendendo ao
serviço primordial que nos desafia!
Sem a assimilação dos nossos postulados, de maneira
intensiva, utilizando consciência e coração, raciocínio
e sentimento, falecer-nos-á o discernimento. Sem
discernimento fugiremos à responsabilidade, sem
responsabilidade não teremos elevação moral, e sem
elevação moral o fenômeno espírita, não obstante a sua
legitimidade, será estagnação no primitivismo.
Procuremos Jesus, afeiçoando-nos a ele, para que os
nossos irmãos de senda evolutiva e de atividade
regeneradora o encontrem conosco.
Esta, meus amigos, por agora, é a nossa tarefa maior.
(*) Camilo Rodrigues Chaves, que havia
desencarnado recentemente, fora presidente da União
Espírita Mineira.
Do livro Instruções
psicofônicas, mensagem transmitida psicofonicamente
pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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