O amor é minha lei
Hoje sabemos que o nosso querido Chico foi o médium por
meio do qual vieram a lume 544 obras, além de milhares
de conselhos, sentenças e máximas inspiradoras, frutos
de sua extraordinária mediunidade.
A ele também se atribui a conhecida sentença:
A mente é meu lar.
O coração é meu templo.
A verdade é meu culto.
E o amor é minha lei.
Trata-se de uma afirmação profundamente significativa,
pois, sem dúvida, habitamos nossa mente, de onde
pensamos, decidimos e orientamos todas as nossas ações.
Entretanto, desde os ensinamentos de Jesus e, mais
recentemente, à luz do Espiritismo, compreendemos que é
das vibrações mais íntimas do coração que nascem nossos
sentimentos, nossas ideias e, por consequência, nossas
atitudes. É, portanto, nesse templo sagrado — o coração
— que devemos realizar nossa renovação interior,
conforme nos ensina o inesquecível Chico.
Quanto à verdade, sabemos igualmente que sua compreensão
acompanha o estágio evolutivo de cada espírito. Em
linhas gerais, poderíamos distinguir quatro níveis de
desenvolvimento da consciência:
1. Mentalidade
pré-racional,
própria dos animais, que dispõem de lampejos de
inteligência, mas ainda não alcançaram a racionalidade
contínua característica do ser humano.
2. Inteligência
pré-lógica,
em que predominam crenças, superstições e concepções
pouco fundamentadas. Muitos, presos a esse estágio,
resistem à revisão de suas próprias ideias.
3. Inteligência
lógica ou racional,
predominante nos meios culturais, científicos e
acadêmicos, orientada pela observação, pelo raciocínio e
pela análise.
4. Inteligência
formal,
característica dos grandes gênios da humanidade, como
Kardec, Darwin, Einstein e Planck. Nesse contexto,
podemos incluir, pela profundidade de sua compreensão
espiritual, o próprio Chico Xavier, cuja humildade
jamais permitiu que se apresentasse como tal. Estudou
diversas vezes uma das obras filosóficas e científicas
mais complexas do século XX: A
Grande Síntese (1937), de Pietro Ubaldi.
Além disso, Chico Xavier, juntamente com Emmanuel,
escreveu o prefácio dessa importante obra. Apesar de sua
elevada estatura espiritual e intelectual, permaneceu
sempre simples, humilde, afável e fiel aos ensinamentos
de Deus e de Jesus, seu Mestre maior.
Assim, o sentimento sublimado — o amor — encontra-se
acima da própria razão. Como registrou o apóstolo João:
"Deus é amor."
Enquanto não sublimarmos o amor em nossos corações;
Enquanto não sublimarmos o amor em nossos pensamentos;
Enquanto não sublimarmos o amor em nossas palavras e
ações;
Enquanto não realizarmos uma verdadeira reforma íntima,
dificilmente alcançaremos a meta para a qual fomos
criados.
Se Deus é a Inteligência Suprema, como ensina o
Espiritismo, essa Inteligência se manifesta
inseparavelmente pelo Amor, o mais elevado dos
sentimentos e a maior conquista que podemos realizar em
nós mesmos, filhos d'Aquele que, conforme a revelação de
Jesus registrada por João, é o Amor infinito.
Por isso, podemos afirmar:
"Deus é todo Amor, eternamente. Não tendo princípio,
também não terá fim."
No desejo de que estas reflexões sejam úteis a todos,
deixamos o nosso fraterno abraço.
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