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por Fernando Rosemberg Patrocinio

 

O amor é minha lei


Hoje sabemos que o nosso querido Chico foi o médium por meio do qual vieram a lume 544 obras, além de milhares de conselhos, sentenças e máximas inspiradoras, frutos de sua extraordinária mediunidade.

A ele também se atribui a conhecida sentença:

A mente é meu lar.
O coração é meu templo.
A verdade é meu culto.
E o amor é minha lei.

Trata-se de uma afirmação profundamente significativa, pois, sem dúvida, habitamos nossa mente, de onde pensamos, decidimos e orientamos todas as nossas ações.

Entretanto, desde os ensinamentos de Jesus e, mais recentemente, à luz do Espiritismo, compreendemos que é das vibrações mais íntimas do coração que nascem nossos sentimentos, nossas ideias e, por consequência, nossas atitudes. É, portanto, nesse templo sagrado — o coração — que devemos realizar nossa renovação interior, conforme nos ensina o inesquecível Chico.

Quanto à verdade, sabemos igualmente que sua compreensão acompanha o estágio evolutivo de cada espírito. Em linhas gerais, poderíamos distinguir quatro níveis de desenvolvimento da consciência:

1. Mentalidade pré-racional, própria dos animais, que dispõem de lampejos de inteligência, mas ainda não alcançaram a racionalidade contínua característica do ser humano.

2. Inteligência pré-lógica, em que predominam crenças, superstições e concepções pouco fundamentadas. Muitos, presos a esse estágio, resistem à revisão de suas próprias ideias.

3. Inteligência lógica ou racional, predominante nos meios culturais, científicos e acadêmicos, orientada pela observação, pelo raciocínio e pela análise.

4. Inteligência formal, característica dos grandes gênios da humanidade, como Kardec, Darwin, Einstein e Planck. Nesse contexto, podemos incluir, pela profundidade de sua compreensão espiritual, o próprio Chico Xavier, cuja humildade jamais permitiu que se apresentasse como tal. Estudou diversas vezes uma das obras filosóficas e científicas mais complexas do século XX: A Grande Síntese (1937), de Pietro Ubaldi.

Além disso, Chico Xavier, juntamente com Emmanuel, escreveu o prefácio dessa importante obra. Apesar de sua elevada estatura espiritual e intelectual, permaneceu sempre simples, humilde, afável e fiel aos ensinamentos de Deus e de Jesus, seu Mestre maior.

Assim, o sentimento sublimado — o amor — encontra-se acima da própria razão. Como registrou o apóstolo João:

"Deus é amor."

Enquanto não sublimarmos o amor em nossos corações;

Enquanto não sublimarmos o amor em nossos pensamentos;

Enquanto não sublimarmos o amor em nossas palavras e ações;

Enquanto não realizarmos uma verdadeira reforma íntima, dificilmente alcançaremos a meta para a qual fomos criados.

Se Deus é a Inteligência Suprema, como ensina o Espiritismo, essa Inteligência se manifesta inseparavelmente pelo Amor, o mais elevado dos sentimentos e a maior conquista que podemos realizar em nós mesmos, filhos d'Aquele que, conforme a revelação de Jesus registrada por João, é o Amor infinito.

Por isso, podemos afirmar:

"Deus é todo Amor, eternamente. Não tendo princípio, também não terá fim."

No desejo de que estas reflexões sejam úteis a todos, deixamos o nosso fraterno abraço.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita