Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Criação de Deus


Aventuras de um feijãozinho


Era uma vez uma sementinha. Uma sementinha de feijão. Um dia, um menino pegou o feijão, plantou-o fazendo um buraquinho na terra, cobriu-o e molhou-o.

E a semente, dentro da terra, dormiu. Até sonhou... O tempo passou.

Todo dia, o menino molhava.

A semente engordou. Ficou diferente, cresceu. Até que, um dia, acordou, brotou, nasceu. Olhando para baixo, viu as raízes na terra. E ali um bracinho verde, bonitinho, surgiu. Olhou para lá e para cá e falou:

— Como está escuro! Preciso sair logo daqui!

E tanto se mexeu que rasgou a terra, e o céu apareceu. O pé de feijão suspirou. Falou baixinho:

— Que coisa mais linda...

Um vento fresco corria, balançava as folhas. Assobiava assim:

— Siiuuuuuu! Siiuuuuuu!

Que alegria! O céu azul. As plantas verdes. As flores coloridas. Borboletas brancas, pretinhas, azuis... O pé de feijão olhava tudo e sorria. Havia uma mangueira enorme, com mangas dependuradas, e ele achou graça!

— Que coisa mais enfeitada...

Foi aí que o pezinho de feijão ouviu uma risada:

— Enfeitada? Ela está é carregada de frutas, meu irmão.

O pezinho de feijão se assustou e perguntou:

— Mas quem é você? Como é seu nome?

— Sou um pé de feijão grande. Somos da mesma família, somos irmãos...

— Que bom! Então você vai me ajudar, não vai?

— Ajudar como?

— Ensinar. Não estou entendendo nada, é complicado.

— Tá bom, vamos ver... O que é que você quer saber?

— O que é aquilo ali cheio de bolinhas?

— É uma árvore. A dona jabuticabeira. As bolinhas pretas são suas frutas. Primeiro ela ficou toda florida. Linda! Eu vi. Depois nasceram os frutos. As pessoas comem as frutinhas, e os bichos também!

— E ela não fica zangada? Não se importa?

— Não, ela até gosta. Fica toda orgulhosa...

— E aquelas coisinhas correndo ali? — continuou perguntando o pezinho de feijão.

— Ah, meu irmão! São as formigas. Um atraso na nossa vida! Vivem picando todo mundo, beliscando as folhas da gente, tirando pedaços...

— Será que elas vão comer as minhas folhinhas? Estou com medo. Elas são tão novinhas e pequenas, tão fraquinhas...

— Não, as formigas agora estão muito ocupadas carregando as folhinhas que já cortaram. Desta vez escapamos. Agora é só esperar que o menino venha nos proteger.

— O menino? Que é isso?

— É um bicho que anda, fala, molha a gente, tira as formigas de perto da gente... É legal, você vai ver...

Então, enquanto os dois pés de feijão conversavam, apareceu um passarinho na mangueira para saborear aquelas mangas cheirosas, lindas... Beliscou uma manga; estava deliciosa...

O pezinho de feijão continuava a admirar a mangueira:

— Quando eu crescer, vou fazer uma manga linda...

O pé de feijão sorriu:

— Como você é bobo, meu irmão! Feijão faz feijão. Não pode fazer manga...

— Ora, mas por quê?

— Porque sim. Somos plantinhas que não fazem frutinhas... Nós fazemos grãos.

— Ce... o quê? Não estou entendendo nada!

— Pois é assim! Cada um é de um jeito. Deus criou muitas plantas diferentes para darem coisas diferentes. Nós somos pés de feijão.

— Ah!... Epa! E agora? O que é isto?

O pé de feijão olhou, reparou e falou:

— É uma minhoca, seu bobo! Ela está passeando...

— Ah! Eu quero passear também...

— Onde é que já se viu? Você é uma planta; planta não anda...

— Que coisa enjoada! Então eu prefiro ser minhoca...

— Mas minhoca não dá flor nem fruto; fica sempre minhoca...

— Por quê, hem?

— Porque Deus nos fez assim.

A noite foi chegando, o sol baixando. O menino apareceu para molhar o pé de feijão. E o pezinho de feijão a gritar:

— Uai, o que é isso agora, meu irmão?

— É o banho, seu bobo. É hora do banho. Legal...

As margaridas se balançavam todas e cantavam:

— Tomara que chova três dias sem parar.

O menino foi embora. A noite chegou, com todas as suas estrelas. E o pezinho de feijão se encantou.

O tempo passou, ele cresceu. Criou folhas verdes, grandes, bonitas e até deu florzinha. E um dia surgiu uma vagem. Que alegria!

O pé de feijão ficou emocionado, olhava a vagem encantado:

— Como é linda a minha vagem. Cheia de feijõezinhos. Parecem frutinhas. Também tenho frutinhas. Quero dizer... ce... cereais... É mais fácil falar grãos. Agora eu sou uma planta de verdade.

E aqui termina a história do feijão, que era semente, virou planta, cresceu, deu flor, vagem e sementes...

Mas esta história pode continuar, se você colaborar. Pegue um feijão, plante-o na terra ou no algodão, molhe-o com cuidado. E pronto! Outro pé de feijão vai nascer, crescer, dar flor, vagem e novas sementes... e começar tudo de novo.

 

(História extraída da Apostila de Evangelização da Editora Aliança.)


 


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