Artigos

por Eder Andrade

 

Quando a dor promove uma transformação


Tentar compreender os compromissos reencarnatórios de uma pessoa é uma tarefa muito complicada para os encarnados.

Quando assumimos um compromisso com a nossa consciência e com a Justiça Divina de auxiliar aqueles que mais precisam, passamos a contrair responsabilidades que fogem à nossa compreensão convencional, pois as bases desse compromisso encontram-se em vidas passadas ou nas leis de ação e reação.

Um dos pontos mais difíceis é o esclarecimento e a capacitação da pessoa que passa pela prova da dor física ou moral. Em outras palavras, tentar, na visão espírita, esclarecer quais fatores conduzem o indivíduo a passar por determinadas provas ou expiações.

Na visão espírita, a diferença fundamental entre prova e expiação é que a expiação repara erros passados (lei de causa e efeito), enquanto a prova testa e fortalece virtudes futuras, acelerando o progresso. A expiação é, frequentemente, uma consequência penosa de um mal praticado, sendo o pagamento do que se deve, enquanto a prova é um desafio educativo, escolhido ou aceito para a depuração, agindo como uma prova escolar.

Entre as espetaculares curas realizadas por José Arigó, na cidade de Congonhas, em Minas Gerais, acompanhadas por equipes de médicos estrangeiros, destacamos uma das histórias de cura de leucemia:


Maria Cristina Faleiro, de 6 anos, apresentou um exame inicial feito por seu médico em São Paulo, em março de 1968. A contagem dos glóbulos brancos atingira 75.000, dez vezes mais do que a unidade considerada normal. O prognóstico feito pelo médico era grave. A menina foi levada ao Dr. Fritz no dia 20 de maio daquele ano. Ele deu-lhe uma receita, e ela começou a tomar os medicamentos no dia 22 de maio. Estava condenada por aquela doença fatal, com os leucócitos (glóbulos brancos) fora de controle, e o tecido linfoide dos gânglios, bem como a medula óssea, hipertrofiados e proliferantes.

Voltaram para São Paulo e viram que o médico assistente desejava cooperar, ministrando-lhe os remédios dados por Arigó; entretanto, nutria poucas esperanças.

Aproximadamente no dia 18 de junho, a contagem reclinara de 75.000 para 20.000, cerca de 12.000 acima do normal. Em 5 de julho, menos de um mês depois, a contagem caiu para 10.000. Em 7 de agosto, caiu abaixo da taxa normal de 7.500, e o sistema ganglionar da menina normalizara.

Um ano depois, o seguimento do caso, processado pelo médico assistente, demonstrou que a contagem dos glóbulos brancos e os gânglios permaneciam dentro dos limites normais, o que foi verificado pela equipe americana de médicos.¹


Tanto a criança como a família passaram por uma prova e tiveram a intercessão da espiritualidade, ministrada pelo Dr. Fritz, acontecimento registrado nos periódicos da época, que serviu de fundamento para o livro da autora e para nossa compreensão das verdades espirituais.

Sabemos que aceitar um problema de saúde ou um desequilíbrio espiritual como uma convalescença de um mal mais grave exige do indivíduo um nível de compreensão e aceitação muito grande — nem todas as pessoas têm o alcance de entendimento necessário para compreender que algumas doenças representam o caminho para um processo de cura, tanto físico quanto espiritual.

Às vezes, é muito complexo explicar às pessoas que uma doença consoladora pode ser um freio para um espírito ainda imaturo, que tem dificuldade de usar o seu livre-arbítrio em sua vida.

Sendo o livre-arbítrio o direito que o espírito tem de fazer aquilo que julga conveniente, disso decorre que o mau uso acarretará consequências graves. Assim, uma doença consoladora, que atua como freio, impede que o espírito encarnado se comprometa, prejudicando ainda mais a sua condição.

André Luiz nos conta a história, em uma de suas obras, de uma entidade que, acompanhando a programação do seu corpo físico para uma futura reencarnação, solicitou uma intervenção. Diante da dificuldade em superar a sensualidade mal resolvida de vidas passadas, pediu uma deformação física, para que esse defeito pudesse ajudá-la a não recair nos mesmos erros e dificuldades que ainda não havia superado.


O problema do renascimento não é assim tão intrincado. Naturalmente, exige coragem, boas disposições. Entretanto — exclamava o interlocutor, algo triste —, temo contrair novos débitos ao invés de pagar os velhos compromissos. É tão penoso vencer na experiência carnal, em vista do esquecimento que sobrevém à encarnação...
²


A compreensão da lei de causa e efeito nos ajuda a ressignificar o contexto da nossa vida. Deixamos de ser vítimas do mero acaso e passamos a compreender que estamos colhendo as consequências infelizes de escolhas impensadas que fizemos em vidas passadas, pela lei de ação e reação.

Mesmo sem uma compreensão plena, o fato de saber que ninguém colhe algo que não tenha plantado vai gradativamente modificando a nossa leitura da realidade espiritual, assim como do verdadeiro sentido do que seja a felicidade.

A dor moral que vivenciamos na atual encarnação representa um processo de convalescença para a nossa reflexão, levando-nos a repensar atitudes e escolhas imprudentes que fizemos ao longo de outras vidas.

No momento em que internalizamos um conhecimento esclarecedor e consolador, ocorre um processo natural de resignação de nossa parte diante das dificuldades e empecilhos que surgem em nossas vidas, promovido pelo nosso amadurecimento moral.

Passamos a ver a atual encarnação como um degrau da nossa escalada evolutiva, um estágio que precisamos ultrapassar para evoluir, acreditando na pluralidade das existências e sabendo que teremos novas oportunidades para conseguir realizar, no plano terrestre, projetos reencarnatórios em novas existências futuras.


Referências
:

1. Oliveira, Leida Lúcia de; Cirurgias Espirituais “de José Arigó” (2014); cap. 13 -Curas espetaculares; Ed. AME.

2. Xavier, Francisco Cândido; Missionários da Luz (1945); cap. 12 - Preparação de Experiências; Ed. FEB.

3. Wikipédia (Enciclopédia livre).


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita