Quando a dor promove uma transformação
Tentar compreender os compromissos reencarnatórios de
uma pessoa é uma tarefa muito complicada para os
encarnados.
Quando assumimos um compromisso com a nossa consciência
e com a Justiça Divina de auxiliar aqueles que mais
precisam, passamos a contrair responsabilidades que
fogem à nossa compreensão convencional, pois as bases
desse compromisso encontram-se em vidas passadas ou nas
leis de ação e reação.
Um dos pontos mais difíceis é o esclarecimento e a
capacitação da pessoa que passa pela prova da dor física
ou moral. Em outras palavras, tentar, na visão espírita,
esclarecer quais fatores conduzem o indivíduo a passar
por determinadas provas ou expiações.
Na visão espírita, a diferença fundamental entre prova e
expiação é que a expiação repara erros passados (lei
de causa e efeito), enquanto a prova testa e
fortalece virtudes futuras, acelerando o progresso. A expiação é,
frequentemente, uma consequência penosa de um mal
praticado, sendo o pagamento do que se deve,
enquanto a prova é um desafio educativo,
escolhido ou aceito para a depuração, agindo como uma
prova escolar.
Entre as espetaculares curas realizadas por José Arigó,
na cidade de Congonhas, em Minas Gerais, acompanhadas
por equipes de médicos estrangeiros, destacamos uma das
histórias de cura de leucemia:
Maria Cristina Faleiro, de 6 anos, apresentou um exame
inicial feito por seu médico em São Paulo, em março de
1968. A contagem dos glóbulos brancos atingira 75.000,
dez vezes mais do que a unidade considerada normal. O
prognóstico feito pelo médico era grave. A menina foi
levada ao Dr. Fritz no dia 20 de maio daquele ano. Ele
deu-lhe uma receita, e ela começou a tomar os
medicamentos no dia 22 de maio. Estava condenada por
aquela doença fatal, com os leucócitos (glóbulos
brancos) fora de controle, e o tecido linfoide dos
gânglios, bem como a medula óssea, hipertrofiados e
proliferantes.
Voltaram para São Paulo e viram que o médico assistente
desejava cooperar, ministrando-lhe os remédios dados por
Arigó; entretanto, nutria poucas esperanças.
Aproximadamente no dia 18 de junho, a contagem reclinara
de 75.000 para 20.000, cerca de 12.000 acima do normal.
Em 5 de julho, menos de um mês depois, a contagem caiu
para 10.000. Em 7 de agosto, caiu abaixo da taxa normal
de 7.500, e o sistema ganglionar da menina normalizara.
Um ano depois, o seguimento do caso, processado pelo
médico assistente, demonstrou que a contagem dos
glóbulos brancos e os gânglios permaneciam dentro dos
limites normais, o que foi verificado pela equipe
americana de médicos.¹
Tanto a criança como a família passaram por uma prova e
tiveram a intercessão da espiritualidade, ministrada
pelo Dr. Fritz, acontecimento registrado nos periódicos
da época, que serviu de fundamento para o livro da
autora e para nossa compreensão das verdades
espirituais.
Sabemos que aceitar um problema de saúde ou um
desequilíbrio espiritual como uma convalescença de um
mal mais grave exige do indivíduo um nível de
compreensão e aceitação muito grande — nem todas as
pessoas têm o alcance de entendimento necessário para
compreender que algumas doenças representam o caminho
para um processo de cura, tanto físico quanto
espiritual.
Às vezes, é muito complexo explicar às pessoas que uma
doença consoladora pode ser um freio para um espírito
ainda imaturo, que tem dificuldade de usar o seu
livre-arbítrio em sua vida.
Sendo o livre-arbítrio o direito que o espírito tem de
fazer aquilo que julga conveniente, disso decorre que o
mau uso acarretará consequências graves. Assim, uma
doença consoladora, que atua como freio, impede que o
espírito encarnado se comprometa, prejudicando ainda
mais a sua condição.
André Luiz nos conta a história, em uma de suas obras,
de uma entidade que, acompanhando a programação do seu
corpo físico para uma futura reencarnação, solicitou uma
intervenção. Diante da dificuldade em superar a
sensualidade mal resolvida de vidas passadas, pediu uma
deformação física, para que esse defeito pudesse
ajudá-la a não recair nos mesmos erros e dificuldades
que ainda não havia superado.
O problema do renascimento não é assim tão intrincado.
Naturalmente, exige coragem, boas disposições.
Entretanto — exclamava o interlocutor, algo triste —,
temo contrair novos débitos ao invés de pagar os velhos
compromissos. É tão penoso vencer na experiência carnal,
em vista do esquecimento que sobrevém à encarnação...²
A compreensão da lei de causa e efeito nos ajuda a
ressignificar o contexto da nossa vida. Deixamos de ser
vítimas do mero acaso e passamos a compreender que
estamos colhendo as consequências infelizes de escolhas
impensadas que fizemos em vidas passadas, pela lei de
ação e reação.
Mesmo sem uma compreensão plena, o fato de saber que
ninguém colhe algo que não tenha plantado vai
gradativamente modificando a nossa leitura da realidade
espiritual, assim como do verdadeiro sentido do que seja
a felicidade.
A dor moral que vivenciamos na atual encarnação
representa um processo de convalescença para a nossa
reflexão, levando-nos a repensar atitudes e escolhas
imprudentes que fizemos ao longo de outras vidas.
No momento em que internalizamos um conhecimento
esclarecedor e consolador, ocorre um processo natural de
resignação de nossa parte diante das dificuldades e
empecilhos que surgem em nossas vidas, promovido pelo
nosso amadurecimento moral.
Passamos a ver a atual encarnação como um degrau da
nossa escalada evolutiva, um estágio que precisamos
ultrapassar para evoluir, acreditando na pluralidade das
existências e sabendo que teremos novas oportunidades
para conseguir realizar, no plano terrestre, projetos
reencarnatórios em novas existências futuras.
Referências:
1. Oliveira,
Leida Lúcia de; Cirurgias Espirituais “de José Arigó” (2014);
cap. 13 -Curas espetaculares; Ed. AME.
2. Xavier,
Francisco Cândido; Missionários da Luz (1945);
cap. 12 - Preparação de Experiências; Ed. FEB.
3. Wikipédia
(Enciclopédia livre).
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