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No dia 18 de maio de 1989, Adelino Silveira recebeu um
recado para ir a Uberaba. Era urgente. Às vinte horas,
lá estava ele.
Em se tratando de Chico Xavier, disse ele:
— Sou capaz de deixar até o corpo.
Quando o viu, uma dor muito profunda abalou-lhe o coração. Nosso
querido Chico, mestre e amigo, no dia anterior havia levado um
tombo que lhe causara graves ferimentos. Tropeçara e batera com
o rosto no chão. Havia hematomas por toda a face. Na queda, os
óculos se partiram, causando-lhe vários cortes. Recebera dezoito
pontos na parte interna da boca e no nariz.
Vários amigos encontravam-se na sala. A consternação era geral.
Foi o próprio Chico quem rompeu o silêncio, dizendo com
dificuldade:
— Não fiquem preocupados, não. Estou muito bem. Agradeço a
presença de todos; mas, não muito longe de suas casas, existem
muitas pessoas em condições piores do que as minhas, e vocês
nunca foram visitá-las.
Os amigos entreolharam-se, assustados. A lição era dura, mas era
a pura verdade.
Depois, continuou:
— Não pensem que fiquei gritando por Emmanuel, não. Ele é muito
ocupado. Não tem tempo para estar nos acariciando em nossas
manhas. Ele solicitou a André Luiz que verificasse o que havia
acontecido.
André Luiz informou-lhe que eu havia levado um tombo muito feio,
mas que já fora atendido por médicos competentes, estava tomando
os remédios necessários e encontrava-me cercado de amigos.
Então Emmanuel perguntou:
— Mas o Chico está bem?
O mensageiro respondeu:
— Está muito bem. Não lhe está faltando nenhum recurso.
Tornou Emmanuel:
— Assistência, remédios, medicamentos especializados e
providências para a necessária imunização?
O mensageiro explicou:
— Sim. Não lhe falta nada. Todas essas providências a que o
senhor se refere foram tomadas. O Chico está cercado pelo
carinho e pela assistência de diversos médicos amigos.
— Muito bem. Isso me tranquiliza — finalizou Emmanuel.
No entanto, descrevendo a ocorrência, Chico comentou com bom
humor:
— Acredito que Emmanuel, ao tranquilizar-se com as informações
recebidas e vendo tantos doentes e acidentados em torno de nós
sem qualquer medida de proteção, terá pensado, segundo meu modo
de entender: “Se o Chico está sob amparo tão completo, seria o
caso de experimentar outro tombo para conformar-se e compreender
as dores alheias”.
Do livro Kardec Prossegue, de Adelino
Silveira.
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