Faz parte da infância aprender o amor
pela verdade
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu, sozinho, menino entre mangueiras,
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
Carlos Drummond de Andrade
Devemos crescer “amigos” da verdade. Na vida doméstica,
desde cedo, a criança é exposta à necessidade da
honestidade consigo mesma, da relevância de atitudes
autênticas, sinceras, ou não...
E é um fato: os filhos não aprendem a mentir sozinhos;
geralmente, eles crescem em um ambiente onde mentiras
são contadas e repetem o hábito, internalizando esse
comportamento mentiroso.
Do mesmo modo que a coragem, a paciência e a honestidade
também devem ser incentivadas desde o começo da vida.
Mas por que as crianças mentem?
A mentira, muitas vezes, pode ser uma reação a um medo
causado por um incidente anterior (a criança fez algo,
assumiu o ato e foi duramente castigada, por exemplo),
ou pode ser uma forma assertiva de reclamar atenção.
Como pais, é nesses momentos que temos a chance de nos
conectar com nossos filhos e compreender qual a
necessidade que está a alimentar esse comportamento...
Então, com dedicação, corrigi-lo.
Estamos empenhados com a verdade? Revisar, muitas vezes,
as nossas atitudes, nossa forma de conviver com os
nossos filhos. Contudo, no dia a dia, dar a eles os
exemplos variados de ser um aliado de comportamentos
autênticos, honestos...
Mas cuidado! Quando nos preocupamos muito em parecer
bons pais, quase sempre nos fazemos cúmplices da rigidez
ou do perfeccionismo e, por isso, acabamos por criar
relações rígidas, com pouca tolerância para o erro, para
a vulnerabilidade e... para a verdade. E, se a infância
precisa de verdade, ela depende de pais que não têm
todas as respostas, que erram e acertam, e que têm
coragem de ser frágeis, imperfeitos e honestos...
Na realidade, ser pai é comportar-se como um mediador
consciente, estar presente e ser um adepto da
honestidade. Ser tolerante, oferecer escuta e uma
sincera disponibilidade para ser parte da condução de um
ser humano em formação e que exigirá, portanto, afeto,
bons exemplos, maleabilidade e respeito. E quem respeita
a criança, o filho pequeno, reconhece a honestidade como
um princípio fundamental para guiar nossas vidas e
propósitos.