Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Faz parte da infância aprender o amor pela verdade


Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu, sozinho, menino entre mangueiras,
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

Carlos Drummond de Andrade


Devemos crescer “amigos” da verdade. Na vida doméstica, desde cedo, a criança é exposta à necessidade da honestidade consigo mesma, da relevância de atitudes autênticas, sinceras, ou não...

E é um fato: os filhos não aprendem a mentir sozinhos; geralmente, eles crescem em um ambiente onde mentiras são contadas e repetem o hábito, internalizando esse comportamento mentiroso.

Do mesmo modo que a coragem, a paciência e a honestidade também devem ser incentivadas desde o começo da vida.

Mas por que as crianças mentem?

A mentira, muitas vezes, pode ser uma reação a um medo causado por um incidente anterior (a criança fez algo, assumiu o ato e foi duramente castigada, por exemplo), ou pode ser uma forma assertiva de reclamar atenção. Como pais, é nesses momentos que temos a chance de nos conectar com nossos filhos e compreender qual a necessidade que está a alimentar esse comportamento... Então, com dedicação, corrigi-lo.

Estamos empenhados com a verdade? Revisar, muitas vezes, as nossas atitudes, nossa forma de conviver com os nossos filhos. Contudo, no dia a dia, dar a eles os exemplos variados de ser um aliado de comportamentos autênticos, honestos...

Mas cuidado! Quando nos preocupamos muito em parecer bons pais, quase sempre nos fazemos cúmplices da rigidez ou do perfeccionismo e, por isso, acabamos por criar relações rígidas, com pouca tolerância para o erro, para a vulnerabilidade e... para a verdade. E, se a infância precisa de verdade, ela depende de pais que não têm todas as respostas, que erram e acertam, e que têm coragem de ser frágeis, imperfeitos e honestos...

Na realidade, ser pai é comportar-se como um mediador consciente, estar presente e ser um adepto da honestidade. Ser tolerante, oferecer escuta e uma sincera disponibilidade para ser parte da condução de um ser humano em formação e que exigirá, portanto, afeto, bons exemplos, maleabilidade e respeito. E quem respeita a criança, o filho pequeno, reconhece a honestidade como um princípio fundamental para guiar nossas vidas e propósitos.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita