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por Roque Roberto Pires de Carvalho

 

Arthur Ignatius Conan Doyle


“... a solução de um mistério complexo é, na verdade, óbvia após as evidências serem analisadas; elementar, meu caro Watson.” (Sherlock Holmes. Frase criada e popularizada pelo cinema.)


O nome do escritor Conan Doyle repercute por todo o mundo. É um dos escritores mais lidos da literatura inglesa e, no Brasil, seu nome também é conhecido e admirado, um verdadeiro ídolo literário. Publicou séries de ficção histórica, além de contos e novelas fantásticas. Foi ainda um dos maiores e mais lúcidos escritores espíritas do século XX, revelando admirável compreensão do Espiritismo em seu aspecto global, como ciência, filosofia e religião.

Nascido em 22 de maio de 1859, na cidade de Edimburgo, era filho de Charles Altamont Doyle e Mary Foley, ambos irlandeses e católicos. Matriculou-se no Colégio Stonyhurst e, ao concluir o colegial, ouviu de um padre que os não católicos iriam para o inferno. Não aceitando essa preleção e influenciado por pessoas cultas, como Edgar Allan Poe, que se intitulavam agnósticos, rejeitou o catolicismo e também se tornou agnóstico.

Ainda estudante, em 1878, trabalhou por três semanas em troca de casa e comida, como médico aprendiz nos subúrbios de Sheffield, formando-se em medicina em 1881. Voltou à universidade e concluiu o doutorado em 1885. Por ser agnóstico, teve dificuldade para conseguir emprego. A família, muito influente na sociedade, poderia ajudá-lo, mas impôs como condição seu retorno ao catolicismo, o que ele recusou energicamente, provocando o rompimento com os tios.

Casou-se em 1885 com Louise Hawkis e teve com ela dois filhos. Louise sofria de tuberculose e faleceu em 1906. Em 1907, casou-se com Jean Elizabeth Leckie, com quem teve três filhos.

Quando resolveu deixar a medicina de lado, dedicou-se intensamente à escrita. Sua primeira obra de destaque foi Um Estudo em Vermelho (1887), na qual aparece pela primeira vez a figura de Sherlock Holmes. Para criar o personagem, inspirou-se em seu professor Joseph Bell (1837-1911), especialista em dedução, lógica e observação, qualidades incorporadas ao célebre detetive fictício.

Pelos serviços prestados ao Estado como médico na Guerra dos Bôeres (1899-1902), recebeu do rei Eduardo VII o título de “Sir”, honraria que sua mãe insistiu muito para que aceitasse.

No ano de 1887 ocorreu sua conversão definitiva ao Espiritismo, quando leu a obra A Personalidade Humana, de Frederic William Henry Myers (1843-1901), pioneiro nas pesquisas dos fenômenos paranormais no final do século XIX. Como se vê, há ainda duas vertentes importantes em sua produção intelectual: a História e o Espiritismo, que podem ser consideradas afluentes diretos deste verdadeiro delta literário da vida de Conan Doyle.

Em junho de 1887, escreveu uma carta ao editor da revista Light, explicando os motivos de sua conversão ao Espiritismo. A carta foi publicada na edição de 2 de julho do mesmo ano. Em 15 de julho de 1929, a Revista Internacional de Espiritismo, de Matão-SP, dirigida por Cairbar Schutel, publicou no Brasil a primeira tradução integral desse documento valioso, que mostra, como destacou a revista, que o jovem médico já revelava ampla compreensão dos postulados da Terceira Revelação.

Após a morte da esposa, em 1906, e de seus netos, Conan Doyle mergulhou em profundo estado de depressão. No auge da fama, em 1918, enfrentou os incrédulos e publicou A Nova Revelação, obra em que manifesta sua convicção na explicação espírita para as manifestações paranormais estudadas ao longo do século XIX, iniciando uma série de outras publicações e palestras sobre o tema.

Leu também as obras do codificador do Espiritismo, o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), conhecido como Allan Kardec. Conan Doyle identificava-se com o pensamento kardecista, aguardando que a codificação kardequiana surgisse, sem perceber que ela já existia e estava ao seu lado havia muito tempo. Escreveu ele: “Enquanto considerei o Espiritismo como ilusão vulgar de ignorantes, tratei-o com desprezo; mas, quando o vi apoiado em Sir William Crookes e Camille Flammarion, reformulei meus pensamentos.”

Quando o Parlamento inglês cogitou elevá-lo a Par do Reino Unido da Grã-Bretanha — a mais relevante distinção que um homem poderia ambicionar — surgiu uma condição: renunciar às suas ideias espíritas. Conan Doyle rejeitou-a de forma franca, mesmo sabendo que perderia numerosos amigos presos ao sectarismo e ao preconceito. Preferiu colocar a verdade acima de tudo e divulgar uma mensagem nova, repleta de amor e paz para o gênero humano.

Sua recusa em trocar a glória de um título mundano pelo abandono de uma ideia libertadora trouxe-lhe muitos detratores. Ainda assim, não os combateu, reconhecendo neles homens limitados pelas mais variadas formas de apego a meros tradicionalismos.

Conan Doyle faleceu em 7 de julho de 1930, em sua casa em Crowborough, East Sussex. Foi encontrado apertando o peito durante um ataque cardíaco, aos 71 anos de idade. Suas últimas palavras foram dirigidas à esposa, Jean Leckie (1874-1940): “Você é maravilhosa.”

A elevada e valiosa cultura intelectual de Conan Doyle deixou mais de 60 livros escritos, com destaque para os quatro romances de Sherlock Holmes e os 56 contos protagonizados pelo detetive. Em sua produção espírita, sobressaem História do Espiritismo, A Nova Revelação, O Vital Mensageiro e A Terra da Névoa.


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita