Da fé ao fluido: o fenômeno da cura sob o
olhar da Ciência Espírita
A canonização de uma figura como Irmã Dulce desperta no
mundo uma reflexão profunda sobre o que chamamos de
"milagre". Na tradição da Igreja Católica, a santidade
exige a comprovação de dois prodígios — eventos que
desafiam as leis conhecidas. No caso do "Anjo Bom da
Bahia", foi o segundo milagre que celebrou sua
trajetória de beata a santa aos olhos da instituição.
Contudo, como o Espiritismo interpreta esses fatos?
Para o Espiritismo, o termo "milagre", no sentido de uma
derrogação ou suspensão das leis da natureza por Deus,
não existe. Allan Kardec, em sua obra A Gênese,
propõe que tudo o que ocorre no universo está submetido
a leis naturais. Designar algo como "sobrenatural" é
apenas admitir que nossa inteligência atual ainda não
compreende a lei por trás do fenômeno.
Portanto, a cura dita milagrosa não é uma exceção à
regra, mas a aplicação de uma lei ainda pouco explorada
pela ciência acadêmica, mas amplamente explicada pela
Ciência Espírita: a lei dos fluidos.
Para entender como esses processos ocorrem, podemos
utilizar uma analogia clara e objetiva. Imaginemos o
Universo como uma vasta farmácia, preenchida pelo que
Kardec chamou de Fluido Cósmico Universal. Nesta
farmácia, existem elementos químicos de todas as ordens,
prontos para serem manipulados.
Os elementos mais "nobres", dotados de propriedades
terapêuticas especiais e capazes de promover curas
profundas, estão localizados em "prateleiras mais
altas". O acesso a esses recursos não é físico, mas
moral e intelectual. Nem todos alcançam essas
prateleiras; apenas aqueles que atingiram uma estatura
espiritual elevada conseguem manipular tais elementos.
Espíritos como Irmã Dulce, portadores de uma bondade
genuína e de uma vontade inabalável de servir, são esses
"indivíduos altos" na farmácia da vida. Pela sua
superioridade moral, eles têm livre acesso aos materiais
fluídicos mais puros do universo.
A Manipulação: O Espírito, sensibilizado pelo pedido de
ajuda e pela fé do enfermo, acessa esses fluidos nobres.
A Elaboração: Pelo pensamento e vontade, o Espírito
"elabora" o medicamento fluídico, dando-lhe as
qualidades necessárias para combater a enfermidade
específica.
A Substituição: Esse novo fluido, carregado com esses
elementos especiais de cura, é introduzido no doente,
substituindo os fluidos "viciados" ou enfermos por
outros de melhor qualidade. Essa mudança rearmoniza seu
corpo físico e restitui a saúde.
Dessa forma, o que a religião tradicional classifica
como milagre, a Ciência Espírita classifica como
cumprimento de uma lei natural. A farmácia é o universo;
o farmacêutico é o Espírito elevado; e o medicamento é o
fluido purificado pela vontade.
Irmã Dulce não precisou quebrar as leis da natureza para
curar; ela simplesmente, por seu imenso amor, aprendeu a
utilizar as leis do universo.
Onde a ciência materialista para, por não possuir
instrumentos que meçam a alma, a Ciência Espírita
prossegue, mostrando que o amor e o pensamento são, de
fato, as ferramentas poderosas de transformação da
matéria.
|