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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

“Desperta, ó tu que dormes”


Neste mês de março de 2026, perante inúmeras efervescências em vários segmentos em nosso mundo, tais como ambientais, morais, políticos, religiosos, financeiros, econômicos etc., a reflexão fundamentada no texto do Apóstolo Paulo, na sua Carta aos Efésios¹, que indicava àqueles povos do passado para acordarem ante uma realidade espiritual, é também uma condição sine qua non ao que se vive contemporaneamente.

Segundo a obra O Amanhecer de uma Nova Era², pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, pela intermediação de Divaldo Pereira Franco, a transição planetária procede de ordem divina. Ela vem acontecendo aos poucos, com variações climáticas severas, cataclismos sísmicos avassaladores e tombamentos de impérios inolvidáveis por suas bravuras e conquistas, mas que desmoronaram sob as ruínas do tempo. Recordamos que os duelos povoaram a Europa no pretérito; isso é a evolução. Hoje, grupos minoritários ainda agem com atos violentos. O ser imortal evolui, “modificando a estrutura moral do globo, que irá ascendendo a situação mais própria a mundo de regeneração” (FRANCO, 2012, p. 214).

As guerras e conflitos armados intermináveis são seculares.

Os antigos persas, sumérios, babilônios, caldeus, assírios e hebreus sempre cultivaram os confrontos por meio de espadas, lanças, pedras ou outras armas; hoje assistimos, estarrecidos, aos drones monitorados, aos mísseis balísticos e a uma tremenda devastação material na mesma região. Infelizmente, o radicalismo — principalmente o religioso — ainda impera por lá. A exortação profícua de Jesus sobre os escândalos³ pertinentes à imperfeição humana é cabível nesse contexto; contudo, evitemos os arruídos e estardalhaços ao nosso derredor.

Não se pode cultivar esse arremedo em relação à Lei Divina. Infelizmente, religiosos incutem nos pensamentos de seus fiéis tais sofismas. Tal fato tem gerado alguns grupos radicalistas e extremistas em grande número, a ponto de romperem com as religiões e criarem núcleos separatistas, não só por motivo religioso, mas também por ideologias políticas, sociais e econômicas, como se vê na Turquia e no Oriente Médio: Irã, Iraque, Síria, Arábia Saudita e, também, no Paquistão e Afeganistão (Ásia).

Dessa forma, o roteiro apresentado pelo Cristo tem sido implantado lentamente em nosso mundo dentro das religiões cristãs, apesar de o atavismo dogmático ainda pairar em alguns segmentos. Porém, sigamos com o Mestre através dos ensinos espíritas. Lembremo-nos sempre da missão destinada a Allan Kardec; sobretudo, repensemos a destinação da Doutrina dos Espíritos em nosso mundo ao nos despertar para a evolução facultada a todos os seres imortais, “tendo como modelo a forma saudável e bela, cada vez mais sutil e nobre até alcançar o estado de plenitude, o reino dos Céus interior...” (IDEM, p. 216).

Selecionamos das narrativas de Manoel Philomeno de Miranda, na obra supracitada, uma de suas incursões junto à comitiva espiritual na pátria brasileira. Trata-se de um triste quadro social terreno constatado pelo grupo da Colônia Redenção. Desse modo, os espíritos visitaram um centro urbano e depararam-se com viciosos dos mais amplos aspectos sociais, principalmente do “crack”, e os encarnados reviravam latões com escórias e outras imundícies, dormiam em papelões sobre as calçadas; enfim, um quadro deprimente da miséria humana comum em outras cidades populosas do nosso país. “Em razão do tempo em que a região estava sob a injunção destrutiva de vidas, tornara-se uma área infernal, com as características morbosas de outros lugares espirituais fora da Terra” (IDEM, p. 222-223).

Dr. Bezerra de Menezes, com sua peculiar bonomia, enunciou uma fervorosa oração àquele antro de perdição. Um cortejo de luminares infiltrou-se naquele local e conseguiu libertar alguns espíritos presos àquela dependência viciosa. A desencarnação de um jovem tuberculoso, estirado ao relento, foi alvo de consternação pelo grupo de Philomeno ao identificarem a mãe desencarnada que ajudaria o filho desencarnado no regresso à vida espiritual, após a gravidade em que ele se infiltrara na vida corpórea. “Os socorros prolongaram-se por mais de uma hora, até quando o silêncio tombou na região e a população atormentada parou de chegar...” (IDEM, p. 227).

Quando nos encontrarmos inoperantes frente a essas tragédias sociais, rezemos!

Os trabalhadores da Vida Maior incessantemente estão operando e utilizando-se de instrumentos na Terra — homens caridosos que se infiltram nesses redutos do mal para levar-lhes ajuda espiritual e material, mesmo incompreendidos pelo poder público, o qual se abstém de sua incumbência social. Felizes os que doam aos desvalidos e oprimidos pelos vícios e sem energia moral suficiente para se colocarem noutra direção, na não aderência ao infortúnio degradante e ao processo invasivo das substâncias tóxicas.

O programa luminífero da fase de regeneração da nossa Terra é lacrado por Jesus.

Graças ao Espiritismo — o Consolador prometido pelo Cristo —, poderemos usufruir de tais orientações robustas pertinentes à nova fase destinada ao nosso planeta, conduzida pelos eminentes habitantes do Além, segundo os relatos de espíritos de escol, como Joanna de Ângelis, no livro Mundo Regenerado — Introdução (Editora LEAL), no qual a benfeitora informou-nos que: “Mantém a certeza de que verdadeiros contingentes de Espíritos nobres estão laborando na execução do programa superior. Conecta com eles e torna-te uma âncora para evitar qualquer tipo de naufrágio” (FRANCO, 2023, p. 13).

A sabedoria divina tudo vê e tudo provê.

Tenhamos, pois, a absoluta certeza disso. É impressionante como o mundo caminha a passos largos em tantos avanços tecnológicos; entretanto, ainda se depara com óbices devido às tamanhas inferioridades de todos nós, os viajores refratários à luz da realidade do que é justo e ponderado na Criação. A onipotência de Deus é exibida à Humanidade. Não é de hoje que as alterações procedem de forma equitativa e verticalmente, em ascendência superior para o crescimento da Terra, em termos de mundos habitados.

Contudo, alguns moradores deste orbe, desatentos ou reticentes às verdades imaculadas, as quais já foram faladas ou registradas desde os séculos mais recuados pelos médiuns, xamãs, gurus, profetas, curandeiros etc., inspirados pelos bondosos espíritos que os rodeavam e lhes impulsionavam para o bem da comunidade ou para alertá-los em vários segmentos, inclusive o social, não foram ouvidos. Sócrates incomodou tanto a sociedade ateniense, principalmente os poderosos, que foi obrigado a se envenenar e a se calar naquela época antiga; todavia, sua verdade era maior.

E o pensamento socrático clareou Atenas, na Antiguidade, depois de sua passagem, através de seu discípulo Platão. Sua frase não desvaneceu: “Só sei que nada sei...”

Sócrates levou o povo a pensar... a filosofar...

Certamente, caros leitores, somos ávidos por conhecer um pouco mais a respeito de tudo, e essa gama de instruções que nos chega faz-nos meditar sobre o que está se sucedendo à nossa volta, uma verdadeira ebulição climática, sem nenhuma intervenção benfeitora. O Céu nos desamparou? Poderíamos até indagar sobre essa situação caótica em amplos aspectos aos nossos olhos — e a resposta soberanamente justa é não! Não estamos à deriva em nossa embarcação com Jesus em seu leme.

O despertar espiritual ressoa em nossos espíritos como uma necessidade inexequível a todos os viajantes temporários no orbe terrestre.

Paz a todos!

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¹ Carta aos Efésios, 5:14.

² Ed. LEAL.
³ Mateus, 18:7.

  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita