“Desperta, ó tu que dormes”
Neste mês de março de 2026, perante inúmeras
efervescências em vários segmentos em nosso mundo, tais
como ambientais, morais, políticos, religiosos,
financeiros, econômicos etc., a reflexão fundamentada no
texto do Apóstolo Paulo, na sua Carta aos Efésios¹, que
indicava àqueles povos do passado para acordarem ante
uma realidade espiritual, é também uma condição sine
qua non ao que se vive contemporaneamente.
Segundo a obra O
Amanhecer de uma Nova Era², pelo Espírito
Manoel Philomeno de Miranda, pela intermediação de
Divaldo Pereira Franco, a transição planetária procede
de ordem divina. Ela vem acontecendo aos poucos, com
variações climáticas severas, cataclismos sísmicos
avassaladores e tombamentos de impérios inolvidáveis por
suas bravuras e conquistas, mas que desmoronaram sob as
ruínas do tempo. Recordamos que os duelos povoaram a
Europa no pretérito; isso é a evolução. Hoje, grupos
minoritários ainda agem com atos violentos. O ser
imortal evolui, “modificando a estrutura moral do globo,
que irá ascendendo a situação mais própria a mundo de
regeneração” (FRANCO, 2012, p. 214).
As guerras e conflitos armados intermináveis são
seculares.
Os antigos persas, sumérios, babilônios, caldeus,
assírios e hebreus sempre cultivaram os confrontos por
meio de espadas, lanças, pedras ou outras armas; hoje
assistimos, estarrecidos, aos drones monitorados, aos
mísseis balísticos e a uma tremenda devastação material
na mesma região. Infelizmente, o radicalismo —
principalmente o religioso — ainda impera por lá. A
exortação profícua de Jesus sobre os escândalos³
pertinentes à imperfeição humana é cabível nesse
contexto; contudo, evitemos os arruídos e estardalhaços
ao nosso derredor.
Não se pode cultivar esse arremedo em relação à Lei
Divina. Infelizmente, religiosos incutem nos pensamentos
de seus fiéis tais sofismas. Tal fato tem gerado alguns
grupos radicalistas e extremistas em grande número, a
ponto de romperem com as religiões e criarem núcleos
separatistas, não só por motivo religioso, mas também
por ideologias políticas, sociais e econômicas, como se
vê na Turquia e no Oriente Médio: Irã, Iraque, Síria,
Arábia Saudita e, também, no Paquistão e Afeganistão
(Ásia).
Dessa forma, o roteiro apresentado pelo Cristo tem sido
implantado lentamente em nosso mundo dentro das
religiões cristãs, apesar de o atavismo dogmático ainda
pairar em alguns segmentos. Porém, sigamos com o Mestre
através dos ensinos espíritas. Lembremo-nos sempre da
missão destinada a Allan Kardec; sobretudo, repensemos a
destinação da Doutrina dos Espíritos em nosso mundo ao
nos despertar para a evolução facultada a todos os seres
imortais, “tendo como modelo a forma saudável e bela,
cada vez mais sutil e nobre até alcançar o estado de
plenitude, o reino dos Céus interior...” (IDEM, p. 216).
Selecionamos das narrativas de Manoel Philomeno de
Miranda, na obra supracitada, uma de suas incursões
junto à comitiva espiritual na pátria brasileira.
Trata-se de um triste quadro social terreno constatado
pelo grupo da Colônia Redenção. Desse modo, os espíritos
visitaram um centro urbano e depararam-se com viciosos
dos mais amplos aspectos sociais, principalmente do
“crack”, e os encarnados reviravam latões com escórias e
outras imundícies, dormiam em papelões sobre as
calçadas; enfim, um quadro deprimente da miséria humana
comum em outras cidades populosas do nosso país. “Em
razão do tempo em que a região estava sob a injunção
destrutiva de vidas, tornara-se uma área infernal, com
as características morbosas de outros lugares
espirituais fora da Terra” (IDEM, p. 222-223).
Dr. Bezerra de Menezes, com sua peculiar bonomia,
enunciou uma fervorosa oração àquele antro de perdição.
Um cortejo de luminares infiltrou-se naquele local e
conseguiu libertar alguns espíritos presos àquela
dependência viciosa. A desencarnação de um jovem
tuberculoso, estirado ao relento, foi alvo de
consternação pelo grupo de Philomeno ao identificarem a
mãe desencarnada que ajudaria o filho desencarnado no
regresso à vida espiritual, após a gravidade em que ele
se infiltrara na vida corpórea. “Os socorros
prolongaram-se por mais de uma hora, até quando o
silêncio tombou na região e a população atormentada
parou de chegar...” (IDEM, p. 227).
Quando nos encontrarmos inoperantes frente a essas
tragédias sociais, rezemos!
Os trabalhadores da Vida Maior incessantemente estão
operando e utilizando-se de instrumentos na Terra —
homens caridosos que se infiltram nesses redutos do mal
para levar-lhes ajuda espiritual e material, mesmo
incompreendidos pelo poder público, o qual se abstém de
sua incumbência social. Felizes os que doam aos
desvalidos e oprimidos pelos vícios e sem energia moral
suficiente para se colocarem noutra direção, na não
aderência ao infortúnio degradante e ao processo
invasivo das substâncias tóxicas.
O programa luminífero da fase de regeneração da nossa
Terra é lacrado por Jesus.
Graças ao Espiritismo — o Consolador prometido pelo
Cristo —, poderemos usufruir de tais orientações
robustas pertinentes à nova fase destinada ao nosso
planeta, conduzida pelos eminentes habitantes do Além,
segundo os relatos de espíritos de escol, como Joanna de
Ângelis, no livro Mundo
Regenerado — Introdução (Editora LEAL), no
qual a benfeitora informou-nos que: “Mantém a certeza de
que verdadeiros contingentes de Espíritos nobres estão
laborando na execução do programa superior. Conecta com
eles e torna-te uma âncora para evitar qualquer tipo de
naufrágio” (FRANCO, 2023, p. 13).
A sabedoria divina tudo vê e tudo provê.
Tenhamos, pois, a absoluta certeza disso. É
impressionante como o mundo caminha a passos largos em
tantos avanços tecnológicos; entretanto, ainda se depara
com óbices devido às tamanhas inferioridades de todos
nós, os viajores refratários à luz da realidade do que é
justo e ponderado na Criação. A onipotência de Deus é
exibida à Humanidade. Não é de hoje que as alterações
procedem de forma equitativa e verticalmente, em
ascendência superior para o crescimento da Terra, em
termos de mundos habitados.
Contudo, alguns moradores deste orbe, desatentos ou
reticentes às verdades imaculadas, as quais já foram
faladas ou registradas desde os séculos mais recuados
pelos médiuns, xamãs, gurus, profetas, curandeiros etc.,
inspirados pelos bondosos espíritos que os rodeavam e
lhes impulsionavam para o bem da comunidade ou para
alertá-los em vários segmentos, inclusive o social, não
foram ouvidos. Sócrates incomodou tanto a sociedade
ateniense, principalmente os poderosos, que foi obrigado
a se envenenar e a se calar naquela época antiga;
todavia, sua verdade era maior.
E o pensamento socrático clareou Atenas, na Antiguidade,
depois de sua passagem, através de seu discípulo Platão.
Sua frase não desvaneceu: “Só sei que nada sei...”
Sócrates levou o povo a pensar... a filosofar...
Certamente, caros leitores, somos ávidos por conhecer um
pouco mais a respeito de tudo, e essa gama de instruções
que nos chega faz-nos meditar sobre o que está se
sucedendo à nossa volta, uma verdadeira ebulição
climática, sem nenhuma intervenção benfeitora. O Céu nos
desamparou? Poderíamos até indagar sobre essa situação
caótica em amplos aspectos aos nossos olhos — e a
resposta soberanamente justa é não! Não estamos à deriva
em nossa embarcação com Jesus em seu leme.
O despertar espiritual ressoa em nossos espíritos como
uma necessidade inexequível a todos os viajantes
temporários no orbe terrestre.
Paz a todos!
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¹ Carta aos Efésios, 5:14.