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por Eder Andrade

 

O que ainda poderia ser feito?


É muito comum encontrarmos, nas casas espíritas, antigos trabalhadores e médiuns que se perguntam: será que realizamos tudo o que estava ao nosso alcance?

Numa visão, por vezes romanceada, questionam-se:

Será que nos tornaremos completistas?

Acreditamos que essa conquista seja reservada àqueles que realmente se prepararam e investem em sua superação pessoal de uma falha grave que assumiram a tarefa de corrigir.

O trabalho mediúnico é uma missão para a vida inteira, pois, enquanto temos saúde física e mental, teremos a oportunidade de praticar o bem e a caridade por todos aqueles que precisam e cruzam o nosso caminho.

Esse questionamento é válido em alguns casos, quando a Casa Espírita consegue realizar vários projetos, e os médiuns que se encontram à frente da instituição há várias décadas param para refletir:

O que ainda poderia ser feito?

Em outras palavras: o que poderíamos ainda fazer com o tempo que nos resta na atual encarnação? Ou devemos apenas dar continuidade a todo o trabalho que realizamos até aqui?

Trata-se de uma tarefa difícil, pois, devido aos obstáculos que encontramos para concluir as tarefas convencionais, teremos pouco tempo para pensar em algo a mais que ainda não fizemos.

Na passagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no capítulo Sede Perfeitos, encontramos orientações adequadas para que o espírita possa conduzir sua vida da melhor forma possível:

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara que lhe fizessem.¹

Essas orientações não estabelecem um prazo para serem realizadas, apenas um direcionamento, uma sugestão. Em outras palavras, cada um caminha em seu ritmo: alguns realizam mais rapidamente, outros mais lentamente, porém todos procuram colocar em prática os conceitos ensinados por Jesus de que fora da caridade não há salvação.

Ainda na mesma obra, encontramos o chamamento:

Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação.¹

Encontramos em O Evangelho Segundo o Espiritismo várias orientações para reavaliarmos nossa caminhada de vida, ressignificando antigos modelos e conceitos, rompendo velhos paradigmas que aceitávamos como verdades. Revendo nossas crenças, pois a cultura transgeracional recebida, em alguns casos, de nossos ascendentes precisa ser modificada.

No livro Fonte Viva, psicografado por Chico Xavier, existe uma mensagem que reforça a necessidade de ressignificarmos nossa existência corpórea. Não basta conhecer a verdade; precisamos utilizar esse conhecimento para nossa evolução moral:

Não te apegues demasiado à carne transitória. Amanhã, a infância e mocidade do corpo serão madureza e velhice da forma. Entre o berço e o túmulo, o homem detém o usufruto da Terra, com o fim de aperfeiçoar-se. Não te agarres, pois, à enganosa casca dos seres e das coisas.²

Ela fala da transitoriedade do espírito no mundo material, uma orientação de Emmanuel com base em um texto bíblico de Paulo (I Coríntios, 4:18), onde Paulo nos chama a atenção para as coisas transitórias da matéria do mundo em relação às coisas eternas do espírito imortal.

Existe também uma passagem atribuída ao espírito André Luiz, presente em Agenda Cristã, que afirma que, enquanto estamos a caminho da luz — ou seja, enquanto estamos encarnados —, sempre haverá tempo oportuno para colocar em prática o conhecimento e as orientações da espiritualidade, no trabalho e na dedicação à Casa Espírita. A mensagem aparece no contexto da reparação de faltas e da necessidade de utilizar o tempo presente para o aprimoramento pessoal:

Ajude o próximo, enquanto as possibilidades permanecem de seu lado. Chegará o momento em que você não prescindirá do auxílio dele. Utilize o corpo físico para recolher as bênçãos da vida mais alta, enquanto suas peças se ajustam harmoniosamente. O vaso que reteve essências sublimes ainda espalha perfume, depois de abandonado.³

A tarefa assumida com a espiritualidade só se encerra com o nosso desencarne. Em outras palavras, o espírita continua fazendo o que está ao seu alcance até o final de sua existência física. Espírita não se aposenta; apenas diminui suas atividades por conta das limitações físicas.

Somos espíritos imortais estagiando em um corpo orgânico, cercado de limitações, com o objetivo de um aprimoramento e refinamento dos nossos sentidos, para que, com o tempo, valorizemos as coisas sutis do mundo espiritual, dando também o devido valor às coisas materiais, como oportunidade para o nosso burilamento e refinamento.

Quanto mais tempo nos dedicamos ao Espiritismo e ao convívio com as pessoas, realizando uma troca de conhecimentos, mais vamos nos capacitando e melhor nos preparando para a Vida Futura, para uma nova encarnação.


Bibliografia:

1. Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864). Cap. XVII – Sede Perfeitos: 3 – O homem de bem; Cap. XX – Missão dos Espíritas. Ed. FEB.

2. Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva (1956). Cap. 168 – Entre o berço e o túmulo. FEB.

3. Xavier, Francisco Cândido. Agenda Cristã (1947). Cap. 14 – Enquanto. FEB.

4. Wikipédia (Enciclopédia Livre).


 
 

     
     

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 Revista Semanal de Divulgação Espírita