Medo? Todo mundo tem
A
vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Mário Quintana
Medo independe da idade. Medo de ratazana, medo de
cobra, pavor do escuro.
Reação comum e saudável no ser humano, o medo surge
quando nos encontramos em situações consideradas
perigosas por nosso cérebro.
Geralmente, o medo experimentado é passageiro e
desaparece com o tempo ou com a superação da situação: a
tormenta passou, o sol voltou, tudo se normalizou…
Primeira infância? Medo do escuro, de monstros, de
barulhos altos ou de ficar longe dos pais fazem parte do
imaginário infantil, especialmente até os 6 anos. Embora
sejam reações naturais, é fundamental que os adultos
acolham esses medos com atenção, respeito e empatia.
Eu,
meninazinha, tinha muito medo de tormenta. Ficava
embaixo da cama nos dias de trovões e tempestade
assustadora. Na minha casa, minhas reações exageradas
eram respeitadas, e sempre procuravam conversar e
amenizar o que eu vivia, ou seja, aquele sofrimento
desenfreado por causa da chuva forte na janela, no
telhado. Nunca escutei, no entanto: “Sentir esse medo
todo é bobagem”. Isso teria me tirado a legitimidade do
que eu vivenciava. Com o tempo e a compreensão dos
adultos de casa, fui vencendo este forte medo…
Em
relação aos medos infantis, além do acolhimento, há
então outras estratégias? Conversas abertas, contação de
histórias e livros infantis que tratam temas de medo com
delicadeza e inteligência são ferramentas valiosas para
ajudar a compreensão sobre os medos…
Mas
é fato: ao crescer, pouco a pouco, a criança adquire
resiliência e mais habilidades para lidar com receios
que lhe aparecem no cotidiano da vida. A coragem,
portanto, também deve ser estimulada, mas sempre com
respeito ao ser da criança…
Notinhas
A
fobia, diferente do medo, é um tipo de transtorno de
ansiedade responsável por ativar um alerta e por criar
sentimentos de perigo iminente desproporcionais à
realidade de fato. Nesse caso, é importante observar a
criança, os sinais e aconselhar-se com o pediatra, por
exemplo.
Ainda, se o medo começar a interferir no cotidiano, por
exemplo, medo do escuro, medo de tempestade, os pais
devem observar sinais e o comportamento da criança: se
ela deixar de ir à escola, apresentar sintomas físicos,
como vômitos, insônia, regressão, como voltar a fazer
xixi na cama, ou o medo persistir por muitos meses, é
hora de buscar ajuda profissional…