Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Medo? Todo mundo tem


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa
. Mário Quintana


Medo independe da idade. Medo de ratazana, medo de cobra, pavor do escuro.
Reação comum e saudável no ser humano, o medo surge quando nos encontramos em situações consideradas perigosas por nosso cérebro.

Geralmente, o medo experimentado é passageiro e desaparece com o tempo ou com a superação da situação: a tormenta passou, o sol voltou, tudo se normalizou…

Primeira infância? Medo do escuro, de monstros, de barulhos altos ou de ficar longe dos pais fazem parte do imaginário infantil, especialmente até os 6 anos. Embora sejam reações naturais, é fundamental que os adultos acolham esses medos com atenção, respeito e empatia.

Eu, meninazinha, tinha muito medo de tormenta. Ficava embaixo da cama nos dias de trovões e tempestade assustadora. Na minha casa, minhas reações exageradas eram respeitadas, e sempre procuravam conversar e amenizar o que eu vivia, ou seja, aquele sofrimento desenfreado por causa da chuva forte na janela, no telhado. Nunca escutei, no entanto: “Sentir esse medo todo é bobagem”. Isso teria me tirado a legitimidade do que eu vivenciava. Com o tempo e a compreensão dos adultos de casa, fui vencendo este forte medo…

Em relação aos medos infantis, além do acolhimento, há então outras estratégias? Conversas abertas, contação de histórias e livros infantis que tratam temas de medo com delicadeza e inteligência são ferramentas valiosas para ajudar a compreensão sobre os medos…

Mas é fato: ao crescer, pouco a pouco, a criança adquire resiliência e mais habilidades para lidar com receios que lhe aparecem no cotidiano da vida. A coragem, portanto, também deve ser estimulada, mas sempre com respeito ao ser da criança…


Notinhas

A fobia, diferente do medo, é um tipo de transtorno de ansiedade responsável por ativar um alerta e por criar sentimentos de perigo iminente desproporcionais à realidade de fato. Nesse caso, é importante observar a criança, os sinais e aconselhar-se com o pediatra, por exemplo.

Ainda, se o medo começar a interferir no cotidiano, por exemplo, medo do escuro, medo de tempestade, os pais devem observar sinais e o comportamento da criança: se ela deixar de ir à escola, apresentar sintomas físicos, como vômitos, insônia, regressão, como voltar a fazer xixi na cama, ou o medo persistir por muitos meses, é hora de buscar ajuda profissional…


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita