Seria razoável
enviar ovelhas
frágeis a bestas
violentas?
A sugestiva
pergunta não é
minha. Ela é
impactante, mas
convenhamos que
ela encerra
grande verdade
para nosso
tempo,
necessitado de
intensa
renovação em
todos os
segmentos.
Claro que é uma
figura de
linguagem,
adaptada para
significar a
pequenez humana
quando nos
tornamos
verdadeiras
feras, na
violência que
não é apenas
física e muitas
vezes se
apresenta em
manipulações
vergonhosas nos
bastidores
variados dos
relacionamentos
e atividades,
onde o cálculo
perverso tira
proveito,
explora, engana,
frauda,
manipula. A
pergunta é
direta, porque
realmente,
“bestas
violentas”
trucidariam as
“ovelhas
frágeis”.
A pergunta é de
Emmanuel e está
no capítulo 144
– Em meio de
lobos, do livro Vinha
de Luz.
Note-se que
mesmo no título
do capítulo, a
palavra lobos,
também com
sentido
figurativo,
indica
facilmente ao
leitor a
referência aos
lobos da má
intenção, dos
exploradores e
malfeitores –
temporariamente
equivocados,
ressalte-se – de
todo tipo, já
que a expressão
inspiradora da
abordagem foi
extraída de
Lucas (10.3):
“Ide! eis que
vos mando como
cordeiros ao
meio de lobos.”
A lição, como
sempre,
reveste-se de
muita sabedoria
e clareza. O
parágrafo
seguinte bem
define a
essência da
abordagem:
“(...) Aliás,
para serviço de
tal envergadura,
desdobrado em
verdadeiras
batalhas
espirituais, ele
necessitava de
cooperadores
fiéis, bondosos,
prudentes, mas
valorosos. Enviava
os discípulos ao
centro de
conflito áspero,
não no gesto de
quem remete
carneiros ao
matadouro, e sim
à gleba de
serviço, onde
pudessem semear
novos e
sublimados dons
espirituais,
entre os lobos
famintos,
através da
exemplificação
no bem
incessante.
(...)”.
Note-se que se
trata de desafio
a exigir
serenidade
diante de
agressividades
(de todo tipo) a
serem sofridas e
enfrentadas. Do
texto completo,
a que remeto o
leitor, todavia,
recortei três
pequenos
valiosos trechos
que impactam e
embasam o
raciocínio aqui
trazido:
1 - É preciso
realmente ir aos
lobos. Seria
perigoso
esperá-los;
2 - É
imprescindível
caminhar na
direção dos
lobos, não na
condição de fera
contra fera, mas
na posição de
cordeiros-embaixadores;
3 – (...) para
serviço de tal
envergadura,
desdobrado em
verdadeiras
batalhas
espirituais, ele
necessitava de
cooperadores
fiéis, bondosos,
prudentes, mas
valorosos.
Esse espírito de
fidelidade,
bondade,
prudência e
valor da energia
no abraçar das
tarefas talvez
seja nosso maior
desafio de
aprendizes,
ainda vacilantes
no dever... A
advertência do
Benfeitor aí
está, como
sempre lúcida,
para nossa
reflexão de
aprofundar o
entendimento.
Por outro lado,
esse "é preciso
realmente ir aos
lobos" encerra
verdadeiro
programa de
trabalho. Diante
dos quadros de
abusos da
atualidade, há
muito a ser
feito também em
favor
dos lobos que
ainda circulam
pela desarmonia
e caos que
provocam.