Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Educar para a (auto)confiança


As pessoas educam para a competição, e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz
. Maria Montessori


Quem educa um filho também se ocupa da tarefa de ajudá-lo a se tornar uma pessoa confiante e autônoma.

Pai nenhum é perfeito. Mãe nenhuma é perfeita. Mas ambos, tomados pelo amor e pelo compromisso, podem dar ao filho uma base segura, um refúgio para desenvolver-se com otimismo e segurança.

Exemplos bons e estímulos adequados, no lugar de receios desorientadores e proteção excessiva, incentivarão a criança a testar habilidades, construir hábitos saudáveis e um estilo de vida que considere sempre o respeito por si mesma e pelos outros.

Quando os pais não resolvem todos os problemas, não evitam a todo custo riscos naturais (a criança tomar um pouco de chuva às vezes, por exemplo) ou não impedem a criança de se frustrar ou experimentar o tédio etc., passam uma mensagem positiva ao filho, pois o incentivam a dar-se crédito, reconhecendo sua própria capacidade de lidar com situações cotidianas, como fazer os deveres da escola (os fáceis e os difíceis), preparar um singelo sanduíche de pão, presunto e queijo, escolher a roupa velha e gasta na hora de brincar na pracinha.

Faz parte do nosso crescimento, da validação de nossa autoestima, aceitar a frustração, o tédio, a decepção, a rejeição, que muitas vezes permeiam o cotidiano da nossa infância, em casa e na escola. Ou seja, viver os pequenos dilemas diários, os desafios, os equívocos, é algo essencial para preparar uma criança para o enfrentamento futuro de tudo aquilo que escapará ao seu controle e, com isso, sujeitar-se de modo atento a se concentrar naquilo que dela dependerá: suas escolhas, atitudes e ações. Ou seja, consciência acerca da liberdade e da responsabilidade.

A conquista gradual da autonomia, da resiliência ou o desenvolvimento de um caráter consistente, tudo isso está diretamente relacionado à atenção e à persistência por parte dos pais na arte de educar o filho, repetindo escolhas e padrões de comportamento, sugerindo atitudes, modelando ações, valores e ideais a serem alcançados no decurso da jornada de cada um.

No dia a dia, habituar a criança a reconhecer emoções, validar sentimentos, aceitar tanto o sim como o não. Esses experimentos a ajudarão a lidar melhor com a própria vulnerabilidade, aprendendo também a pedir ajuda quando necessário. Isso favorece, de outro lado, um autoconceito mais saudável e, por isso, uma percepção mais tranquila acerca dos próprios erros e acertos.

Ao considerar a autoconfiança como um recurso importante para o viver e o conviver do nosso filho, podemos nos fiar no bom conselho da Maria Montessori: “Nunca ajude uma criança numa tarefa em que ela se sente capaz de fazer sozinha.” Se obedecermos a essa excelente sugestão, sem dúvida ajudaremos nosso filho a testar aptidões e habilidades de maneira mais natural e tranquila, tornando-se ele, pouco a pouco, um ser humano seguro e confiante. Ganhamos todos.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita