Educar para a
(auto)confiança
As
pessoas educam para a competição, e esse é o princípio
de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e
sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos
a educar para a paz.
Maria Montessori
Quem educa um filho também se ocupa da tarefa de
ajudá-lo a se tornar uma pessoa confiante e autônoma.
Pai nenhum
é perfeito. Mãe nenhuma é perfeita. Mas ambos, tomados
pelo amor e pelo compromisso, podem dar ao filho uma
base segura, um refúgio para desenvolver-se com otimismo
e segurança.
Exemplos
bons e estímulos adequados, no lugar de receios
desorientadores e proteção excessiva, incentivarão a
criança a testar habilidades, construir hábitos
saudáveis e um estilo de vida que considere sempre o
respeito por si mesma e pelos outros.
Quando os
pais não resolvem todos os problemas, não evitam a todo
custo riscos naturais (a criança tomar um pouco de chuva
às vezes, por exemplo) ou não impedem a criança de se
frustrar ou experimentar o tédio etc., passam uma
mensagem positiva ao filho, pois o incentivam a dar-se
crédito, reconhecendo sua própria capacidade de lidar
com situações cotidianas, como fazer os deveres da
escola (os fáceis e os difíceis), preparar um singelo
sanduíche de pão, presunto e queijo, escolher a roupa
velha e gasta na hora de brincar na pracinha.
Faz parte
do nosso crescimento, da validação de nossa autoestima,
aceitar a frustração, o tédio, a decepção, a rejeição,
que muitas vezes permeiam o cotidiano da nossa infância,
em casa e na escola. Ou seja, viver os pequenos dilemas
diários, os desafios, os equívocos, é algo essencial
para preparar uma criança para o enfrentamento futuro de
tudo aquilo que escapará ao seu controle e, com isso,
sujeitar-se de modo atento a se concentrar naquilo que
dela dependerá: suas escolhas, atitudes e ações. Ou
seja, consciência acerca da liberdade e da
responsabilidade.
A
conquista gradual da autonomia, da resiliência ou o
desenvolvimento de um caráter consistente, tudo isso
está diretamente relacionado à atenção e à persistência
por parte dos pais na arte de educar o filho, repetindo
escolhas e padrões de comportamento, sugerindo atitudes,
modelando ações, valores e ideais a serem alcançados no
decurso da jornada de cada um.
No dia a
dia, habituar a criança a reconhecer emoções, validar
sentimentos, aceitar tanto o sim como o não. Esses
experimentos a ajudarão a lidar melhor com a própria
vulnerabilidade, aprendendo também a pedir ajuda quando
necessário. Isso favorece, de outro lado, um
autoconceito mais saudável e, por isso, uma percepção
mais tranquila acerca dos próprios erros e acertos.
Ao
considerar a autoconfiança como um recurso importante
para o viver e o conviver do nosso filho, podemos nos
fiar no bom conselho da Maria
Montessori: “Nunca ajude uma criança numa tarefa
em que ela se sente capaz de fazer sozinha.” Se
obedecermos a essa excelente sugestão, sem dúvida
ajudaremos nosso filho a testar aptidões e habilidades
de maneira mais natural e tranquila, tornando-se ele,
pouco a pouco, um ser humano seguro e confiante.
Ganhamos todos.