A
Lua e a fé
raciocinada
Todo bom pesquisador deve manter-se atento ao ambiente e
às informações disponíveis, colhendo pistas para a
construção da verdade. De certo modo, todo bom espírita
deve agir como um pesquisador-detetive, buscando não a
fé cega, mas mantendo uma visão crítica, para que a fé
raciocinada seja a luz a iluminar o caminho¹. Por meio
da fé raciocinada, o indivíduo desenvolve pensamentos
mais complexos e legítimos sobre situações ambíguas e
confusas, sem se distanciar de Deus e de seus
ensinamentos codificados, por exemplo, em O Livro dos
Espíritos.
Entretanto, sabemos, pelos ensinamentos bíblicos e
também pelo capítulo 3 de O Evangelho segundo o
Espiritismo, que o planeta Terra não está entre os
mais evoluídos. Pelo contrário: estamos saindo de um
mundo de provas e expiações, cujo príncipe nada tem a
ver com Jesus Cristo (“Já não falarei muito convosco,
porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em
mim” — João 14:30). Ou seja, é preciso cautela e
espírito investigativo, mesmo diante de fatos
aparentemente consolidados.
Dentro do movimento espírita, talvez um dos grandes
acontecimentos associados à mudança planetária seja a
chegada do homem à Lua. Entretanto, fora do movimento
espírita, o assunto ainda suscita questionamentos, com
argumentações tanto favoráveis quanto contrárias.
Passaremos a analisar alguns desses pontos, mas sem
julgamentos definitivos, apenas buscando informações
como autênticos detetives que procuram provas e que,
diante de um quebra-cabeça incompleto, ainda não dispõem
de todas as peças necessárias para alcançar a verdade.
Isso, pelo menos, nos coloca no caminho do
questionamento, da dúvida e da curiosidade, verdadeiros
motores da aprendizagem.
Essas indagações baseiam-se em contradições, fatos e
eventos considerados estranhos por alguns estudiosos e
curiosos acerca daquele que talvez tenha sido o
principal evento do avanço científico no século XX.
Desde tempos imemoriais, o ser humano sonha com as
estrelas e com a Lua. Na versão mais atual da espécie
humana, o Homo sapiens sapiens, surgido há cerca
de 100 a 120 mil anos (Valdebenito, 2007)², sem contar
as versões anteriores da humanidade, ir à Lua e caminhar
sobre esse astro noturno que muda a cada semana
certamente alimentou muitos sonhos e esforços
individuais e coletivos.
Entretanto, isso mudou em 20 de julho de 1969, quando a
missão Apollo 11, da NASA, registrou que o astronauta
Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a caminhar na
superfície lunar, seguido por Buzz Aldrin. Contudo, o
que aconteceu depois deixou algumas mentes estarrecidas,
fazendo surgir versões conspiratórias, já que, segundo o
dito popular, “onde há fumaça, há fogo”.
Não
é de hoje que se questiona se houve, de fato, o pouso
lunar ou se tudo não teria sido apenas uma “propaganda”
destinada a ludibriar uma grande plateia. Entretanto,
essa questão é complexa, e não temos como apresentar
respostas definitivas, mas apenas propor
questionamentos, suspendendo julgamentos precipitados.
Isso é fundamental para tentar manter a neutralidade e
evitar adesão automática a qualquer dos lados. Assim,
não devemos ser ingênuos a ponto de acreditar em tudo
sem o devido crivo da razão. Nesse sentido, seguem
alguns pontos frequentemente questionados, acompanhados
de links para averiguação:
1 —
A ida à Lua na década de 1960, seguida do abandono do
programa e da alegada perda de parte da tecnologia
utilizada. Como compreender o longo intervalo sem novas
missões tripuladas? LINK
1
2 —
A ausência de estrelas nas gravações da época. Como
explicar que as imagens feitas na Lua não mostrem
estrelas ao fundo? LINK
2
3 —
O relato de astronautas afirmando não terem visto
estrelas da superfície lunar. LINK
3
4 —
A filmagem da decolagem do módulo lunar e do retorno à
Terra. Quem teria realizado tais imagens? Como as
câmeras foram recuperadas?
LINK 4
5 —
O telefonema do presidente norte-americano ao módulo
lunar. Haveria, em 1969, tecnologia suficiente para tal
comunicação? LINK
5
6 —
A perda das gravações originais de backup da missão
Apollo 11. Como as gravações mais importantes da época
puderam desaparecer? LINK
6
7 —
A postura considerada estranha dos astronautas durante
entrevista concedida após o retorno à Terra. A linguagem
corporal indicaria algum desconforto? LINK
7 e LINK
7A
8 —
A recusa dos astronautas em jurar sobre a Bíblia que
estiveram na Lua. Por que se negariam a realizar algo
aparentemente simples? LINK
8
9 —
Os supostos falsos presentes de rochas lunares
distribuídos pelos Estados Unidos.
LINK 9
10
— A relação dos astronautas com Hollywood. Não seria
mais apropriado um reconhecimento científico, como um
Prêmio Nobel, em vez de homenagens ligadas ao
entretenimento? LINK
10
Os
dez pontos anteriores exploram algumas das “fumaças” que
cercam a questão, sem, contudo, esgotá-la. Não temos
como oferecer respostas definitivas, mas apenas acender
o alerta para que permaneçamos atentos. Se realmente
chegamos à Lua, que os fatos e eventos considerados
contraditórios sejam devidamente explicados. Ou, então,
que aprendamos a estar mais atentos às “pegadinhas” do
mundo.
A
fé raciocinada representa nossa luz interior, nossa
capacidade de não assumir nada automaticamente como
verdade absoluta (taken for granted), para que
possamos ser protagonistas na evolução do conhecimento e
da inteligência que nos aproximam de Deus.
________________
¹ O
Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX — “A fé
religiosa. Condição da fé inabalável”.
²
Valdebenito, C. (2007). Definiendo Homo
sapiens-sapiens: aproximación antropológica. Acta
Bioethica, v. 13, n. 1.