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por Paulo Hayashi Jr.

 

A Lua e a fé raciocinada


Todo bom pesquisador deve manter-se atento ao ambiente e às informações disponíveis, colhendo pistas para a construção da verdade. De certo modo, todo bom espírita deve agir como um pesquisador-detetive, buscando não a fé cega, mas mantendo uma visão crítica, para que a fé raciocinada seja a luz a iluminar o caminho¹. Por meio da fé raciocinada, o indivíduo desenvolve pensamentos mais complexos e legítimos sobre situações ambíguas e confusas, sem se distanciar de Deus e de seus ensinamentos codificados, por exemplo, em O Livro dos Espíritos.

Entretanto, sabemos, pelos ensinamentos bíblicos e também pelo capítulo 3 de O Evangelho segundo o Espiritismo, que o planeta Terra não está entre os mais evoluídos. Pelo contrário: estamos saindo de um mundo de provas e expiações, cujo príncipe nada tem a ver com Jesus Cristo (“Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em mim” — João 14:30). Ou seja, é preciso cautela e espírito investigativo, mesmo diante de fatos aparentemente consolidados.

Dentro do movimento espírita, talvez um dos grandes acontecimentos associados à mudança planetária seja a chegada do homem à Lua. Entretanto, fora do movimento espírita, o assunto ainda suscita questionamentos, com argumentações tanto favoráveis quanto contrárias.

Passaremos a analisar alguns desses pontos, mas sem julgamentos definitivos, apenas buscando informações como autênticos detetives que procuram provas e que, diante de um quebra-cabeça incompleto, ainda não dispõem de todas as peças necessárias para alcançar a verdade. Isso, pelo menos, nos coloca no caminho do questionamento, da dúvida e da curiosidade, verdadeiros motores da aprendizagem.

Essas indagações baseiam-se em contradições, fatos e eventos considerados estranhos por alguns estudiosos e curiosos acerca daquele que talvez tenha sido o principal evento do avanço científico no século XX. Desde tempos imemoriais, o ser humano sonha com as estrelas e com a Lua. Na versão mais atual da espécie humana, o Homo sapiens sapiens, surgido há cerca de 100 a 120 mil anos (Valdebenito, 2007)², sem contar as versões anteriores da humanidade, ir à Lua e caminhar sobre esse astro noturno que muda a cada semana certamente alimentou muitos sonhos e esforços individuais e coletivos.

Entretanto, isso mudou em 20 de julho de 1969, quando a missão Apollo 11, da NASA, registrou que o astronauta Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a caminhar na superfície lunar, seguido por Buzz Aldrin. Contudo, o que aconteceu depois deixou algumas mentes estarrecidas, fazendo surgir versões conspiratórias, já que, segundo o dito popular, “onde há fumaça, há fogo”.

Não é de hoje que se questiona se houve, de fato, o pouso lunar ou se tudo não teria sido apenas uma “propaganda” destinada a ludibriar uma grande plateia. Entretanto, essa questão é complexa, e não temos como apresentar respostas definitivas, mas apenas propor questionamentos, suspendendo julgamentos precipitados. Isso é fundamental para tentar manter a neutralidade e evitar adesão automática a qualquer dos lados. Assim, não devemos ser ingênuos a ponto de acreditar em tudo sem o devido crivo da razão. Nesse sentido, seguem alguns pontos frequentemente questionados, acompanhados de links para averiguação:

1 — A ida à Lua na década de 1960, seguida do abandono do programa e da alegada perda de parte da tecnologia utilizada. Como compreender o longo intervalo sem novas missões tripuladas? LINK 1

2 — A ausência de estrelas nas gravações da época. Como explicar que as imagens feitas na Lua não mostrem estrelas ao fundo? LINK 2

3 — O relato de astronautas afirmando não terem visto estrelas da superfície lunar. LINK 3

4 — A filmagem da decolagem do módulo lunar e do retorno à Terra. Quem teria realizado tais imagens? Como as câmeras foram recuperadas?
LINK 4

5 — O telefonema do presidente norte-americano ao módulo lunar. Haveria, em 1969, tecnologia suficiente para tal comunicação? LINK 5

6 — A perda das gravações originais de backup da missão Apollo 11. Como as gravações mais importantes da época puderam desaparecer? LINK 6

7 — A postura considerada estranha dos astronautas durante entrevista concedida após o retorno à Terra. A linguagem corporal indicaria algum desconforto? LINK 7 e LINK 7A

8 — A recusa dos astronautas em jurar sobre a Bíblia que estiveram na Lua. Por que se negariam a realizar algo aparentemente simples? LINK 8

9 — Os supostos falsos presentes de rochas lunares distribuídos pelos Estados Unidos.
LINK 9

10 — A relação dos astronautas com Hollywood. Não seria mais apropriado um reconhecimento científico, como um Prêmio Nobel, em vez de homenagens ligadas ao entretenimento? LINK 10

Os dez pontos anteriores exploram algumas das “fumaças” que cercam a questão, sem, contudo, esgotá-la. Não temos como oferecer respostas definitivas, mas apenas acender o alerta para que permaneçamos atentos. Se realmente chegamos à Lua, que os fatos e eventos considerados contraditórios sejam devidamente explicados. Ou, então, que aprendamos a estar mais atentos às “pegadinhas” do mundo.

A fé raciocinada representa nossa luz interior, nossa capacidade de não assumir nada automaticamente como verdade absoluta (taken for granted), para que possamos ser protagonistas na evolução do conhecimento e da inteligência que nos aproximam de Deus.

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¹ O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX — “A fé religiosa. Condição da fé inabalável”.

² Valdebenito, C. (2007). Definiendo Homo sapiens-sapiens: aproximación antropológicaActa Bioethica, v. 13, n. 1.

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita