Um minuto
com Chico Xavier

por Regina Stella Spagnuolo

   

Narrou-nos, certa vez, Sr. Euclides, um grande amigo e fiel trabalhador do Espiritismo, diante de seus mais de noventa anos, uma história que muito nos comoveu. Trata-se do casamento de um sobrinho seu, de uma cidade do interior de Minas Gerais. Ele, espírita, atuante, orador... Ela, católica, atuante, evangelizadora. Fizeram um acordo: nenhum imporia a sua religiosidade ao outro nem impediria as realizações das tarefas de que deveriam se desincumbir. E assim se deu, em perfeito respeito mútuo.

Chegavam as datas religiosas católicas. Ela pedia para ir até Aparecida, e ele a levava fraternalmente, sem nenhum constrangimento. Sentia ele vontade de visitar os trabalhos de Chico Xavier, em Uberaba; ela o acompanhava sem nenhum questionamento.

E foi em uma dessas visitas, quando estavam na periferia da cidade, participando do trabalho de assistência social que o médium mineiro ali realizava havia anos, junto às famílias mais carentes, levando o agasalho, o alimento e, algumas vezes, alguma ajuda monetária, que se deu o fato que ele nos contou.

No final da tarde, quando se aproximava a hora de partirem, o marido espírita surpreendeu-se ao ver sua esposa, católica e pregadora, conversando tranquilamente com Chico. Assim que ela voltou daquele encontro, ele perguntou sobre o que falavam. Ela, pedagoga, estudiosa e sempre interessada em aprender mais, disse ter-se aproximado do médium para perguntar como podiam trabalhar daquela forma, com tanta gente — mais de quinhentas pessoas, fora os que vinham de fora só para conhecer o trabalho. Como era feita a organização naquele espaço simples, num terreno baldio, a céu aberto? Como mantinham aquelas pessoas ali?

Chico respondeu:

“Nós não organizamos nada, minha irmã; é a fome, é a necessidade que organiza tudo.”

Então, ela voltou a questionar:

“E essa moedinha que vejo você tirar do bolso do paletó para dar a alguns mais pobres, de que adianta isso?”

E ouviu do dedicado servidor:

“É o amor, minha irmã. Aqui, eles sabem que são amados. Não dar as costas àqueles que nos pedem é uma dádiva dos ensinos de nosso Senhor.”

Então, Euclides, emocionado, voltou os olhos para longe, como quem recorda um passado de luz, e nos disse, num tom de exclamação, para concluir aquele caso:

“Hoje ela é uma pregadora espírita.”

 

Relato de José Antônio Vieira de Paula, publicado no jornal “O Imortal”.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita