O
trabalho
assistencial
Tão logo o
neófito nas
lides espíritas
compreende o
alcance da
legenda “Fora da
caridade não há
salvação”,
norteando o
movimento
espírita, surge
intimamente o
desejo de viver
intensamente as
muitas
possibilidades
da caridade, em
todos os seus
aspectos e
alcance.
As variadas
atividades
doutrinárias lhe
atraem e possuem
o poder de
satisfazê-lo,
mas, consigo
mesmo, percebe
faltar algo para
completar a sua
expectativa de
contribuir na
divulgação do
Espiritismo, não
apenas pelas
variadas
atividades nas
casas espíritas;
sente ser
necessário
interagir com
mais intimidade
com as tantas e
aparentemente
infindáveis
necessidades do
povo.
Afinal, ele
deseja e busca a
salvação, já
sabe aplicar os
conceitos da
caridade moral
durante o seu
cotidiano, mas
aprende com os
estudos
evangélicos que
a paixão do
Cristo era o
povo, conforme
também entendeu
e agiu Chico
Xavier,
interagindo com
milhares de
pessoas que o
procuraram
durante a sua
profícua
existência.
Já percorreu,
avidamente, com
seus olhos, os
textos do
capítulo XV de O
Evangelho
segundo o
Espiritismo e
se conscientizou
de que precisa
fazer além do
que já faz:
viver um pouco
do dia a dia dos
necessitados,
talvez fora da
instituição, nas
muitas vertentes
da área da
caridade
material.
São tantas bocas
famintas, são
tantos
desabrigados,
são tantas
crianças
sozinhas... Uma
triste realidade
em um planeta
ainda governado
quase
exclusivamente
pelo mais puro e
cruel egoísmo.
Esta praga que,
não satisfeita
com as mazelas
que espalha,
ainda faz surgir
o orgulho, tão
prejudicial à
imensa população
deste orbe de
provas e
expiações.
Compreende, por
outro lado, não
haver injustiças
e, por
consequência,
injustiçados
pelas leis
divinas, muito
menos desleixo
dos luminares
encarregados de
cuidar
amorosamente
deste planeta.
Mesmo assim,
embora ciente de
não existir
sofrimento por
acaso, possui o
desejo de
minorar as
aflições
alheias, mesmo
com o pouco que
puder oferecer.
Sabe que o que
vai dividir em
termos de
recursos
materiais não
vai estancar
definitivamente
as necessidades
dos que padecem
tantas agruras,
mas poderá
sentir, mesmo
palidamente, o
que sentiu o
Cristo quando,
sem cessar,
escutava e
participava dos
muitos dilemas e
infortúnios
daqueles com
quem esteve há
dois mil anos.
Sim, pensa
consigo mesmo:
eu quero, eu
posso, eu
preciso!
Se a instituição
espírita de sua
preferência
ainda não
oferecer uma
possibilidade
como essa,
procura alguma
atividade já
estabelecida,
apresenta-se e
inicia sua
tarefa social na
área escolhida.
No começo,
embora ainda
aprendiz deste
tipo de
caridade,
envolve-se com
afinco, pois
percebe, agora
com outros
olhos, o que é a
fome ao ofertar
um prato de sopa
àqueles famintos
que se
encontravam
distantes dele,
mas agora estão
ao seu lado.
Feliz e
realizado, deixa
o trabalho ao
fim do dia para
retornar à sua
residência, mas
sua cabeça
fervilha com os
olhares de
agradecimento
dos que pôde
saciar a fome,
pelo menos
temporariamente.
Sabe que a fome
não tem hora
marcada para
surgir e não se
extingue com
apenas um prato
de sopa.
Adormece já
pensando em
outro dia,
quando de novo
poderá sentir,
mais uma vez, as
alegrias
proporcionadas
pela caridade
material.
Caso o centro
espírita possua
atividades nessa
área, tanto
melhor; basta
integrar-se ao
grupo, observar
como é feito o
trabalho e
seguir em
frente, seja: na
costura para as
roupinhas das
crianças que
ainda não
surgiram no
mundo, mas estão
a caminho,
desenvolvendo-se
nos corpos das
futuras mães; na
organização e
distribuição de
cestas de
alimentos para
os assistidos,
minorando as
dificuldades da
família;
visitando
instituições
beneméritas que
abrigam órfãos,
idosos ou
doentes;
buscando
instituições
espíritas que
atendem
perturbados da
mediunidade, os
quais
desconhecem a
causa básica de
suas visões,
alucinações,
tremores,
insônias e
medos; na
atividade do
bazar da
pechincha,
relativamente
comum em centros
espíritas... Há
um campo imenso
de trabalho,
pois, na Terra,
estamos quase
todos incluídos
na terceira
ordem da escala
espírita.
Entretanto, como
em qualquer
atividade em
grupo, onde
interagem
Espíritos com
diversas visões
de vida, seja no
âmbito espírita
ou fora dele,
logo surgem
rusgas e
atritos, pois o
irrestrito
cumprimento do
dever ainda é
raro nesta
morada do Pai e,
quando as
pessoas esquecem
de fazer ao
próximo aquilo
que gostariam
que lhes fosse
feito, as muitas
dificuldades do
cotidiano surgem
naturalmente e
em quantidade,
umas mais
graves, outras
nem tanto.
A partir deste
momento, e com o
passar do tempo,
aquele
entusiasmo
inicial pode
começar a
esmaecer.
Afinal, lidar
com o povo não é
tarefa para
qualquer um,
ainda mais
quando há opção
religiosa
diversa entre
aqueles que
surgem em busca
do sopão.
O trabalho
assistencial,
invariavelmente,
pede: paciência,
compreensão,
tolerância,
mente aberta,
humildade, fé...
Virtudes-desafios
não tão
presentes nesta
parcela da
Humanidade
universal. Ao
contrário, ainda
temos muito a
corrigir na
forma como vemos
as pessoas e o
mundo em que
vivemos.
Questão grave
que precisa ser
lembrada é a de
conduzir o
trabalho social
na casa espírita
com base no
Espiritismo;
nada de
escrúpulos
inexistentes de
que não se possa
falar de
Doutrina
Espírita para
crentes de
outras religiões
participantes da
atividade, pois
isso seria uma
violência
religiosa,
afirmam alguns
desavisados.
Exposições, se
houver, devem
tratar de
Espiritismo,
mesmo que os
atendidos não
sigam a nossa
fé. Assistência
social sem
Espiritismo
ocorre nas
muitas ONGs do
país e, afinal,
espera-se algo
mais dos
espíritas.