Especial

por Martha Triandafelides Capelotto

Amor e sofrimento


E antes de todas as coisas, tende entre vós mesmos mutuamente uma constante caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados. (1ª Epístola de Pedro, 4:8.)


Estas palavras de autoria de Pedro, o apóstolo, levam-nos a profundas reflexões a respeito de amor e sofrimento.

A dor, que se traduz como consequência de nossos atos equivocados perante o nosso existir, acaba trazendo um resultado benéfico para aqueles que a entendem como educadora do nosso espírito, no sentido de promover o nosso despertamento para o amor. Sofrer por sofrer não significa crescimento e evolução, quando não somos capazes de proceder a uma análise para descobrirmos a razão da mesma.

Todas as dificuldades que enfrentamos são desafios para que aprendamos a tomar decisões e a encontrar soluções, fortalecendo o nosso espírito e, assim, tornando-nos mais seguros. Quaisquer que sejam os fatos ou situações que vivenciamos, são todos eles “recados” da vida para o nosso engrandecimento espiritual. Assim, não devemos culpar o mundo ou as pessoas, nem tampouco nos justificar inventando desculpas para as nossas dores; precisamos, sim, ampliar a nossa visão, utilizando o discernimento para avaliar o porquê daquela situação e transformá-la em aprendizagem.

Se, por um lado, podemos transformar a nossa vida, compreendendo a razão da dor, por outro, temos o processo de vitimização que nos encarcera no cipoal da dor e passamos a agir como pobres criaturas desvalidas da sorte, do amparo, fazendo da existência um verdadeiro tormento.

A “vítima” não quer ver a realidade, os limites humanos, e acaba, por ignorância ou talvez por ausência de certa dose de flexibilidade, vestindo o manto da infelicidade.

Quantas e quantas vezes não agimos com esse perfil?

As criaturas mais abertas conseguem fazer novas “leituras de mundo” e reavaliam ideias e ideais, sempre que se encontram diante de novos fatos ou acontecimentos. Para isso, podemos utilizar uma regra de ouro: jamais a imobilização no tempo e nunca fechar as “cortinas da janela” da alma, que nos levarão a uma vida vazia de experiências.

Desse modo, os fatos e acontecimentos, por si sós, não nos criam felicidade ou desprazer. Tudo se resume na nossa forma de ver ou no modo como reagimos a eles.

Sofrer, sem consciência das verdadeiras raízes que geram o tormento, é prisão num ciclo perverso e destrutivo. Porém, percebendo o porquê das nossas dores, nos sentiremos mais equilibrados, passando a usufruir a alegria que provém do reconhecimento do que é preciso mudar em nós mesmos.

Assim, perante a amargura, devemos indagar:

Que mensagem oculta a vida está me enviando através da dor?

Quais são os atos ou atitudes que me levam a esses acontecimentos negativos?

Como transformar esses fardos em crescimento interior?

Feito isso, acrescentemos e assimilemos uma orientação segura de um Espírito Superior: “A Sabedoria Perfeita não nos cobra nem nos pune; quer apenas que aprendamos a amar. Ela nos exercita, habilita e instrui para o amor. Para crescer, não precisamos fazer culto ao sofrimento, mas ficar atentos às crenças, comportamentos e valores que nos trazem alegria e bem-estar, ou infelicidade e desgosto”.

Somente seremos felizes quando conseguirmos entender a nossa primordial missão terrena: fomos criados para amar e ser amados. Pode ser que, em muitas ocasiões, não possamos escolher as situações e ocorrências externas de nossa vida, mas, com certeza, sempre poderemos optar pela única maneira sensata de enfrentá-las – com amor.
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita