E antes de todas as coisas, tende entre vós mesmos
mutuamente uma constante caridade, porque a caridade
cobre a multidão dos pecados. (1ª
Epístola de Pedro, 4:8.)
Estas palavras de autoria de Pedro, o apóstolo,
levam-nos a profundas reflexões a respeito de amor e
sofrimento.
A dor, que se traduz como consequência de nossos atos
equivocados perante o nosso existir, acaba trazendo um
resultado benéfico para aqueles que a entendem como
educadora do nosso espírito, no sentido de promover o
nosso despertamento para o amor. Sofrer por sofrer não
significa crescimento e evolução, quando não somos
capazes de proceder a uma análise para descobrirmos a
razão da mesma.
Todas as dificuldades que enfrentamos são desafios para
que aprendamos a tomar decisões e a encontrar soluções,
fortalecendo o nosso espírito e, assim, tornando-nos
mais seguros. Quaisquer que sejam os fatos ou situações
que vivenciamos, são todos eles “recados” da vida para o
nosso engrandecimento espiritual. Assim, não devemos
culpar o mundo ou as pessoas, nem tampouco nos
justificar inventando desculpas para as nossas dores;
precisamos, sim, ampliar a nossa visão, utilizando o
discernimento para avaliar o porquê daquela situação e
transformá-la em aprendizagem.
Se, por um lado, podemos transformar a nossa vida,
compreendendo a razão da dor, por outro, temos o
processo de vitimização que nos encarcera no cipoal da
dor e passamos a agir como pobres criaturas desvalidas
da sorte, do amparo, fazendo da existência um verdadeiro
tormento.
A “vítima” não quer ver a realidade, os limites humanos,
e acaba, por ignorância ou talvez por ausência de certa
dose de flexibilidade, vestindo o manto da infelicidade.
Quantas e quantas vezes não agimos com esse perfil?
As criaturas mais abertas conseguem fazer novas
“leituras de mundo” e reavaliam ideias e ideais, sempre
que se encontram diante de novos fatos ou
acontecimentos. Para isso, podemos utilizar uma regra de
ouro: jamais a imobilização no tempo e nunca fechar as
“cortinas da janela” da alma, que nos levarão a uma vida
vazia de experiências.
Desse modo, os fatos e acontecimentos, por si sós, não
nos criam felicidade ou desprazer. Tudo se resume na
nossa forma de ver ou no modo como reagimos a eles.
Sofrer, sem consciência das verdadeiras raízes que geram
o tormento, é prisão num ciclo perverso e destrutivo.
Porém, percebendo o porquê das nossas dores, nos
sentiremos mais equilibrados, passando a usufruir a
alegria que provém do reconhecimento do que é preciso
mudar em nós mesmos.
Assim, perante a amargura, devemos indagar:
Que mensagem oculta a vida está me enviando através da
dor?
Quais são os atos ou atitudes que me levam a esses
acontecimentos negativos?
Como transformar esses fardos em crescimento interior?
Feito isso, acrescentemos e assimilemos uma orientação
segura de um Espírito Superior: “A Sabedoria Perfeita
não nos cobra nem nos pune; quer apenas que aprendamos a
amar. Ela nos exercita, habilita e instrui para o amor.
Para crescer, não precisamos fazer culto ao sofrimento,
mas ficar atentos às crenças, comportamentos e valores
que nos trazem alegria e bem-estar, ou infelicidade e
desgosto”.
Somente seremos felizes quando conseguirmos entender a
nossa primordial missão terrena: fomos criados para amar
e ser amados. Pode ser que, em muitas ocasiões, não
possamos escolher as situações e ocorrências externas de
nossa vida, mas, com certeza, sempre poderemos optar
pela única maneira sensata de enfrentá-las – com amor.