Conviver com um animal doméstico faz
muito bem à criança
É preciso sofrer
depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de
ter amado. João
Guimarães Rosa
Dar e receber amor também se aprende no convívio com os
animais. Um gato em casa, certamente, ensina afeto e
empatia à criança.
Com meus animais de estimação — gatos, cachorros,
cavalos e galinhas — aprendi muito sobre amor, espírito
de equipe e lealdade. Tudo isso acompanhou de perto meu
desenvolvimento, minha relação com o outro e meus
recursos ligados à resiliência; disso não tenho dúvida.
Em um mundo tão permeado pela desatenção, pelo
consumismo e pelas banalidades, partilhar o cotidiano
com um animal de estimação ajuda a criança a exercitar o
cuidado com o outro, desenvolvendo atenção,
responsabilidade, fidelidade, presença e compromisso.
A convivência com meus animais trouxe-me muito,
favorecendo minha formação emocional e, ainda, minhas
experiências com a ética. Afinal, devemos ser
responsáveis por aqueles que amamos e que dependem de
nós.
Hoje, adulta, continuo tendo meus bichos em casa. Minhas
filhas também cresceram cercadas de cachorros e gatos.
Aprenderam a cuidar, zelar e compreender que o amor
envolve atenção, atitude e decisão.
Considero, ainda, que todo aquele que tem a oportunidade
de partilhar a rotina com um animal doméstico torna-se
menos suscetível a quadros depressivos, pois a alegria é
inerente a quem observa um gatinho correr atrás de uma
bolinha de papel no tapete da sala ou um cachorro
saltitar na grama da pracinha, agradecido pelo passeio
matinal.
E você? Tem gato ou cachorro? Seu filho pequeno tem a
felicidade de conviver com um animal amoroso e leal?
Notinhas
O vínculo entre a criança e o cachorro, por exemplo,
reduz os níveis de estresse porque, durante a
convivência, há liberação de ocitocina — o “hormônio do
amor” —, associado a emoções positivas, como prazer,
confiança e empatia. Trata-se do mesmo hormônio
envolvido no desenvolvimento do vínculo entre mãe e
filho.
Dividir a rotina com um animal de estimação é benéfico
não apenas para as crianças. Adultos e idosos que têm
pets em casa também apresentam melhores respostas
fisiológicas ao estresse, incluindo redução da
frequência cardíaca e da reatividade cardiovascular.