O balão que queria voar
Na terra dos balões existia um que vivia preso ao solo
e, por isso mesmo, era muito triste. Contemplava os
companheiros de cores viçosas a desfilar entre as nuvens
e a fugir dos pássaros que se direcionavam contra eles.
Como desejava também, um dia, poder cortar os ares em
aventuras mil, como os seus iguais!
Começou a meditar nos motivos que o impediam de se
elevar às alturas e ser feliz.
Com muita coragem e sinceridade, descobriu que os pesos
que transportava eram o motivo da sua impossibilidade de
subir.
Resoluto, começou a retirá-los aos poucos, um por um, e
percebeu que já atingia pequena altura.
Prosseguiu em seus planos e, cada vez mais, ganhava
altura, até o dia em que, enfim, se elevou entre os
companheiros e seus folguedos.
Por acaso você também é como esse balão que não consegue
ganhar alguma altura no sentido moral e espiritual da
existência para ser feliz?
Por exemplo: anseia, ao desencarnar, ir para a segurança
da cidade espiritual Nosso Lar?
E o que o está impedindo?
Seriam, assim como no balão da história, alguns pesos a
mais na consciência, travando o seu anseio?
Mas você está disposto, a exemplo do balão, a encontrar
a causa — ou as causas — e eliminá-las, para que possa
ascender espiritualmente?
Vou trazer uma página de Emmanuel, contida no livro Janela
para a Vida, psicografado pelo saudoso e abençoado
Chico Xavier, que se elevou a alturas sequer imaginadas
por nós, já que foi recebido pelo próprio Jesus, como
nos revelou Divaldo Franco através de Joanna de Ângelis.
Vamos lá. O roteiro não é fácil, mas é seguro.
“Se já acordaste para as realidades do Espírito, medita
nas oportunidades de elevação que te felicitam na Terra,
a fim de aproveitá-las.”
Vemos, nesse primeiro parágrafo, que estamos no lugar
certo para conseguir o nosso objetivo de alçar voos para
regiões espirituais melhores. Muitas pessoas protestam
por estarem reencarnadas num planeta de provas e
expiações, mas, segundo Emmanuel, o lugar certo é aqui
mesmo. O problema começa nas últimas palavras do
parágrafo: estamos, de fato, dispostos a aproveitar as
oportunidades?
Mas vamos prosseguir com Emmanuel:
“Pensa, primeiro, na estreiteza do tempo que desfrutas e
observa, em teu próprio campo de ação, as tuas imensas
possibilidades de servir.”
Aqui surgem outros obstáculos a serem vencidos, que são
dois: a estreiteza do tempo e o desejo de servir.
Como vivemos anunciando, por mais que se viva no corpo,
tudo passa muito rápido. O que são oitenta ou noventa
anos, que se escoam como um sopro de vento?
O outro problema é o desejo de servir, e não de ser
servido. Você acha que queremos realmente servir ao
mundo, como fizeram Jesus, Chico Xavier, Divaldo Franco,
Madre Teresa e Irmã Dulce, ou estamos na busca de sermos
servidos?
Passemos a outro trecho de Emmanuel sobre o roteiro
seguro para nossa ascensão espiritual:
“Se deténs o supérfluo, recorda que a vida te chama,
buscando ensinar-te a difícil ciência de administrar e
distribuir com justiça e discernimento.”
Obviamente, o dinheiro honestamente ganho não é, de
maneira nenhuma, condenável. A passagem do camelo pelo
fundo de uma agulha já foi sobejamente esclarecida pela
Doutrina Espírita. Não cabe aos espíritas valer-se dela
de maneira equivocada.
Podemos transformar o supérfluo honestamente conquistado
em um meio de grandes recursos para amparar tantos que
não dispõem nem do necessário. É uma questão de sair do
egoísmo.
Recentemente, uma médium que desencarnou próximo aos cem
anos de idade e que havia nascido em família abastada
utilizou os recursos financeiros de que dispunha para
divulgar a Doutrina a todos os que desejassem
conhecê-la. Fica o exemplo de que o dinheiro abundante,
ganho de forma honesta, não impede o Espírito que rompeu
os limites do egoísmo de agir no campo do bem ao
próximo.
Avancemos com as lições de Emmanuel:
“Se atravessas as provações da carência, é que as
circunstâncias te compelem a trabalho árduo, de modo a
superá-las, educando a própria vontade para que consigas
operar, futuramente, na edificação do porvir de
felicidade e abastança que te propões atingir.”
Sabemos que o Espírito imortal alterna as condições de
existência nas reencarnações a que se submete e, por
certo, experimentará, em algumas delas, provações
ligadas aos poucos recursos financeiros. Isso o
convidará a uma conduta de luta e aceitação, compatível
com a condição do ser imortal que deseja evoluir,
experimentando as agruras da escassez, mas mantendo-se
nos procedimentos de uma vida honesta e na aceitação das
lições recebidas nessas experiências.
Prossegue Emmanuel:
“Se te encontras num corpo doente, é preciso lembrar que
os princípios da vida te permitem treinar paciência e
disciplina, coragem e esperança, em teu próprio
proveito.”
Creio que a figura de Jerônimo Mendonça, o “Gigante
Deitado”, foi um belo exemplo dessa afirmativa de
Emmanuel. Mergulhado, em sua última reencarnação, em um
corpo que experimentou enormes limitações, oferecendo ao
Espírito a oportunidade de refazimento perante a própria
consciência, Jerônimo foi aprovado com louvor pelo
estado de ânimo inabalável, deixando-nos lições variadas
e inesquecíveis, sobretudo nos exemplos de aceitação da
colheita decorrente de semeadura incompatível com as
leis soberanas do Universo.
Mas Emmanuel não para por aí:
“Se te vês em meio de familiares e companheiros
difíceis, eis-te no cotidiano com as pessoas certas, com
as quais necessitas adquirir tolerância e compreensão.”
Creio estar aí uma grande pedra de tropeço para a
maioria dos que transitam pela experiência física.
Desejaríamos um lar onde todos nos compreendessem, sem o
compromisso de termos de compreender ninguém.
Protestamos, criticamos, revoltamo-nos pela presença de
companheiros da jornada evolutiva tão próximos de nós,
esquecendo-nos de que, se o amor vincula para sempre os
Espíritos, o ódio não sanado também mantém essa conexão,
enquanto não extinto, programando-nos novos reencontros,
de acordo com o alerta de Jesus de que melhor seria
reconciliarmo-nos com o inimigo enquanto estivéssemos em
marcha com ele.
E Emmanuel continua:
“Diante dessa ou daquela ofensa, reconhecer-te-ás na
época adequada de exercitar perdão e entendimento.”
Parece-me que esse ensinamento tem muito a ver com o
anterior, quando ele aborda as dificuldades dentro do
lar — e, obviamente, também fora dele. Não faltam
oportunidades, nesta fase atual do planeta, para o
exercício do perdão. Não daquele perdão apenas anunciado
ou enunciado, mas do perdão em que possamos oferecer a
outra face, até o dia em que não mais sejamos ofendidos
— não porque alguém tenha desistido desse objetivo, mas
porque aprendemos a praticar a caridade como a entendia
Jesus.
Em suas últimas considerações nessa página, Emmanuel nos
lembra de que a presença no Plano Físico significa
internação em escola edificante, onde temos
oportunidades de, sendo bons alunos, galgarmos mais um
degrau em direção à perfeição para a qual fomos criados.
Concluindo, Emmanuel arremata que a solução dos nossos
problemas está, irreversivelmente, em nós mesmos. Por
isso, não titubeamos em afirmar que, se você também
deseja voar como o balão da história, é necessário
eliminar o peso das muitas imperfeições originadas no
orgulho, no egoísmo e na vaidade que ainda nos
caracterizam.
Vamos levantar voo em nosso balão?
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