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por Ricardo Orestes Forni

 

O balão que queria voar


Na terra dos balões existia um que vivia preso ao solo e, por isso mesmo, era muito triste. Contemplava os companheiros de cores viçosas a desfilar entre as nuvens e a fugir dos pássaros que se direcionavam contra eles.

Como desejava também, um dia, poder cortar os ares em aventuras mil, como os seus iguais!

Começou a meditar nos motivos que o impediam de se elevar às alturas e ser feliz.

Com muita coragem e sinceridade, descobriu que os pesos que transportava eram o motivo da sua impossibilidade de subir.

Resoluto, começou a retirá-los aos poucos, um por um, e percebeu que já atingia pequena altura.

Prosseguiu em seus planos e, cada vez mais, ganhava altura, até o dia em que, enfim, se elevou entre os companheiros e seus folguedos.

Por acaso você também é como esse balão que não consegue ganhar alguma altura no sentido moral e espiritual da existência para ser feliz?

Por exemplo: anseia, ao desencarnar, ir para a segurança da cidade espiritual Nosso Lar?

E o que o está impedindo?

Seriam, assim como no balão da história, alguns pesos a mais na consciência, travando o seu anseio?

Mas você está disposto, a exemplo do balão, a encontrar a causa — ou as causas — e eliminá-las, para que possa ascender espiritualmente?

Vou trazer uma página de Emmanuel, contida no livro Janela para a Vida, psicografado pelo saudoso e abençoado Chico Xavier, que se elevou a alturas sequer imaginadas por nós, já que foi recebido pelo próprio Jesus, como nos revelou Divaldo Franco através de Joanna de Ângelis.

Vamos lá. O roteiro não é fácil, mas é seguro.

“Se já acordaste para as realidades do Espírito, medita nas oportunidades de elevação que te felicitam na Terra, a fim de aproveitá-las.”

Vemos, nesse primeiro parágrafo, que estamos no lugar certo para conseguir o nosso objetivo de alçar voos para regiões espirituais melhores. Muitas pessoas protestam por estarem reencarnadas num planeta de provas e expiações, mas, segundo Emmanuel, o lugar certo é aqui mesmo. O problema começa nas últimas palavras do parágrafo: estamos, de fato, dispostos a aproveitar as oportunidades?

Mas vamos prosseguir com Emmanuel:

“Pensa, primeiro, na estreiteza do tempo que desfrutas e observa, em teu próprio campo de ação, as tuas imensas possibilidades de servir.”

Aqui surgem outros obstáculos a serem vencidos, que são dois: a estreiteza do tempo e o desejo de servir.

Como vivemos anunciando, por mais que se viva no corpo, tudo passa muito rápido. O que são oitenta ou noventa anos, que se escoam como um sopro de vento?

O outro problema é o desejo de servir, e não de ser servido. Você acha que queremos realmente servir ao mundo, como fizeram Jesus, Chico Xavier, Divaldo Franco, Madre Teresa e Irmã Dulce, ou estamos na busca de sermos servidos?

Passemos a outro trecho de Emmanuel sobre o roteiro seguro para nossa ascensão espiritual:

“Se deténs o supérfluo, recorda que a vida te chama, buscando ensinar-te a difícil ciência de administrar e distribuir com justiça e discernimento.”

Obviamente, o dinheiro honestamente ganho não é, de maneira nenhuma, condenável. A passagem do camelo pelo fundo de uma agulha já foi sobejamente esclarecida pela Doutrina Espírita. Não cabe aos espíritas valer-se dela de maneira equivocada.

Podemos transformar o supérfluo honestamente conquistado em um meio de grandes recursos para amparar tantos que não dispõem nem do necessário. É uma questão de sair do egoísmo.

Recentemente, uma médium que desencarnou próximo aos cem anos de idade e que havia nascido em família abastada utilizou os recursos financeiros de que dispunha para divulgar a Doutrina a todos os que desejassem conhecê-la. Fica o exemplo de que o dinheiro abundante, ganho de forma honesta, não impede o Espírito que rompeu os limites do egoísmo de agir no campo do bem ao próximo.

Avancemos com as lições de Emmanuel:

“Se atravessas as provações da carência, é que as circunstâncias te compelem a trabalho árduo, de modo a superá-las, educando a própria vontade para que consigas operar, futuramente, na edificação do porvir de felicidade e abastança que te propões atingir.”

Sabemos que o Espírito imortal alterna as condições de existência nas reencarnações a que se submete e, por certo, experimentará, em algumas delas, provações ligadas aos poucos recursos financeiros. Isso o convidará a uma conduta de luta e aceitação, compatível com a condição do ser imortal que deseja evoluir, experimentando as agruras da escassez, mas mantendo-se nos procedimentos de uma vida honesta e na aceitação das lições recebidas nessas experiências.

Prossegue Emmanuel:

“Se te encontras num corpo doente, é preciso lembrar que os princípios da vida te permitem treinar paciência e disciplina, coragem e esperança, em teu próprio proveito.”

Creio que a figura de Jerônimo Mendonça, o “Gigante Deitado”, foi um belo exemplo dessa afirmativa de Emmanuel. Mergulhado, em sua última reencarnação, em um corpo que experimentou enormes limitações, oferecendo ao Espírito a oportunidade de refazimento perante a própria consciência, Jerônimo foi aprovado com louvor pelo estado de ânimo inabalável, deixando-nos lições variadas e inesquecíveis, sobretudo nos exemplos de aceitação da colheita decorrente de semeadura incompatível com as leis soberanas do Universo.

Mas Emmanuel não para por aí:

“Se te vês em meio de familiares e companheiros difíceis, eis-te no cotidiano com as pessoas certas, com as quais necessitas adquirir tolerância e compreensão.”

Creio estar aí uma grande pedra de tropeço para a maioria dos que transitam pela experiência física. Desejaríamos um lar onde todos nos compreendessem, sem o compromisso de termos de compreender ninguém. Protestamos, criticamos, revoltamo-nos pela presença de companheiros da jornada evolutiva tão próximos de nós, esquecendo-nos de que, se o amor vincula para sempre os Espíritos, o ódio não sanado também mantém essa conexão, enquanto não extinto, programando-nos novos reencontros, de acordo com o alerta de Jesus de que melhor seria reconciliarmo-nos com o inimigo enquanto estivéssemos em marcha com ele.

E Emmanuel continua:

“Diante dessa ou daquela ofensa, reconhecer-te-ás na época adequada de exercitar perdão e entendimento.”

Parece-me que esse ensinamento tem muito a ver com o anterior, quando ele aborda as dificuldades dentro do lar — e, obviamente, também fora dele. Não faltam oportunidades, nesta fase atual do planeta, para o exercício do perdão. Não daquele perdão apenas anunciado ou enunciado, mas do perdão em que possamos oferecer a outra face, até o dia em que não mais sejamos ofendidos — não porque alguém tenha desistido desse objetivo, mas porque aprendemos a praticar a caridade como a entendia Jesus.

Em suas últimas considerações nessa página, Emmanuel nos lembra de que a presença no Plano Físico significa internação em escola edificante, onde temos oportunidades de, sendo bons alunos, galgarmos mais um degrau em direção à perfeição para a qual fomos criados.

Concluindo, Emmanuel arremata que a solução dos nossos problemas está, irreversivelmente, em nós mesmos. Por isso, não titubeamos em afirmar que, se você também deseja voar como o balão da história, é necessário eliminar o peso das muitas imperfeições originadas no orgulho, no egoísmo e na vaidade que ainda nos caracterizam.

Vamos levantar voo em nosso balão?


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita