
Congresso Espírita da FEDF reúne 800
pessoas no Parlamundi da Legião da Boa Vontade

Durante os três dias de evento, 17 a 19 de abril de
2026, o público presente assistiu a peças de teatro,
corais e bandas musicais, recitais de poesia e palestras
de renomados expositores com o tema foco: "Saúde Mental
e Espiritualidade"
Para os espíritas do Distrito Federal, o 11º Congresso
da Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) foi um
grande encontro, como foram também as versões anteriores
do evento. Com o objetivo de acolher as famílias, o
Congresso ofereceu o "Congressinho", que atendeu
crianças e jovens com uma programação especial voltada
para a respectiva faixa etária e também o "1º Encontro
Regional da Área da Família", que aconteceu no sábado
(18), com objetivo de proporcionar reflexões sobre o
papel das relações familiares no desenvolvimento
integral do Espírito reencarnado.
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O primeiro dia de evento contou com a exposição da
palestrante e doutora em psicologia Ana Tereza Camasmie,
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que teceu reflexões sobre o tema “Quem somos
além das aparências? Espírito e identidade em
construção”, que associou as aparências com o
uso de “máscaras” sociais, quando cada indivíduo
se apresenta ao mundo tentando esconder seus
medos, vícios morais e imperfeições. Ana
destacou, também, a necessidade de olharmos para
nosso interior e nos melhorarmos, procurando
vencer nossos “inimigos ocultos” e nos
reconhecermos como filhos muito amados do Pai.
Como terapia eficiente, Camasmie apontou o
trabalho na seara do Cristo: “A gente serve a
Deus através dos homens e um dos critérios para
ser um bom servidor do Cristo é a realização com
constância. O amor é fundamental, mas precisamos
de realização e constância. Esses dois itens nos
ajudam a avançar.” |
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Ainda no primeiro dia do Congresso, foi exposto
o tema "A coragem de olhar para dentro",
apresentado por Jorge Elarrat. A palestra levou
o público presente a refletir sobre o problema
do desamor para com o |
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nosso próximo e a falta de fé! |
Elarrat afirmou que, desde de que o
homem fechou a janela da fé, caiu na cilada de si mesmo,
acreditando na ideia de que a vida é só o corpo físico:
“Nunca tivemos tanta dor, sofrimento, depressão, tanta
ansiedade, tanto vazio existencial, tanto afrouxamento
dos laços de afeto. O Cristo traz o roteiro ideal para
as nossas vidas, e só nós é que podemos libertar as
nossas almas a partir da conversão."
O segundo dia do congresso foi aberto em clima de
reverência ao Codificador, em função do aniversário de
lançamento d’O Livro dos Espíritos, ocorrido em
18 de abril de 1857. O psicanalista, educador e escritor
espírita Adeilson Salles iniciou sua exposição
declarando que naquele momento singular, quando o
edifício do Espiritismo foi erguido, ocorreu uma
significativa transformação em nossas vidas, ocasionando
uma mudança no nosso olhar em relação a tudo que nos
cerca. Na exposição, Adeilson discorreu sobre o tempo,
as ilusões e o enfrentamento íntimo de nossos
desassossegos, junto à busca de sentido para nossas
vidas: "O vazio existencial se instala quando
abandonamos a nós mesmos e queremos ocupar um local que
não é nosso e que está longe dos valores que dão sentido
à nossa vida. O significado de nossa existência está em
sermos úteis para aqueles que estão ao nosso lado. Nosso
contato com Deus se dá na medida em que eu tenho contato
com o meu próximo, e a beleza da vida é caminhar junto
com quem se ama."
O psicanalista e orador espírita Wesley Assis reuniu
reflexões sobre o sofrimento psíquico e perda de
propósito. A palestra apresentou o sofrimento como um
processo natural do despertar da consciência. Nessa
perspectiva, a dor não é compreendida como erro ou
ruptura, mas como início de um processo transformador.
"A reencarnação tem um propósito de misericórdia, a vida
é processo contínuo de aprendizado e depuração. Nesse
contexto, o sofrimento estaria associado a uma
necessidade de cura que se desenvolve ao longo da
trajetória do Espírito. Precisamos entender o sofrimento
como desafio, não como ameaça. É possível encontrar
equilíbrio emocional e espiritual mesmo em situações
difíceis, a depender da forma como a experiência é
compreendida e integrada."
Psiquiatra e presidente da Federação Espírita
Amazonense, Thiago Aguiar apresentou ao público presente
a visão espírita do atual momento de hiperconectividade
e vícios digitais. Ele destacou que hoje tudo está em
meio digital, a conectividade é massiva, tudo está
interligado e em tempo real, e nós não imaginávamos que
as ferramentas digitais fossem impactar nossas vidas
dessa maneira. “Nas redes existe uma comparação social
quase constante. A vida que eu quero ter, não a que eu
tenho. É quando a neurose, a insatisfação e a frustração
se instalam. Não vamos parar o fluxo do mundo, viver sem
conexão, sem internet. Não é isso que representa saúde
mental. É preciso examinar o que chega até mim para que
eu possa entender como aquele conteúdo impacta o meu
humor, a minha alegria de viver, ou se o que me chega
exaure, irrita, cansa. Sem essa consciência, a
vigilância se torna cega. É preciso encontrar essa
travessia."
A psicóloga Ana Teresa Camasmie e o psiquiatra Thiago
Aguiar uniram-se para apresentar o tema "Obsessão ou
transtorno mental?" Partindo do princípio que o
discernimento esclarece e protege, os palestrantes
traçaram a diferença entre o transtorno mental, que
denota o grau de distanciamento do indivíduo com as Leis
Divinas, e o processo obsessivo, que é a atuação de um
espírito sobre o outro, ressaltando que o obsidiado
possui uma consciência culpada, que se afina com
obsessores, causando o desequilíbrio da química
cerebral. "Adoecer psiquicamente não significa
inferioridade moral. É preciso valorizar os
trabalhadores espíritas, muitos dos quais vivem
sofrimentos não verbalizados”, define Thiago Aguiar.
"Todos temos movimentos da alma adoecidos, pesos que
carregamos, que são um ninho para o transtorno mental. O
que nos protege desse adoecimento é reconhecer esses
pesos que levamos e iniciar movimentos de autocura”,
alertou Camasmie.
Os jovens palestrantes Marina Nina, Victor Hugo Menino e
Gustavo Silveira utilizaram o fim da tarde de sábado,
segundo dia de congresso, para participar de duas
apresentações: o painel temático dedicado à abordagem do
tema "Essência, emoção e responsabilidade" e uma roda de
conversa mediada por Ana Tereza Camasmie.
Na primeira exposição, a jovem Nina explicou que somos
Espíritos encarnados em uma jornada única, mas apenas na
interação com o outro conseguimos desenvolver talentos,
como a indulgência, a caridade, o amor e a paciência: “O
outro me desafia a partir daquilo que ele mostra em mim,
mas também da forma que eu vejo o outro, que eu enxergo
a existência do outro. E é aí onde entra a possibilidade
da comparação. Mas tendo Jesus como modelo, o dilema da
comparação se torna mais brando pois terei clareza no
sentimento e na razão de que a minha jornada não tem a
ver com a forma como o outro trilha sua jornada. Eu não
estou aqui para me assemelhar àqueles que caminham
comigo. Estou aqui para que juntos possamos dar as mãos
e nos fortalecermos mutuamente na caminhada de Espíritos
imortais”, refletiu Nina.
O jovem Victor Hugo abordou a questão da impulsividade e
maturidade. O palestrante traz os ensinamentos de Jesus
como instrumento para analisar nossos desejos e anseios.
Esses desejos estão baseados na busca do espírito por
aquilo que falta à sua intimidade psíquica. Ele destaca
ainda que a máxima do Cristo, amar a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a si mesmo, deve ser a baliza
de orientação para essa procura: "Só Deus é capaz de
ocupar esse lugar da falta no Espírito e, por isso, amar
a Deus sobre todas as coisas é o maior desafio proposto
por Jesus."
Por fim, o jovem Gustavo Silveira trouxe uma reflexão
sobre a liberdade, além dos questionamentos sobre se a
liberdade existe ou não. Gustavo destacou que ter uma
liberdade irrestrita pode significar que sabemos
escolher, o que não é verdade. Prova disso é o frequente
arrependimento após as escolhas. E, ao mesmo tempo,
fazer tudo o que se quer torna o indivíduo escravo dos
seus próprios desejos: "O verdadeiro esclarecimento é a
purificação do sentimento. Quanto mais sou capaz de
purificar meu coração, mais sou capaz de escolher. O
melhor uso da liberdade consiste no ato de escolher de
acordo com o que me mantém livre", arrematou Gustavo.
A segunda apresentação com a presença dos jovens
palestrantes fechou a noite de sábado, segundo dia de
atividades. Com mediação da doutora em psicologia Ana
Tereza Camasmie, os jovens palestrantes Victor Hugo
Menino, Marina Nina e Gustavo Silveira responderam às
perguntas dos participantes do Congresso.
Temas pertinentes como a influência dos estímulos
externos na vida dos jovens, assim como perguntas vindas
da plateia, questionando sobre como os pais podem ajudar
os filhos a não entrarem em caminhos de sofrimento, como
o uso de drogas e até o suicídio. Temas sensíveis que
foram respondidos de forma honesta, à luz da Doutrina
Espírita.
Na manhã de domingo, último dia de Congresso, o
palestrante Saulo Cesar inaugurou as atividades do dia
explorando o tema "Integralidade e a força terapêutica
do diálogo". Para Saulo, muitos dos problemas da
criatura humana são agravados pela maneira como olhamos
para eles. O dever, sob a ótica dos aspectos negativos,
pode até nos levar a agir, ser o primeiro start para
as mudanças; mas, a longo prazo, muitas vezes essas
melhorias podem não se sustentar justamente por se
basearem no imperativo do dever, da obrigação.
"Quando se usam aspectos positivos para lidar com os
mesmos desafios, o nível de energia é maior para se
alcançar objetivos delineados na vida. Até porque se tem
a possibilidade de escolhas e alternativas. Assim,
muitos problemas desaparecem e soluções são mais
concretas. Isso significa cuidar da mente, cuidar da
gente. Viver com intensidade e com integralidade é a
equação que precisamos encontrar para a nossa
existência", conclui Saulo.
Ainda na manhã de domingo, o público presente no
auditório Parlamundi da LBV pôde emocionar-se com a
encenação do esquete do Grupo Teatro Vida, da Comunhão
Espírita de Brasília, extraída do musical “Chico
Xavier”. Uma atmosfera cênica que levou ao público
canto, dança, humor e interpretações com impactante
dramatismo por parte dos atores do espetáculo.
O roteiro do esquete abordou a obsessão de Maria da
Conceição, personagem baseada na irmã de Chico. Nesse
episódio, a família recorreu, no ano de 1927, ao médium
José Hermínio Perácio para trazer de volta o equilíbrio
emocional e espiritual ao seio da família, residente em
Pedro Leopoldo (MG). No momento desse desafio, Chico
tinha apenas 17 anos e, com os demais oito irmãos, vivia
sob os cuidados do pai, João Cândido Xavier, que
profissionalmente era vendedor de bilhetes de loteria. A
mãe do médium, Maria João de Deus, havia falecido
precocemente.
Dando fim ao ciclo de palestras do 11° Congresso da
FEDF, o renomado palestrante Jorge Elarrat abordou o
tema: "Sob a Luz do Evangelho, a Alma encontra a Paz".
Através da sua exposição, Elarrat transportou o público
presente para as origens da humanidade no planeta,
perpassando pela chegada dos migrantes vindos de outros
orbes para contribuir com a evolução da Terra, a convite
do Cristo, até chegarmos aos complexos desafios da nossa
atualidade. "Temos que transformar o nosso olhar para
Jesus. Olhá-lo como nos ensina Joanna de Ângelis: o
Espiritismo traz Jesus descrucificado, o grande
terapeuta divino que vem em nosso socorro para que
possamos fazer esta transição de forma lúcida, tendo o
perdão e o amor ao próximo como movimento de libertação
de nossa alma", finalizou Jorge Elarrat.
O Congresso foi encerrado com uma prece inspirada da
vice-presidente da Federação Espírita do Distrito
Federal, Regina Souza, que elevou mentes e corações em
agradecimento ao Alto pelo bom andamento do evento, do
aprendizado mútuo e da convivência fraterna. Regina
deixou um encontro marcado para o próximo ano, afirmando
que o Congresso já tem data agendada para a nova versão
a realizar-se em 2027.
Cláudia Correa, jornalista espírita, atua
no movimento espírita do Distrito Federal.