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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

A cegueira espiritual


O poético espírito Amélia Rodrigues, por meio de Divaldo Pereira Franco, além de nos transportar aos tempos de Jesus, descreveu-nos aquelas regiões áridas, bem como alguns daqueles aspectos épicos, tais como políticos, morais, históricos, econômicos, geográficos etc., com uma estupenda riqueza de detalhes.

Em relação ao cego que esmolava e vivia em Jericó¹, a narrativa da autora espiritual esmiúça aquela antiga e bela cidade localizada no deserto da antiga Judeia (atual Cisjordânia) e realça o pitoresco local, com as suas fontes, jardins e árvores frutíferas. O centro alfandegário era acentuadamente destacado, e Jesus transitava, mais uma vez, por aquele lugar.

Nessa nova passagem pela cidade, um cego de nascença², de nome Bartimeu, soube da peregrinação do Messias pelas ruas, encheu-se de fé, e a narrativa evangélica causa uma forte impressão aos que leem ou estudam esse episódio, por causa da coragem daquele assistido, o qual teve força moral para o enfrentamento das retaliações dos inimigos do Cristo.
Bartimeu era um deficiente visual e vivia mendigando pelas ruas e na região aduaneira.

Nessa mesma localidade, vivia o cobrador de impostos, de nome Zaqueu³; na alfândega, onde atuava, ele sempre acudia o pobre cego que por lá perambulava, dependente da caridade pública. Bartimeu bradou por Jesus, aproximou-se dele e gritou para que o curasse; Jesus pediu que o chamassem. Os discípulos buscaram o cego e o trouxeram à presença do Cristo.

O diálogo foi objetivo. O Mestre indagou-lhe sobre o que desejava que ele lhe fizesse, e Bartimeu foi enfático, respondendo-lhe que passasse a enxergar.

Jesus, com a imposição das mãos, recobrou-lhe a visão e enalteceu a fé daquele pobre homem. Bartimeu contemplou a bela natureza ao derredor, a luz, as plantas e as pessoas; em lágrimas, agradecido, seguiu o Mestre. Este se distanciou com os demais discípulos pela estrada. Logo, eles deixaram o ex-cego para trás...

A veneranda entidade Amélia Rodrigues pontuou bem esse verbo “enxergar”, o qual significa ver e, no sentido evangélico, ir além. A poetisa baiana destacou a cegueira espiritual daqueles que não querem ver determinadas realidades que são perenes.

A cegueira espiritual entra nesse contexto no sentido lato da palavra, quer dizer, desdobrar uma realidade à nossa volta e, ainda mais, despertar-se para as verdades espirituais trazidas pelo Mestre, antecedidas pelos sábios e profetas. Além disso, tais realidades do além-túmulo são esclarecidas pelo Espiritismo — Doutrina da Razão e da Realidade.

Enfim, diz-nos um antigo ditado popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

 

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1. Pelos caminhos de Jesus, capítulo 11 – A Cegueira Maior (LEAL).

2. Lucas, 18:35-43 e Marcos, 10:46-52.

3. Lucas, 19:1-10.
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita