A
cegueira espiritual
O poético espírito Amélia Rodrigues, por meio de Divaldo
Pereira Franco, além de nos transportar aos tempos de
Jesus, descreveu-nos aquelas regiões áridas, bem como
alguns daqueles aspectos épicos, tais como políticos,
morais, históricos, econômicos, geográficos etc., com
uma estupenda riqueza de detalhes.
Em relação ao cego que esmolava e vivia em Jericó¹, a
narrativa da autora espiritual esmiúça aquela antiga e
bela cidade localizada no deserto da antiga Judeia
(atual Cisjordânia) e realça o pitoresco local, com as
suas fontes, jardins e árvores frutíferas. O centro
alfandegário era acentuadamente destacado, e Jesus
transitava, mais uma vez, por aquele lugar.
Nessa nova passagem pela cidade, um cego de nascença²,
de nome Bartimeu, soube da peregrinação do Messias pelas
ruas, encheu-se de fé, e a narrativa evangélica causa
uma forte impressão aos que leem ou estudam esse
episódio, por causa da coragem daquele assistido, o qual
teve força moral para o enfrentamento das retaliações
dos inimigos do Cristo.
Bartimeu era um deficiente visual e vivia mendigando
pelas ruas e na região aduaneira.
Nessa mesma localidade, vivia o cobrador de impostos, de
nome Zaqueu³; na alfândega, onde atuava, ele sempre
acudia o pobre cego que por lá perambulava, dependente
da caridade pública. Bartimeu bradou por Jesus,
aproximou-se dele e gritou para que o curasse; Jesus
pediu que o chamassem. Os discípulos buscaram o cego e o
trouxeram à presença do Cristo.
O diálogo foi objetivo. O Mestre indagou-lhe sobre o que
desejava que ele lhe fizesse, e Bartimeu foi enfático,
respondendo-lhe que passasse a enxergar.
Jesus, com a imposição das mãos, recobrou-lhe a visão e
enalteceu a fé daquele pobre homem. Bartimeu contemplou
a bela natureza ao derredor, a luz, as plantas e as
pessoas; em lágrimas, agradecido, seguiu o Mestre. Este
se distanciou com os demais discípulos pela estrada.
Logo, eles deixaram o ex-cego para trás...
A veneranda entidade Amélia Rodrigues pontuou bem esse
verbo “enxergar”, o qual significa ver e, no sentido
evangélico, ir além. A poetisa baiana destacou a
cegueira espiritual daqueles que não querem ver
determinadas realidades que são perenes.
A cegueira espiritual entra nesse contexto no sentido
lato da palavra, quer dizer, desdobrar uma realidade à
nossa volta e, ainda mais, despertar-se para as verdades
espirituais trazidas pelo Mestre, antecedidas pelos
sábios e profetas. Além disso, tais realidades do
além-túmulo são esclarecidas pelo Espiritismo — Doutrina
da Razão e da Realidade.
Enfim, diz-nos um antigo ditado popular: “O pior cego é
aquele que não quer ver”.
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3.
Lucas, 19:1-10.