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Fragmentos da realidade
E o fato é que
poderíamos, ampliando-o,
dar outro título ao
presente arrazoado,
como, por exemplo,
“Recortes da Realidade
Universal” ou, ainda,
“Momentos Universais e
sua Inegável
Progressão”. E isso,
como é óbvio, pelas
mudanças incontestáveis
de tudo, pois, já no
próximo segundo de
nossos relógios, pode-se
constatar que algo se
transformou, ou,
simplesmente, mudou — ou
está mudando. E isso,
diga-se, em todos os
campos de nós mesmos e
do que se acha ao nosso
derredor: da realidade
mundana e, por que não,
da realidade universal.
Ora, vejamos, por
exemplo, o campo
político de nossa nação,
que, de um “modelo
fascista”, está mudando
— ou já mudou, em seu
momento da realidade —
para um “modelo mais
humano”, mais razoável,
em que os opositores do
Cristo vão sendo
substituídos,
paulatinamente, pelos
que mais o acatam,
cumprindo, assim, com os
destinos futuros de
nossa nação como
representativa do
“Coração do Mundo”, da
“Pátria do Evangelho”,
segundo tão relevante
instrução espiritista ou
mediúnica.
Ora, se tudo é
inconstante no mundo,
nós também o somos, e
isso pelo fator dinâmico
e, pois, evolutivo da
inteligência humana,
que, aos poucos, vai
percebendo que nem mesmo
a matéria bruta pode
escapar de tal
inconstância, pois “tudo
se encadeia na Natureza,
desde o átomo primitivo
ao arcanjo, pois que ele
mesmo começou pelo
átomo” (vide: “OLE” –
1857 – AK).
Logo, tudo se encadeia,
se modifica, evolui,
cresce e, pois, se
altera para melhor, para
mais alto, mais ético e
solidário para com tudo
e com todos da esfera
sideral.
Todavia, se tudo muda,
se tudo cresce,
paradoxalmente temos
informações de que
poderia o ser — o homem,
ou o Espírito —
momentaneamente
estacionar ou paralisar;
mas regredir, jamais.
Porquanto, uma vez
condicionados ao
fenômeno evolutivo
universal, já não se
pode mais cair ou,
diríamos, involuir, como
bem elucida a obra de
Kardec, de Chico e de
muitos outros
instrutores.
Mas falávamos, de
início, dos “fragmentos”
ou dos “recortes da
realidade” e, no tocante
ao Espiritismo, pelo
menos em tese, o que
isso quer dizer?
Nada mais, nada menos
que somos seres
“condicionados” a um
determinado ponto de
nossa evolução psíquica,
do qual só temos a
progredir ou evoluir,
mas não a regredir ou
involuir no sentido
oposto da evolução, que,
em vez de crescimento,
nos sujeitaria a uma
forma de nadificação do
ser — o que é
absolutamente
descartado.
E, assim, não
pretendendo, em tempo
algum, depreciá-los,
observemos irmãos nossos
de outras crenças, como,
por exemplo, os
pentecostais. Ora, a
maioria desses crê em
uma única existência
humana no mundo terreno;
depois, viriam o céu ou
o inferno, além de
outras ideias pouco
prováveis, oriundas de
concepções fragmentárias
da grande realidade
universal.
O que não se condena por
parte desses irmãos; ao
contrário,
compreende-se, pois tal
concepção fragmentária é
parte intrínseca de seu
recorte da realidade — é
o que podem compreender
da realidade grandiosa,
infinita e não
mensurável por suas
atuais estruturas
mentais. Algo que lhes
é, por ora, de difícil
compreensão, embora, não
obstante, avancem, ainda
que a passos lentos, em
sua progressividade
psíquica ou espiritual.
Mas notemos mais.
Observemos que outros
irmãos, um tanto além
dos anteriormente
citados, parecem
perceber um pouco mais
da realidade, como, por
exemplo, os respeitáveis
membros do Catolicismo.
Estes, por sua vez,
parecem estudar e
compreender mais
amplamente a realidade
mundana e universal e,
inclusive, já adotam uma
forma de evolucionismo a
eles adaptada e
compreensível: a do
cientista e padre
jesuíta Teilhard de
Chardin, que, sem
admitir a palingenesia,
reconhece uma forma de
evolução semelhante, em
certos aspectos, à
adotada pelo
neodarwinismo e, em
alguma medida, pelo
Espiritismo.
Para tais indivíduos —
do respeitável
Catolicismo —, os planos
vegetais avançam, em
conjunto, para os planos
animais e,
posteriormente, para os
planos humanos, porém
segundo uma forma
cosmogenética própria,
conforme suas
concepções,
inteligências e
capacidades
interpretativas do
mundo, como um recorte
da realidade terrena e
universal.
Convém esclarecer,
entretanto, que não
admitem, igualmente,
como os anteriormente
citados, os fatos da
reencarnação.
Logo, cada qual de nós,
Espíritos terrenos,
reencarnados
temporariamente no mundo
de nossas concepções,
vive um determinado
fragmento mental, ou um
recorte da “Realidade
Absoluta”, sendo esta,
como dito, absoluta em
sua totalidade, elevada
ao infinito — aquilo que
se possa compreender
como o mais completo e
total.
E, assim, nossos
fragmentos mentais da
“Realidade Total”
ampliam-se e
modificam-se
continuamente, ainda que
lentamente, na
consciência de todos
nós, como seres
evolutivos que somos. A
reencarnação constitui o
meio e o método de nosso
progresso; por isso
mesmo, ao menos por
enquanto, não
conseguimos ainda nos
entender plenamente no
campo filosófico, de
modo mais amplo e
profundo.
E isso se deve aos
diversos níveis
psíquicos em que nos
encontramos, aos
diferentes graus de
progresso mental. No
futuro, porém, haveremos
de nos entender melhor,
quando tais fragmentos
ou recortes mentais
estiverem mais
desenvolvidos, mais
ampliados e, portanto,
mais adequados ao
infinito sideral,
aproximando-nos, assim,
da plenitude divina, do
“uno ao Pai”, como Jesus
declarou em seus ensinos
magistrais.
Esse Pai, de grandeza
incomensurável, ama-nos
infinitamente e nos faz
crescer,
ininterruptamente,
queiramos ou não, a
partir de ínfimos e
simplificados fragmentos
— ou, como dito,
“recortes da realidade
universal” — condizentes
com o psiquismo de cada
qual, conforme seu ponto
evolutivo, que avança,
tendendo ao infinito
daquela realidade
divina.
Logo, para cada grupo do
psiquismo humano existe
um “fragmento da
realidade universal”:
dos que ainda se
encontram no “Velho
Testamento”; dos que
avançaram para Jesus no
“Novo Testamento”; e
daqueles que, conforme
sua promessa, já se
situam no “Consolador”,
no “Espírito da
Verdade”, com sua
“ciência do infinito”,
abrangendo e
aprofundando a ciência,
a filosofia e a
religiosidade humanas
por meio de um recorte
da realidade mais amplo
e mais elevado, talvez
mais próximo do infinito
divino, onde espaço,
tempo e psiquismo se
transmutam em realidade
transcendental. |