Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Transformação, Evolução


Mudanças no Parquinho


Juninho morava em uma grande cidade, mas o bairro onde vivia era bastante tranquilo, com casas residenciais e praças.

Ele adorava brincar na praça perto de sua casa. Nela havia um parquinho para as crianças, com escorregador, tanque de areia, gangorra e outros brinquedos.

Já fazia parte da rotina de Juninho ir, quase todas as tardes, com sua mãe, brincar na praça.

Além de se divertir nos brinquedos, ele também encontrava outras crianças da sua idade, que já haviam se tornado suas amigas.

Um dia, enquanto brincavam na gangorra, um amigo comentou:

— Sabia que o parquinho vai acabar?

Juninho não entendeu por que o menino havia dito aquilo. Aquilo não poderia acontecer.

— Não vai, não! — respondeu, depois de alguns segundos. Seu amigo só podia ter inventado aquela bobagem.

Mas, na verdade, o menino estava certo. A mãe de Juninho, conversando com outras pessoas, soube que a prefeitura iria reformar a praça e construir ali uma biblioteca municipal. Era um grande projeto para a melhoria do bairro.

Foi difícil para Juninho receber aquela notícia. Era como se seu mundo tivesse sido abalado. Ele sentia que estava perdendo tudo: os brinquedos, os amigos, o ambiente ao ar livre, as tardes alegres — sua felicidade, enfim.

Primeiro, Juninho ficou bravo, reclamou e disse que não deixaria tirarem os brinquedos dali. Depois, percebendo que não poderia impedir aquilo, ficou triste e começou a chorar.

E chorou bastante, a ponto de soluçar.

— Mãe, não deixe que acabem com o parquinho! Por favor, faça alguma coisa! — dizia ele, entre os soluços.

A mãe de Juninho também estava triste. Tentou consolar o filho como pôde e prometeu fazer tudo o que fosse possível para ajudar.

No dia seguinte, reuniu-se com outros pais que também frequentavam o parquinho, e foram até a prefeitura para conversar.

O grupo foi muito bem recebido pelo secretário responsável pelo projeto de melhoria do bairro, que explicou tudo o que seria feito.

— Na verdade — disse ele, com entusiasmo — as crianças não vão perder o parquinho. Ele será renovado, ampliado e transferido para a praça da rua Assis. A praça da rua Junqueira, onde ele está atualmente, é a praça central do bairro, o local ideal para construirmos a nova biblioteca.

Os pais acharam o projeto muito bom, mas, ainda assim, não ficaram totalmente satisfeitos. A rotina de caminhar com seus filhos até a praça, no fim da tarde, parecia perfeita e, por isso, ninguém queria mudanças.

Mas não houve alternativa. O projeto da prefeitura transformou-se em obra e, um dia, quando as crianças chegaram à praça, ela já estava vazia. Os brinquedos do parquinho e até os bancos haviam sido retirados e levados embora.

Juninho novamente se abalou e chorou, sentido.

— Como eles podem ser tão maus? — pensava.

No dia seguinte, a praça já estava cercada por tapumes para a construção da biblioteca.

Nos meses que se seguiram, como não podiam mais frequentar a praça, os pais se organizaram para que as crianças se encontrassem e brincassem, a cada dia, na casa de um deles.

Com isso, Juninho passou a conhecer a casa de vários amigos — e também seus brinquedos. As mães preparavam bolos, sanduíches e sucos. Juninho logo se adaptou a essa nova rotina — e aos lanchinhos gostosos também.

Quando passava de carro em frente à praça, ainda se entristecia. Mas, ao ver o novo parquinho sendo construído na praça da rua Assis, não deixava de admirar o quanto estava ficando bonito.

Finalmente, chegou o dia da inauguração. O prefeito, o secretário e outras autoridades fizeram discursos. As pessoas aplaudiram e, depois, os moradores puderam entrar para conhecer a nova biblioteca.

Ela estava linda, limpinha, com cheirinho de nova. Havia setores com vários tipos de livros, inclusive infantis.

Juninho gostou do ambiente e dos livros. Escolheu um, com muitas figuras de dinossauros, e sentou-se no tapete, entre almofadas, para folheá-lo.

Com o tempo, habituou-se a frequentar a biblioteca. Lá também encontrava seus amigos. No início, sua mãe lia para ele; pouco depois, começou a reconhecer as letras e a ler sozinho.

Ele também adorou o novo parquinho. Havia um escorregador bem alto, que ele passou a usar sem medo. Havia muitos balanços, permitindo que várias crianças brincassem ao mesmo tempo. Havia uma corda esticada, na qual se desafiavam a atravessar até o outro lado. Havia até uma casinha na árvore, que inspirava muitas brincadeiras cheias de criatividade.

Juninho passou a gostar até dos dias de chuva, pois sabia que encontraria todos na biblioteca. Nos dias muito quentes, sua mãe o levava de carro ao parquinho; mas, na maioria das vezes, iam de bicicleta, o que também era muito agradável.

E foi assim que Juninho aprendeu que as mudanças fazem parte da vida. São naturais e, muitas vezes, necessárias.

Elas incomodam. Às vezes entristecem. Exigem desapego e adaptação. No entanto, trazem novas oportunidades, que também podem ser felizes.

Tudo passa, tudo se transforma. Por isso, é importante saber esperar pelas coisas boas: o tempo leva algumas, mas traz outras também.


 


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