Tema: Transformação, Evolução
Mudanças no Parquinho
Juninho morava em uma grande cidade, mas o bairro onde
vivia era bastante tranquilo, com casas residenciais e
praças.
Ele
adorava brincar na praça perto de sua casa. Nela havia
um parquinho para as crianças, com escorregador, tanque
de areia, gangorra e outros brinquedos.

Já
fazia parte da rotina de Juninho ir, quase todas as
tardes, com sua mãe, brincar na praça.
Além de se divertir nos brinquedos, ele também
encontrava outras crianças da sua idade, que já haviam
se tornado suas amigas.
Um
dia, enquanto brincavam na gangorra, um amigo comentou:
—
Sabia que o parquinho vai acabar?
Juninho não entendeu por que o menino havia dito aquilo.
Aquilo não poderia acontecer.
—
Não vai, não! — respondeu, depois de alguns segundos.
Seu amigo só podia ter inventado aquela bobagem.
Mas, na verdade, o menino estava certo. A mãe de
Juninho, conversando com outras pessoas, soube que a
prefeitura iria reformar a praça e construir ali uma
biblioteca municipal. Era um grande projeto para a
melhoria do bairro.
Foi
difícil para Juninho receber aquela notícia. Era como se
seu mundo tivesse sido abalado. Ele sentia que estava
perdendo tudo: os brinquedos, os amigos, o ambiente ao
ar livre, as tardes alegres — sua felicidade, enfim.
Primeiro, Juninho ficou bravo, reclamou e disse que não
deixaria tirarem os brinquedos dali. Depois, percebendo
que não poderia impedir aquilo, ficou triste e começou a
chorar.
E
chorou bastante, a ponto de soluçar.
—
Mãe, não deixe que acabem com o parquinho! Por favor,
faça alguma coisa! — dizia ele, entre os soluços.
A
mãe de Juninho também estava triste. Tentou consolar o
filho como pôde e prometeu fazer tudo o que fosse
possível para ajudar.
No
dia seguinte, reuniu-se com outros pais que também
frequentavam o parquinho, e foram até a prefeitura para
conversar.
O
grupo foi muito bem recebido pelo secretário responsável
pelo projeto de melhoria do bairro, que explicou tudo o
que seria feito.
—
Na verdade — disse ele, com entusiasmo — as crianças não
vão perder o parquinho. Ele será renovado, ampliado e
transferido para a praça da rua Assis. A praça da rua
Junqueira, onde ele está atualmente, é a praça central
do bairro, o local ideal para construirmos a nova
biblioteca.
Os
pais acharam o projeto muito bom, mas, ainda assim, não
ficaram totalmente satisfeitos. A rotina de caminhar com
seus filhos até a praça, no fim da tarde, parecia
perfeita e, por isso, ninguém queria mudanças.
Mas
não houve alternativa. O projeto da prefeitura
transformou-se em obra e, um dia, quando as crianças
chegaram à praça, ela já estava vazia. Os brinquedos do
parquinho e até os bancos haviam sido retirados e
levados embora.
Juninho novamente se abalou e chorou, sentido.
—
Como eles podem ser tão maus? — pensava.
No
dia seguinte, a praça já estava cercada por tapumes para
a construção da biblioteca.
Nos
meses que se seguiram, como não podiam mais frequentar a
praça, os pais se organizaram para que as crianças se
encontrassem e brincassem, a cada dia, na casa de um
deles.
Com
isso, Juninho passou a conhecer a casa de vários amigos
— e também seus brinquedos. As mães preparavam bolos,
sanduíches e sucos. Juninho logo se adaptou a essa nova
rotina — e aos lanchinhos gostosos também.
Quando passava de carro em frente à praça, ainda se
entristecia. Mas, ao ver o novo parquinho sendo
construído na praça da rua Assis, não deixava de admirar
o quanto estava ficando bonito.
Finalmente, chegou o dia da inauguração. O prefeito, o
secretário e outras autoridades fizeram discursos. As
pessoas aplaudiram e, depois, os moradores puderam
entrar para conhecer a nova biblioteca.
Ela
estava linda, limpinha, com cheirinho de nova. Havia
setores com vários tipos de livros, inclusive infantis.
Juninho gostou do ambiente e dos livros. Escolheu um,
com muitas figuras de dinossauros, e sentou-se no
tapete, entre almofadas, para folheá-lo.
Com
o tempo, habituou-se a frequentar a biblioteca. Lá
também encontrava seus amigos. No início, sua mãe lia
para ele; pouco depois, começou a reconhecer as letras e
a ler sozinho.
Ele
também adorou o novo parquinho. Havia um escorregador
bem alto, que ele passou a usar sem medo. Havia muitos
balanços, permitindo que várias crianças brincassem ao
mesmo tempo. Havia uma corda esticada, na qual se
desafiavam a atravessar até o outro lado. Havia até uma
casinha na árvore, que inspirava muitas brincadeiras
cheias de criatividade.
Juninho passou a gostar até dos dias de chuva, pois
sabia que encontraria todos na biblioteca. Nos dias
muito quentes, sua mãe o levava de carro ao parquinho;
mas, na maioria das vezes, iam de bicicleta, o que
também era muito agradável.
E
foi assim que Juninho aprendeu que as mudanças fazem
parte da vida. São naturais e, muitas vezes,
necessárias.
Elas incomodam. Às vezes entristecem. Exigem desapego e
adaptação. No entanto, trazem novas oportunidades, que
também podem ser felizes.
Tudo passa, tudo se transforma. Por isso, é importante
saber esperar pelas coisas boas: o tempo leva algumas,
mas traz outras também.