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por Altamirando Carneiro

 

A questão do tributo


Os Evangelhos de Mateus (22:15 a 22), Marcos (12:13 a 17) e Lucas (20:20 a 26) registram que os fariseus, cada vez mais enfurecidos, decidiram colocar Jesus em má situação, enviando alguns de seus adeptos que, falsamente, se aproximaram do Mestre.

— “Mestre, bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?”

Infantilmente, esperavam uma declaração hostil de Jesus (pois todos os judeus repudiavam o tributo) e transmitiriam, em seguida, a declaração de Jesus às autoridades romanas.

Jesus, porém, conhecedor profundo da alma humana e conhecendo, também, a sua malícia, disse:

— “Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo.”

E eles lhe apresentaram o dinheiro.

E Jesus disse-lhes:

— “De quem é esta efígie e esta inscrição?”

Disseram-lhe eles:

— “De César.”

Então Jesus lhes disse:

— “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

E eles, ouvindo isto, maravilharam-se e, deixando-o, se retiraram.

O capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo explica bem esta questão: os judeus haviam feito do pagamento do tributo uma questão religiosa. Havia, pois, nessa pergunta, uma armadilha e, conforme a resposta, eles contavam enfurecer, contra Jesus, a autoridade romana; mas Jesus deu-lhes uma lição de justiça, dizendo-lhes que a cada um seja dado o que lhe é devido.

Em Roma e nas outras partes do Império, os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de qualquer espécie, eram chamados de publicanos.

Como acontece até hoje, muitas vezes os olhos se fechavam para as riquezas que muitos (não todos) adquiriam, frutos de transações escandalosas. Com o passar do tempo, costumava-se dizer: “Ávido como um publicano, rico como um publicano”, referindo-se às riquezas mal adquiridas.

No Sermão do Monte (Mateus, capítulos 5 a 7), Jesus nos compara ao sal da terra e à luz do mundo. Ao sal da terra, porque, assim como o sal é importante no tempero dos alimentos, nós somos importantes na face da Terra. Nossas ações, nosso bom proceder, contribuem para o nosso progresso, para o progresso da sociedade e para o progresso do planeta em que vivemos.

E o sal tem uma característica interessante: ele é incorruptível. Se misturarmos o sal com qualquer outra substância, o gosto que sobressai é o gosto do sal. Como o sal, nós também devemos ser incorruptíveis, ou seja, não devemos nos deixar levar por nada que desabone a nossa conduta — nem por jeitinhos, nem por facilidades ou coisas semelhantes.

E somos a luz do mundo, porque temos uma luz dentro de nós. Para o cristão, para o espírita, essa luz é a que emana dos ensinamentos de Jesus.

No encerramento do Sermão do Monte, Jesus apresenta o maravilhoso ensinamento da casa sobre a pedra, quando exorta os homens a construírem seu destino sobre alicerces fortes e saudáveis. O testemunho é exigido a todo instante, como levantar um edifício, tijolo por tijolo, a cada dia, alicerçando-o na verdade. Feito isso, ele será seguro, como a casa construída na rocha.

O verdadeiro discípulo de Jesus irradia paz, luz e serenidade à sua volta. E, quando agirmos de acordo com o Mestre e praticarmos seus ensinos, é porque já estaremos com a nossa fé alicerçada no seu Evangelho.

Por fim, o lembrete do final do item 2 do capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“... Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que disse Jesus: Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos.”

Que sejamos os poucos que foram escolhidos, dentre os muitos que foram chamados.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita