Joias da poesia
contemporânea

Autoria: Antero de Quental

 

A carne e o homem


Clamou a Carne ao Homem: — “Foge à lida!

Embriaga-te e sonha! Tudo é nada…

A Terra é a nossa vinha iluminada

E eu sou a tua noiva apetecida…”

 

E o pobre cavaleiro, em desabrida,

Sobre o corcel da mente incontentada,

Gozou, riu-se e fugiu à luz da estrada,

Procurando o prazer, de alma insofrida.

 

Mas veio um dia o Tempo e disse: — “Para!”

E alterando-lhe a face nobre e rara,

Deu-lhe a velhice, amargurosa e dura.

 

E, ofegando na Carne, quase morta,

O Homem triste caiu vencido, à porta

Do jazigo abismal da sepultura.

 

Da obra Nosso livro, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita