Julgamentos
Observando os atos dos outros, é importante lembrar que
os outros igualmente estão anotando os nossos. Sabemos,
no entanto, de experiência própria, que, em muitos
acontecimentos da vida, há enorme distância entre as
nossas intenções e nossas manifestações.
Quantas vezes somos interpretados como ingratos e
insensíveis, por havermos assumido atitude enérgica ante
determinado setor de nossas relações, após
atravessarmos, por longo tempo, complicações e
dificuldades, nas quais até mesmo os interesses alheios
foram prejudicados em nossas mãos? E quantas outras
vezes fomos considerados relapsos ou pusilânimes, à
vista de termos praticado otimismo e benevolência,
perante aqueles com os quais teremos chegado ao extremo
limite da tolerância?
Em quantas ocasiões estamos sendo avaliados por
disciplinadores cruéis, quando simplesmente desejamos a
defesa e a vitória dos entes que mais amamos, e em
quantas outras passamos por tutores irresponsáveis e
levianos, quando entregamos as criaturas queridas às
provas difíceis que elas mesmas disputam, invocando a
liberdade que as Leis do Universo conferem a cada pessoa
consciente de si?
Reflete nisso e não julgues o próximo, através de
aparências. Deixa que o amor te inspire qualquer
apreciação, e, quando necessites pronunciar algum
apontamento, num processo de emenda, coloca-te no lugar
do companheiro sob censura e encontrarás as palavras
certas para cooperar na obra de ilimitada misericórdia
em que Deus efetiva todas as construções e todos os
reajustes.
Corrige amando o que deve ser corrigido e restaura
servindo o que deve ser restaurado; entretanto, jamais
condenes, porque o Senhor descobrirá meios de invalidar
as posições do mal para que o bem prevaleça, e, toda vez
que as circunstâncias te obriguem a examinar os atos dos
outros, recorda que os nossos atos, no conceito dos
outros, estão sendo examinados também.
Do livro Alma e coração, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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