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Natural de Salvador (BA), onde reside, Monique
de Freitas Assunção (foto) é formada em
Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, em
que atua profissionalmente na área de produção
da TV Web Mansão do Caminho, vinculada ao Centro
Espírita Caminho da Redenção, instituição
fundada por Divaldo Franco e Nilson Pereira.
Voluntariamente está ligada à Casa de Oração
Bezerra de Menezes (COBEM) e, eventualmente, ao
Centro Espírita Estrela da Seara, instituições
da capital baiana em que atua. Entrevistamo-la
sobre sua experiência com comunicação espírita e
suas respostas oferecem ótima perspectiva para
que atua ou pretende atuar nessa área.
Como e quando se tornou espírita?
De forma mais consistente a partir de 2017,
quando iniciei os estudos doutrinários.
Lembro-me de que procurei a COBEM, que era bem
perto de onde eu residia na época, com o intuito
de estudar mesmo, pois, sinceramente, os
postulados espíritas sempre me pareceram tão
naturais e lógicos. A intenção, então, foi me
aproximar daquilo em que sempre acreditei.
E como ocorreu a aproximação com a Mansão do
Caminho?
Por meio de uma indicação de uma amiga da Casa
de Oração Bezerra de Menezes (COBEM) para uma
vaga de trabalho no estúdio de TV da Mansão do
Caminho. Na época, eu já era voluntária desde
2019 na COBEM.
Da proximidade com Divaldo, o que mais a marcou
quanto à personalidade dele?
Sua resiliência diante dos desafios da vida e a
elevada disciplina, características
incontestáveis de sua personalidade e, hoje,
cada vez mais raras.
Sobre o trabalho que vem executando nos
agendamentos da live Conversando sobre
Espiritismo, o que lhe ocorre dizer,
especialmente com respeito à atividade da
transmissão?
É uma atividade muito interessante, pois me
oportuniza conhecer e interagir com os mais
diversos — e também com alguns dos melhores —
expositores espíritas do país. Muitos, no
início, sentiam-se inseguros por não saberem
quais seriam as perguntas, mas, ainda assim, a
maioria sempre aceitou e aceita até hoje o
desafio. O programa se mostra uma excelente
ponte de comunicação com o público simpatizante
do Espiritismo, pela oportunidade que oferece de
esclarecer dúvidas, quebrar preconceitos e
combater informações equivocadas propagadas por
detratores. Além disso, muitas vezes contribui
para dissolver mágoas e ressentimentos que as
pessoas carregam em relação a acontecimentos
passados de suas vidas, pois lança luz sobre
esses fatos e os ressignifica à luz da Doutrina
Espírita.
E sobre seu vínculo com as outras duas
instituições em Salvador?
Foi graças à COBEM que pude conhecer e trabalhar
na Mansão do Caminho. A COBEM foi a instituição
que me acolheu quando dei meus primeiros passos
na doutrina. Como forma de retribuição, atuo
voluntariamente na assessoria de comunicação,
incluindo site, redes sociais, cobertura de
eventos, fotos, gravações etc. Ao Centro
Espírita Estrela da Seara cheguei durante a
pandemia, quando a maioria das casas espíritas
em Salvador estava fechada ou funcionando de
forma muito restrita. Desde então mantenho o
vínculo e hoje também contribuo com pequenas
ações na área de comunicação.
Falando especificamente sobre comunicação para a
divulgação espírita, o que mais lhe chama
atenção?
Percebo uma dificuldade geral do movimento em
acompanhar as mídias digitais mais modernas.
Embora hoje já existam muitos canais espíritas
conseguindo adaptar-se à linguagem desses meios,
em grande parte liderados por jovens, observo
que grandes instituições ainda permanecem presas
às mídias tradicionais, tentando transpor a
mesma linguagem para plataformas como TikTok,
Reels do Instagram, entre outras. Isso, em
geral, não funciona bem e resulta em baixo
engajamento. Os tempos mudaram, e continuam
mudando cada vez mais rápido, assim como a forma
como as pessoas se comunicam e consomem
conteúdo. Esse cenário exige do Movimento
Espírita ações mais ágeis e estratégicas para
acompanhar as novas plataformas, linguagens e
formatos. Esse tem sido o nosso desafio: como
atrair e reter a audiência, tão dispersa e
distraída com tantas opções.
Fale-nos sobre sua experiência com a TV Web, o
canal do YouTube e as plataformas digitais:
experiências, dificuldades e conquistas.
Quando me iniciei na TV Web da Mansão do
Caminho, eu vinha de um jornalismo voltado
exclusivamente para o meio impresso, como
jornais e revistas. Foi uma experiência
totalmente nova, que me levou a rever muitos
conceitos. Durante minha formação acadêmica,
foquei quase integralmente nas mídias impressas
e não me imaginava trabalhando com som e imagem,
mas me enganei. Hoje, vejo esse processo como
extremamente enriquecedor, pois a criatividade
não tem limites. Atualmente, elaboro roteiros,
realizo pequenas edições de vídeo e imagem,
escrevo textos narrativos e atuo em diversas
frentes da produção. Somos uma equipe pequena,
então procuro contribuir em tudo o que está ao
meu alcance.
Como mencionei anteriormente, um dos nossos
maiores desafios tem sido compreender o que o
público espírita deseja consumir no ambiente
digital, pois o espírita que está on-line não é
o mesmo que frequenta presencialmente a casa
espírita. O público da internet costuma ser mais
exigente, curioso, com grande sede de
conhecimento e aberto ao novo, mas, ao mesmo
tempo, demonstra pouco tempo e menor tolerância
a conteúdos densos e excessivamente complexos.
Nossa principal conquista tem sido, aos poucos,
aderir a uma linguagem mais dinâmica e própria
do meio on-line, tornando a experiência do
espectador mais atrativa.
De suas lembranças nessa vivência toda, o que
mais a sensibiliza?
O alcance do trabalho a tantos corações sofridos
ou solitários. É muito gratificante saber que
algo que ajudei a construir chegou exatamente a
quem precisava ouvir ou assistir àquela
mensagem. Não tenho palavras para descrever essa
emoção, é algo que realmente não tem preço.
Algo mais que gostaria de acrescentar?
De modo geral, a comunicação espírita ainda
precisa aprender a utilizar de forma mais eficaz
as ferramentas que a internet hoje nos
possibilita. Trata-se de um processo que exige
desconstrução para posterior reconstrução. Não é
possível fazer divulgação espírita nas mídias
digitais da mesma forma que se faz por meio de
livros, revistas e jornais. Esses novos meios
exigem revisão de posicionamento e de linguagem,
pois o público que hoje acessa plataformas como
YouTube e redes sociais possui outra mentalidade
e está mais aberto à novidade. Além disso, nossa
rotina mudou, e isso exige adaptação.
Uma comunicação mais eficaz requer
reposicionamento para ampliar o alcance da
doutrina e combater a desinformação, ainda muito
presente em relação ao Espiritismo. Abrir espaço
para os jovens, em parceria com os mais
experientes, é um bom começo, sobretudo para
romper preconceitos dentro das próprias
instituições. Esse é o nosso grande desafio.
Suas palavras finais.
Agradeço profundamente a oportunidade e espero
que minhas singelas palavras possam, de alguma
forma, colaborar com o trabalho de expansão do
pensamento espírita.
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