Entrevista

por Orson Peter Carrara

A experiência de uma jornalista na divulgação espírita nas mídias digitais


Natural de Salvador (BA), onde reside, Monique de Freitas Assunção (foto) é formada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, em que atua profissionalmente na área de produção da TV Web Mansão do Caminho, vinculada ao Centro Espírita Caminho da Redenção, instituição fundada por Divaldo Franco e Nilson Pereira. Voluntariamente está ligada à Casa de Oração Bezerra de Menezes (COBEM) e, eventualmente, ao Centro Espírita Estrela da Seara, instituições da capital baiana em que atua. Entrevistamo-la sobre sua experiência com comunicação espírita e suas respostas oferecem ótima perspectiva para que atua ou pretende atuar nessa área.

 

Como e quando se tornou espírita?

De forma mais consistente a partir de 2017, quando iniciei os estudos doutrinários. Lembro-me de que procurei a COBEM, que era bem perto de onde eu residia na época, com o intuito de estudar mesmo, pois, sinceramente, os postulados espíritas sempre me pareceram tão naturais e lógicos. A intenção, então, foi me aproximar daquilo em que sempre acreditei.

E como ocorreu a aproximação com a Mansão do Caminho?

Por meio de uma indicação de uma amiga da Casa de Oração Bezerra de Menezes (COBEM) para uma vaga de trabalho no estúdio de TV da Mansão do Caminho. Na época, eu já era voluntária desde 2019 na COBEM.

Da proximidade com Divaldo, o que mais a marcou quanto à personalidade dele?

Sua resiliência diante dos desafios da vida e a elevada disciplina, características incontestáveis de sua personalidade e, hoje, cada vez mais raras.

Sobre o trabalho que vem executando nos agendamentos da live Conversando sobre Espiritismo, o que lhe ocorre dizer, especialmente com respeito à atividade da transmissão?

É uma atividade muito interessante, pois me oportuniza conhecer e interagir com os mais diversos — e também com alguns dos melhores — expositores espíritas do país. Muitos, no início, sentiam-se inseguros por não saberem quais seriam as perguntas, mas, ainda assim, a maioria sempre aceitou e aceita até hoje o desafio. O programa se mostra uma excelente ponte de comunicação com o público simpatizante do Espiritismo, pela oportunidade que oferece de esclarecer dúvidas, quebrar preconceitos e combater informações equivocadas propagadas por detratores. Além disso, muitas vezes contribui para dissolver mágoas e ressentimentos que as pessoas carregam em relação a acontecimentos passados de suas vidas, pois lança luz sobre esses fatos e os ressignifica à luz da Doutrina Espírita.

E sobre seu vínculo com as outras duas instituições em Salvador?

Foi graças à COBEM que pude conhecer e trabalhar na Mansão do Caminho. A COBEM foi a instituição que me acolheu quando dei meus primeiros passos na doutrina. Como forma de retribuição, atuo voluntariamente na assessoria de comunicação, incluindo site, redes sociais, cobertura de eventos, fotos, gravações etc. Ao Centro Espírita Estrela da Seara cheguei durante a pandemia, quando a maioria das casas espíritas em Salvador estava fechada ou funcionando de forma muito restrita. Desde então mantenho o vínculo e hoje também contribuo com pequenas ações na área de comunicação.

Falando especificamente sobre comunicação para a divulgação espírita, o que mais lhe chama atenção?

Percebo uma dificuldade geral do movimento em acompanhar as mídias digitais mais modernas. Embora hoje já existam muitos canais espíritas conseguindo adaptar-se à linguagem desses meios, em grande parte liderados por jovens, observo que grandes instituições ainda permanecem presas às mídias tradicionais, tentando transpor a mesma linguagem para plataformas como TikTok, Reels do Instagram, entre outras. Isso, em geral, não funciona bem e resulta em baixo engajamento. Os tempos mudaram, e continuam mudando cada vez mais rápido, assim como a forma como as pessoas se comunicam e consomem conteúdo. Esse cenário exige do Movimento Espírita ações mais ágeis e estratégicas para acompanhar as novas plataformas, linguagens e formatos. Esse tem sido o nosso desafio: como atrair e reter a audiência, tão dispersa e distraída com tantas opções.

Fale-nos sobre sua experiência com a TV Web, o canal do YouTube e as plataformas digitais: experiências, dificuldades e conquistas.

Quando me iniciei na TV Web da Mansão do Caminho, eu vinha de um jornalismo voltado exclusivamente para o meio impresso, como jornais e revistas. Foi uma experiência totalmente nova, que me levou a rever muitos conceitos. Durante minha formação acadêmica, foquei quase integralmente nas mídias impressas e não me imaginava trabalhando com som e imagem, mas me enganei. Hoje, vejo esse processo como extremamente enriquecedor, pois a criatividade não tem limites. Atualmente, elaboro roteiros, realizo pequenas edições de vídeo e imagem, escrevo textos narrativos e atuo em diversas frentes da produção. Somos uma equipe pequena, então procuro contribuir em tudo o que está ao meu alcance.

Como mencionei anteriormente, um dos nossos maiores desafios tem sido compreender o que o público espírita deseja consumir no ambiente digital, pois o espírita que está on-line não é o mesmo que frequenta presencialmente a casa espírita. O público da internet costuma ser mais exigente, curioso, com grande sede de conhecimento e aberto ao novo, mas, ao mesmo tempo, demonstra pouco tempo e menor tolerância a conteúdos densos e excessivamente complexos. Nossa principal conquista tem sido, aos poucos, aderir a uma linguagem mais dinâmica e própria do meio on-line, tornando a experiência do espectador mais atrativa.

De suas lembranças nessa vivência toda, o que mais a sensibiliza?

O alcance do trabalho a tantos corações sofridos ou solitários. É muito gratificante saber que algo que ajudei a construir chegou exatamente a quem precisava ouvir ou assistir àquela mensagem. Não tenho palavras para descrever essa emoção, é algo que realmente não tem preço.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

De modo geral, a comunicação espírita ainda precisa aprender a utilizar de forma mais eficaz as ferramentas que a internet hoje nos possibilita. Trata-se de um processo que exige desconstrução para posterior reconstrução. Não é possível fazer divulgação espírita nas mídias digitais da mesma forma que se faz por meio de livros, revistas e jornais. Esses novos meios exigem revisão de posicionamento e de linguagem, pois o público que hoje acessa plataformas como YouTube e redes sociais possui outra mentalidade e está mais aberto à novidade. Além disso, nossa rotina mudou, e isso exige adaptação.

Uma comunicação mais eficaz requer reposicionamento para ampliar o alcance da doutrina e combater a desinformação, ainda muito presente em relação ao Espiritismo. Abrir espaço para os jovens, em parceria com os mais experientes, é um bom começo, sobretudo para romper preconceitos dentro das próprias instituições. Esse é o nosso grande desafio.

Suas palavras finais.

Agradeço profundamente a oportunidade e espero que minhas singelas palavras possam, de alguma forma, colaborar com o trabalho de expansão do pensamento espírita. 


 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita