Não basta dizer: Senhor, Senhor...
“Nem todo o que
me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas
sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus;
esse entrará no Reino dos Céus.” (Mateus
VII, 21.)
Com muita frequência, ouvimos no meio social a
afirmativa de que “os tempos estão chegados”. Sim, o
tempo sempre esteve à nossa disposição. No entanto, o
que se entende com tal conceito é que o momento atual é
propício ao desenvolvimento de ações que nos
possibilitem a prosperidade espiritual.
Em realidade, os problemas que atormentam as criaturas
no mundo já estão plenamente detectados; o que está
faltando, em verdade, é que nos lancemos a trabalhar com
afinco e perseverança na solução definitiva dos mesmos.
Não basta somente aos homens a identificação das causas
dos desequilíbrios sociais e permanecerem vagarosamente
prostrados em discussões, apontamentos, denúncias,
acusações e elaboração de projetos que nunca deixam as
pranchetas para ganharem a prática.
Sim, “os tempos estão chegados”, mas para o trabalho,
para as ações concretas e decididas, para que
arregacemos as mangas e realmente saiamos a produzir.
Jesus, dialogando com Pedro, ensinou o valor e a
necessidade do perdão. E o que fazem as criaturas ante
as intrigas, pugnas e atritos? Falar do perdão é
importante, mas muito mais importante é perdoar,
indistintamente.
O Mestre nos conclamou a amar ao próximo como a nós
mesmos. Que tipo de comportamento estamos exemplificando
junto àqueles que caminham conosco no quotidiano?
Conseguimos amar mesmo aqueles que nos causam
aborrecimentos?
A mensagem evangélica nos exorta a fazer aos outros
aquilo que desejamos a nós mesmos. Quando temos dúvidas
sobre uma decisão, um comportamento ou atitude que
devemos tomar em relação ao próximo, perguntemos a nós
mesmos como reagiríamos se fosse o inverso. Quase sempre
perdoamos em nós o que condenamos nos outros.
O Evangelho do Cristo nos orienta a fazer a caridade sem
ostentação, incentivando a simplicidade e a humildade
junto aos necessitados. Conseguimos ser fraternos e
solidários diante das dores e aflições dos irmãos que
seguem pela vida em condições de angústias e desesperos?
Quando fazemos a caridade, é de forma que a mão esquerda
não saiba o que faz a direita?
Os ensinamentos de Jesus, estando conosco há mais de
dois mil anos, ganharam notável divulgação, tanto que
ninguém, neste mundo, poderá afirmar que nunca ouviu
falar deles, mas “os tempos estão chegados” para que os
vivamos na prática.
As convulsões sociais que ainda impedem a felicidade e a
paz entre as criaturas são sinais inequívocos de que
continuamos a afirmar Senhor, Senhor..., sem realmente
fazer a vontade do Pai Celestial, que nos tem oferecido
as mais valiosas e frequentes oportunidades de trabalho
em favor do bem-estar geral.
“Os tempos estão chegados” para que desenvolvamos
mecanismos de socorro a tantas famílias que experimentam
extrema pobreza; para que amparemos a infância, a
adolescência e a juventude que vivem no abandono e na
indiferença; para que encontremos meios visando amenizar
a angústia dos idosos que vivem sem lar; para que
promovamos a paz e o equilíbrio em nossos lares; para
que exemplifiquemos o respeito, a consideração e a
tolerância no meio social em que mourejamos.
Além de observarmos atentamente os ensinamentos teóricos
de Jesus, imprescindível se torna transformá-los em
ações definitivas, num trabalho sem esmorecimento em
favor da implantação do Reino de Deus na Terra.
Não basta apenas dizer: Senhor, Senhor...