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por Wellington Balbo

 

A velha questão da publicidade, venda de livros e ganhos pessoais no movimento espírita

Kardec preocupava-se com a publicidade das ideias espíritas e tratou desse tema em algumas oportunidades.

Num tempo em que a imprensa ainda engatinhava, sem, naturalmente, os recursos de hoje, Kardec já falava em buscar temas agradáveis ao leitor e a melhor forma de fazê-los circular.

Num artigo publicado na Revista Espírita de 1862, ele pede desculpas aos leitores por colocar assuntos materiais ao lado de questões espirituais, porém, explica que se trata de algo importante, cujos benefícios visam, exatamente, à propagação das ideias espirituais.

É justamente este o ponto que quero chamar a atenção: ideias materiais e espirituais.

De alguma forma temos a tendência de pensar que questões espirituais e materiais não se combinam.

Frequentei muitos centros espíritas e vi, ao longo do tempo, críticas severas, ou nem tanto, ao colega que, por exemplo, divulgava os trabalhos da livraria e a venda de livros. Um amigo, escritor e conhecido no meio espírita, certa vez confidenciou-me, chateado, que após a palestra foi tachado de vendedor de livros, como se fosse a coisa mais absurda do mundo.

Nas palestras que tenho realizado costumo perguntar ao dirigente: - E aí, como estão fazendo pra pagar as contas?

A resposta vem mais ou menos assim:

"Ah, irmão... é complicado falar de dinheiro aqui na casa, o pessoal não gosta de tocar nesses pontos..."

Pois é... tem assuntos espinhosos mesmo, mas que não dá pra jogar debaixo do tapete.

Por isso, gostaria de oferecer um outro ponto de vista: essa distinção entre temas materiais e espirituais deveria ficar apenas na classificação, digamos, teórica, porque, na prática, eles dialogam completamente, sendo o tema material de suma importância para dar prosseguimento à divulgação com qualidade da ideia espiritual.

Um destaque, porém, e levantado pelo próprio Kardec, que tomou o cuidado em dizer, nesse mesmo texto, que não há ganhos pessoais nas publicações, sendo os valores levantados aplicados na própria distribuição da obra para beneficiar quem não pode comprar.

Somos humanos, portanto significa que sempre haverá aqueles que buscarão benefícios próprios sobre uma obra como a doutrina espírita, mas não é porque isso existe que colocaremos todos no mesmo pacote. Há, também, muita gente preocupada apenas na divulgação das ideias espíritas.

E, sejamos realistas e lutemos contra a ingenuidade: vivemos num mundo material, estamos mergulhados nesta vida, de modo que matéria e espírito estarão sempre em franco diálogo.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita