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por Sidney Fernandes

 

Proteção familiar


Jorginho estava com o carro da mãe. Resolveu viajar com um amigo. Nem falou nada em casa, pois ameaçava chuva, e das boas. Na volta do passeio, caiu um temporal nas proximidades do Rio Batalha, entre Bauru e a vizinha cidade de Pirajuí.

Em dado momento, não obstante a robustez do carro, ocorreu o que chamamos de aquaplanagem. Em instantes Jorginho perdeu o controle do veículo, que despencou barranco abaixo, em direção ao rio. Por Deus, o carro parou a poucos metros da margem, cheirando queimado.

— Vai explodir, vai explodir! — gritou Flávio, amigo que o acompanhava.

Felizmente, Jorginho havia lido a respeito e sabia que, quando disparam os "airbags", paira no ar um cheiro forte de queimado. Tranquilizou o companheiro e desligou a chave do contato por precaução. Ambos saíram do carro ilesos. Somente alguns arranhões.

Tomou a decisão de comunicar o acidente aos pais somente quando estivesse em casa. O susto seria menor, ao constatarem que o filho estava ali, são e salvo.

Assim que conseguiram alcançar a rodovia, acionaram o telefone celular pedindo a presença da polícia rodoviária e do guincho. Precisavam registrar o acidente e resgatar o carro da mãe de Jorginho.

Em plena madrugada, tocou o seu celular.

Era seu pai:

— Jorginho, aconteceu alguma coisa?

— Oi pai. Por que pergunta?

— Sua mãe acordou aqui apavorada. Eu ainda tentei convencê-la de que talvez ela tivesse tido algum pesadelo e que você deveria estar em alguma balada ou coisa parecida. Está tudo bem com você, não é, filho?

Jorginho não teve alternativa senão narrar o ocorrido. Ao mesmo tempo, já deduzia como sua mãe havia sabido do acidente.

Sempre fora muito ligado a ela. E desde muito pequeno já se acostumara com a sua proteção espiritual, mesmo dormindo. Provavelmente, em sono, presenciou o acidente e retornou imediatamente ao seu corpo, preocupada com o filho.

Um pai, por exemplo, pode vir a ser o Espírito protetor de seu filho?

— Ele o pode, mas a proteção supõe um certo grau de elevação, um poder ou uma virtude a mais concedida por Deus. O pai que protege seu filho pode ser, ele mesmo, assistido por um Espírito mais elevado.

(Questão 507 d' O Livro dos Espíritos.)


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita