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por Maiza Silva

O Espiritismo como caminho para a educação da diversidade


A diversidade tem se consolidado, cada vez mais, como um tema central nas mais variadas esferas da vida social. Ao abordar aspectos como raça, gênero, orientação sexual, deficiência, entre outros marcadores de identidade, evidencia-se a pluralidade da experiência humana e, com isso, resgatam-se os fundamentos da reencarnação em sua essência mais profunda.

Neste contexto, a Doutrina Espírita, adepta do progresso moral associado aos fundamentos da fraternidade universal, ao construir espaços mais inclusivos e acolhedores, oferece terreno fértil para que todos os seres humanos possam ser reconhecidos como espíritos imortais em sua jornada evolutiva.

No que concerne ao Espiritismo, vale ressaltar que a caridade é a base de toda sua conduta moral. Nesse sentido, ela não se ocupa apenas do acolhimento material, mas busca amparar por meio da escuta afetiva e do respeito, reconhecendo a todos em sua individualidade.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, Allan Kardec destaca: “A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo.” Dessa forma a verdadeira caridade não se limita ao auxílio material ou às palavras de consolo que por vezes dispensamos, mas manifesta-se, sobretudo, na maneira de agir com respeito e empatia para com todos, reconhecendo no próximo um irmão em processo de evolução.

Portanto, o desejo sincero de compreender o outro, livre de preconceitos, e o esforço de criar espaços onde todas as pessoas possam sentir-se vistas, representadas e respeitadas, também fazem parte do projeto da Boa Nova apresentada pelo Cristo.

Mas qual o papel das casas espíritas diante da diversidade?

Historicamente, muitos centros espíritas cresceram dentro de estruturas sociais que não refletiam a diversidade da população brasileira, cuja proposta de conciliar ciência, filosofia e religião não dialogava com parte da população sem acesso à educação formal e aos códigos culturais valorizados pelas elites letradas da época, reproduzindo, mesmo que de forma não intencional, as desigualdades estruturais da sociedade em que se inseriram.

Trabalhar a representatividade de pessoas pretas, LGBTQIAPN+, com deficiência ou de camadas populares, para além da assistência social, nos convida a refletir: o que impede esses espíritos de ocuparem plenamente os espaços espíritas?

Além das barreiras sociais externas, é preciso refletir sobre posturas silenciosas de exclusão, a ausência de diálogo sobre temas contemporâneos e a falta de formação para acolher a diversidade com consciência e responsabilidade.

A Doutrina Espírita, por meio da fé raciocinada, nos convida ao autoconhecimento e à reforma íntima como caminhos para o progresso moral. Um processo que implica não apenas a transformação individual, mas também a ampliação da consciência sobre as relações sociais e os preconceitos que ainda persistem na convivência humana.

Cabe enfatizar que Kardec, em A Gênese, capítulo I, item 55, chamou atenção para a revisão constante da Doutrina Espírita: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

Assim, promover estudos temáticos sobre espiritualidade e diversidade, convidar palestrantes com trajetórias plurais, abrir espaço para o diálogo interseccional e desenvolver ações sociais com foco em grupos historicamente excluídos são formas práticas de tornar as casas mais coerentes com o ideal Espírita da fraternidade.

A  diversidade é parte essencial da experiência do espírito imortal, e não havendo superioridade de um Espírito sobre outro com base em raça, gênero, orientação sexual ou origem, sendo as diferenças entre os seres humanos, questões relacionadas  ao clima, à vida e aos costumes, conforme descrito na questão 52, de O Livro dos Espíritos; a casa espírita, ao reconhecer que todos os espíritos são criados simples e ignorantes, segundo a questão 115 de O Livro dos Espíritos, se converte em um espaço de transformação social, escuta, crescimento e evolução moral, onde  incluir se torna, de fato, reconhecer o outro em sua concretude.

Nesse sentido, permitir que cada pessoa seja quem é, é também uma forma de caridade, capaz de transformar espaços, relações e, principalmente, consciências.

Referências bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 52 – sobre as diferenças entre os seres humanos relacionadas ao clima, vida e costumes. Questão 115 – sobre todos os Espíritos serem criados simples e ignorantes.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XI – sobre a caridade como benevolência universal. “A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo.”

KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo I, item 55 – sobre a revisão constante da doutrina: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado [...]”

 

Maiza Silva reside em Belo Horizonte-MG.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita