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Quem são os
Espíritos que assinam as mensagens
da Codificação? Em
Prolegômenos,
da obra basilar
O Livro dos
Espíritos, encontram-se os nomes
de São João Evangelista, Santo
Agostinho, São Vicente de Paulo,
São Luís, O Espírito de Verdade,
Sócrates, Platão, Fénelon,
Franklin, Swedenborg, entre
outros.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo desfilam
mais de uma dezena de nomes de
Espíritos, mais conhecidos uns,
quase desconhecidos outros, entre
eles os de Delphine de Girardin,
Hahnemann, Henri Heine, Lacordaire,
Lamennais, Morlot, Pascal, Vianney.
Mas, afinal, quem são esses expoentes que
compuseram a equipe de que
descortinou ao
mundo a Terceira
Revelação?
Aqui, interessa-nos alguns dados biográficos
de Delphine de Girardin, que
nasceu em Aix-La-Chapelle, em 26 de
janeiro de 1804, o mesmo ano do
Codificador, e desencarnou na
capital francesa em 29 de junho de
1855. Casou-se com Émile de Girardin, jornalista e político
francês, passando então a ser
conhecida como sra.
Émile de
Girardin.
Ela mesma se
tornou jornalista, após o
casamento em 1831, escrevendo no
jornal La Presse, no período de
1836 a 1848, sob o pseudônimo de
visconde de Launay, interessantes
crônicas da sociedade do tempo de
Luís Filipe. Essas crônicas
ficaram conhecidas como
cartas
parisienses.
Publicou também romances, tragédias e comédias.
Era, positivamente, grande médium
inspirada. Personalidade muito
conhecida no meio poético,
freqüentando os salões literários
de Mme. Récamier, onde se reuniam
as celebridades do momento, muito
natural que ela tomasse contato
com as mesas girantes.
Desde o primeiro contato com as mesas, ela se
convenceu da veracidade das
manifestações. Teve oportunidade
de se encontrar com o professor
Rivail pessoalmente.
Possivelmente, em alguma das
reuniões que ele freqüentava nas
suas pesquisas em torno dos
fenômenos que assombravam Paris.
Amiga pessoal de Victor Hugo, os acontecimentos
políticos do ano de 1851 e o
exílio de seus amigos a marcaram
de forma cruel.
Fiel a amizade, ela decidiu levar conforto moral aos
pobres proscritos. Lançou-se ao
mar e, em 6 de setembro, no verão
de 1855 (06 de dezembro), Madame Delphine de Girardin , desembarca
na Ilha de Jersey para uma visita
à família Hugo, então instalada
numa vivenda conhecida como
Marine Terrace. Ela trazia, além
das novidades da vida política e
social de Paris, notícias sobre a
mania então em voga na
capital
francesa: o contato com os mortos
através da mesa.
Ela, então, contou
aos incrédulos membros da família
Hugo que as mesas davam pancadas e
se inclinavam misteriosamente,
como podiam também ser levadas a
bater palavras inteiras e
sentenças em código. Dinâmica,
contudo, ela não se deixava abater
em demasia. Um pouco triste e
melancólica, mas igualmente feliz
por rever seus amigos, ela
reencontrou Victor Hugo e a
família.
Auguste Vacquerie (1819-1895), que
também visitava a família Hugo,
ele que fora cunhado da jovem Leopoldine, filha de Victor Hugo,
morta tragicamente em um acidente
no Rio Sena, registrou, com
detalhe, a estada de Madame
Girardin em
Marine Terrace:
Era a intuição de sua morte (Mme. Girardin
sabia-se muito enferma e viria a
morrer um ano e pouco depois)
que a fazia interessar-se pela
vida extraterrena? (...)Estava muito preocupada com as mesas girantes e,
creio, a primeira palavra que me
dirigiu foi para perguntar se eu
acreditava nelas. Ela acreditava,
e passava a noite a evocar os
mortos... Ela fazia questão
absoluta que todos os
participassem de sua convicção e,
no mesmo dia da sua chegada,
tivemos trabalho para fazê-la
esperar o fim do jantar.
Levantou-se à sobremesa e arrastou
um dos convivas para o parlour
onde atormentaram uma mesa que, de
resto, permaneceu muda. Ela pôs a
culpa na mesa, cuja forma quadrada
contrariava os fluidos. Na manhã
do dia seguinte foi comprar, numa
casa de brinquedos, uma mesinha
redonda, de um pé só, terminando
em dedo-de-galo.
A mesa adquirida por Mme. de
Girardin servia exatamente a seus
propósitos; entretanto, nada
aconteceu. "Os Espíritos –
esclareceu – não eram cavalos, que
esperam pacientemente o burguês,
mas seres livres e dotados de
vontade; vêm quando querem.” As
sessões foram longas e cansativas.
Victor Hugo, cético, aderiu às
reuniões somente para não
desgostar a amiga.
Após várias e fracassadas
tentativas, eis que se ouviu um
ligeiro estalido na madeira.
Finalmente, no domingo, 11 de
setembro, a concentração, o
silêncio foi recompensado. O
estalido se repetiu. De repente um
dos pés se ergueu. Mme. de
Girardin disse: “Há alguém
presente? Se houver e quiser
falar-nos, dê uma batida. O pé
caiu com um ruído seco – Há
alguém, gritou Mme. de Girardin.
Fazeis as perguntas”.
Uma comunicação aconteceu. Uma comunicação que
mudaria os rumos da vida do grande
poeta francês. Quem se comunicou,
através da mesa foi nada mais,
nada menos que sua filha
Leopoldine. Sua amada filha, morta
durante a lua-de-mel, afogada em
um lago, num passeio de barco com
o marido.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito
de Delphine de Girardin assina a
mensagem A infelicidade real, no
capítulo V, item 24, a seguir
transcrita:
"Todo o mundo
fala da infelicidade, todo mundo a
experimentou e crê conhecer seu
caráter múltiplo. Venho vos dizer
que quase todos se enganam, e que
a infelicidade real não é tudo
aquilo que os homens, quer dizer
os infelizes, a supõem. Eles a
vêem na miséria, no fogão sem
lume, no credor ameaçador, no
berço vazio do anjo que sorria,
nas lágrimas, no féretro que se
acompanha de cabeça descoberta e
de coração partido, na angústia da
traição, na nudez do orgulhoso que
gostaria de se cobrir de púrpura e
que esconde com dificuldade sua
nudez sob os farrapos da vaidade;
a tudo isso, e a outras coisas
ainda, se chama de infelicidade na
linguagem humana. Sim, é a
infelicidade para aqueles que não
vêem senão o presente; mas a
verdadeira infelicidade está nas
conseqüências de uma coisa, mais
do que na própria coisa. Dizei-me
se o acontecimento mais feliz para
o momento, mas que tem
conseqüências funestas, não é em
realidade mais infeliz que aquele
que causa primeiro uma viva
contrariedade, e acaba por
resultar no bem? Dizei-me se a
tempestade que quebra vossas
árvores, mas saneia o ar
dissipando os miasmas insalubres
que causariam a morte, não é antes
uma felicidade do que uma
infelicidade.
“Para julgar
uma coisa é preciso, pois, ver-lhe
as conseqüências; é assim que,
para apreciar o que é realmente
feliz ou infeliz para o homem, é
preciso se transportar além desta
vida, porque é lá que as
conseqüências se fazem sentir;
ora, tudo o que se chama
infelicidade segundo sua curta
visão, cessa com a vida e encontra
sua compensação na vida futura.
“Vou vos
revelar a infelicidade sob uma
nova forma, sob a forma bela e
florida que acolheis e desejais
com todas as forças das vossas
almas equivocadas. A infelicidade
é a alegria, é o prazer, é a fama,
é a agitação vã, é a louca
satisfação da vaidade, que fazem
calar a consciência, que comprimem
a ação do pensamento, que atordoam
o homem sobre seu futuro; a
infelicidade é o ópio do
esquecimento que reclamais
ardentemente.
“Esperai, vós
que chorais! Tremei, vós que
rides, porque vosso corpo está
satisfeito! Não se engana a Deus;
não se esquiva do destino; e as
provas, credoras mais implacáveis
que a matilha excitada pela
miséria, espreitam vosso repouso
ilusório para vos mergulhar de
repente na agonia da verdadeira
infelicidade, daquela que
surpreende a alma enfraquecida
pela indiferença e pelo egoísmo.
“Que o
Espiritismo vos esclareça, pois, e
recoloque em sua verdadeira luz a
verdade e o erro, tão
estranhamente desfigurados pela
vossa cegueira! Então agireis como
bravos soldados que, longe de
fugirem do perigo, preferem as
lutas dos combates temerários, à
paz que não pode dar nem glória,
nem progresso. Que importa ao
soldado perder no tumulto suas
armas, sua bagagem e seus
uniformes, contanto que dele saia
vencedor e com glória! Que importa
àquele que tem fé no futuro deixar
sobre o campo de batalha da vida
sua fortuna e seu manto de carne,
contanto que sua alma entre,
radiosa, no reino celeste?” (Delphine
de Girardin, Paris, 1861.)
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