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Deu-se o fato quando um padre, em Juiz de
Fora, resolveu atacar o
Espiritismo. Os companheiros de
Doutrina acharam por bem pedir
socorro à casa máter, isto é, à
FEB, que, para atendê-los, indicou
o Dr. Imbassahy. Este deveria
comparecer àquela cidade, dita
manchester mineira, para rebater
as acusações do membro
eclesiástico da Igreja.
Na hora em que embarcou, por
ferrovia, para a aludida cidade,
um dos diretores, para ajudá-lo,
entrega-lhe os volumes traduzidos
pela própria FEB, da obra de
Roustaing, dizendo-lhe:
−
Imbassahy: aqui você encontrará
tudo o que precisa para acabar com
o padre!
E o enviado para combater o
eclesiástico, em Juiz de Fora,
aproveitou a viagem para estudar a
obra que ainda não conhecia.
Começou a lê-la. Sua razão,
evidentemente, fê-lo estarrecer-se
do conteúdo
−
ao qual considerou
absurdo
−
daquela obra que tinha
em mãos.
O principal tópico dos debates
seria a ressurreição de Lázaro e
quando Dr. Imbassahy leu as
explicações dadas pela comunicação
mediúnica à Sr.ª Collignon, ficou
horrorizado, pensando no fiasco
que faria se apresentasse aquilo
como argumento para debate.
Foi seu primeiro contato e sua
primeira decepção com Roustaing.
Segundo ele, sua grande sorte foi
a de que o Padre, no dia do
debate, resolveu se ausentar da
cidade e ele, magnanimamente,
preferiu não abordar os temas em
foco.
Como era muito amigo dos diretores
da FEB, suas atribuições perante a
revista, como jornalista, não
sofreram qualquer abalo.
Os tempos se passam e desencarna o
presidente Guillon Ribeiro. Elegem
para substituí-lo um jovem
militante roustaingista, que tinha
outra visão da Doutrina, e que
achava fundamental que todos os
participantes dos cargos diretivos
da Federação Espírita Brasileira
fossem não apenas adeptos, mas
militantes professos do roustaingismo. E, com isso, Dr.
Imbassahy, praticamente, foi
excluído do seu cargo e afastado,
a bem da comunidade, do movimento
federacionista.
Mas, à essa altura, seu lastro
doutrinário e sua fama de escritor
já lhe haviam coroado a carreira
literária. Foi dessa forma que
seus novos livros encontraram uma
série de editores fora do contexto
febiano para serem publicados.
E sua bagagem foi enriquecida com
excelentes livros, cujas edições
esgotadas mereciam nova
republicação.
Afastado da FEB, passou a ser um
dos grandes expoentes, ao lado de
seu querido amigo e conterrâneo
Leopoldo Machado, baluarte dos
movimentos espíritas que não
tinham apoio daquela entidade.
Desse modo, foi orador oficial do
Congresso Sul-Americano de
Espiritismo, realizado no Rio de
Janeiro, participou de todos os
congressos de Escritores e
Jornalistas Espíritas realizados
no Brasil, até seu desencarne,
incrementou o movimento de jovens
e teve importante participação
junto ao I Congresso
Brasileiro de Mocidades Espíritas
(e único);
enfim, destacou-se sobremodo pelo
apoio que sempre deu às Semanas
Espíritas e a quaisquer atividades
doutrinárias que tivessem como
escopo a difusão do Espiritismo.
Junto com sua esposa, participou
do Teatro Espírita, encenando
esquetes e pequenas peças ou
entreatos durante Semanas
Espíritas, escrevendo, até, uma
comédia intitulada Firma Roscof e
Cia, incentivando os jovens
espíritas à arte pura e sadia. Como literato, como
jornalista e como expositor
doutrinário, realizou uma obra
gigantesca que, sem dúvida, deixou
um marco indelével em nosso século
20.
São inúmeros os casos pitorescos
de sua vida, contados em livro e
que merecem ser lidos por todos.
Além de divertir, mostra o
entusiasmo
de um grande baluarte da Doutrina,
que soube aliar a difusão
doutrinária com a arte e com
a sabedoria.
Dr. Alberto de Souza Rocha e o
filho do Dr. Carlos reuniram, numa
obra, uma série de documentos do
Dr. Imbassahy, que ainda não veio a
lume porque nosso querido
companheiro Alberto desencarnou
antes de completar seu trabalho.
São acervos do arquivo pessoal do
grande escritor, com cartas
particulares, inclusive uma
endereçada a Wantuil de Freitas,
quando presidia a FEB, que é um
libelo terrível contra o roustaingismo.
Não poderia falar do Dr. Imbassahy
sem fazer uma especial referência
à sua esposa, dona Maria, médium
de excelentes predicados e que era
seu braço forte, no incentivo e em
tudo mais que uma companheira
dedicada e apaixonada pode fazer
por seu marido.
Discorrer sobre o casal, seria
escrever outro livro.
Dona Maria também era uma
excelente comediante, só que nunca
se dedicou à profissão, senão
participando ao lado do esposo em
sua apresentações cênicas no meio
espírita. Faziam um par impagável
e juntaram-se ao Olympio Campos,
outro excelente ator que, depois
de crescido, órfão de pais, elegeu
o casal para ser seus novos
genitores. Os três juntos faziam
as cenas de humor nas Semanas
Espíritas de que participavam,
mostrando que a arte sadia também
tem lugar dentro do movimento
espírita.
O casal Imbassahy teve um único
filho, o Carlos, por
quem se redobravam em cuidados,
coisa comum de pais que têm filho
único.
O neném, o menino, o rapaz, o
adulto, o pai dos seus netos, para
eles, era uma eterna criança. Tais
os desvelos e cuidados que tinham,
aliados à preocupação natural em
tais casos.
Casaram-se tarde. Quando o filho
nasceu já tinham idade suficiente
para conhecerem a vida, contudo,
um filho é sempre um filho.
Dr. Imbassahy teve uma vida de
glórias. De um comportamento
espiritual exemplar, nunca faltou
àqueles que lhe pediam ajuda.
Certa vez, um pobre camundongo,
fugindo à fúria dos seus
perseguidores, procurando abrigo
sob o salto de seu sapato, não foi
denunciado, porque Dr. Imbassahy
não teve coragem de delatar o
roedor que procurou salvação junto
a ele.
Foram inúmeros e sinceros os seus
amigos. São casos altamente
pitorescos os que envolvem o seu
relacionamento com eles. Coisas
curiosas que recomendam a leitura
das suas memórias.
Finalmente, aos 84 anos, foi
acometido de uma leucose aguda
que, em pouco mais de seis meses,
levou-o à sepultura. Seu enterro,
em 4 de agosto de 1969, concorridíssimo,
deixou uma lacuna dentro do
movimento espírita. E, até hoje,
ainda não se encontrou um
substituto à altura para seu
lugar.
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