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Crônicas e Artigos

Ano 6 - N° 301 - 3 de Março de 2013

ANSELMO FERREIRA VASCONCELOS
afv@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)

 
 


Evitando a dor do remorso 


Como não poderia deixar de ser, a tragédia de Santa Maria tem produzido muita consternação em todo o país. Eventos como este causam uma enorme sensação de impotência e perplexidade ao mesmo tempo. Muitos perguntam como pôde acontecer tamanha desgraça. Outros tantos indignados desabafam: “mas eram tão jovens!...” e assim por diante. Acreditamos que pelo menos duas explicações básicas e sucintas podem ser utilizadas para explicar o estarrecedor episódio. A primeira, a própria imprensa a apresentou com muita competência jornalística, aliás. Nesse sentido, fiquemos apenas com um recente e esclarecedor editorial da revista Veja que nos parece abarcar a essência do problema na sua dimensão material: “... as moças e os rapazes foram vítimas de uma sucessão de erros, de desleixo, negligência, de desapego às leis e às normas de segurança, subprodutos da corrupção de valores que se impregnou no tecido social brasileiro e que está nos cobrando um preço alto como nação”.  

De fato, condutas como as acima descritas estão impregnadas nas instituições localizadas em todos os quadrantes do país. De uma forma ou de outra, tais coisas enxameiam a nação atrasando o seu progresso à medida que se criam dificuldades sem conta para se vender facilidades, assim como pela ganância inconsequente e desmedida de muitos empresários e organizações. Mas até aí nada de novo. O aspecto positivo na dimensão ora analisada, se assim podemos nos referir, é que as autoridades públicas estão fechando centenas de casas noturnas em todo o país, isto é, aquelas que não se enquadram nas leis de segurança. Como se diz popularmente, “antes tarde do que nunca”.   

A segunda explicação – menos óbvia para a maior parte das pessoas – trata da questão espiritual aí implícita. Nessa perspectiva, elucidam-nos os Espíritos que as provações coletivas têm um efeito purificador, bem como de indutor do progresso, conforme se infere lendo-se, por exemplo, sobre a lei de destruição e do progresso contidas em O Livro dos Espíritos. Evidentemente, também se inserem aí os sábios mecanismos de reajuste previstos pela lei de causa e efeito aos quais aqueles jovens estão igualmente subordinados. Posto isto, não há nenhuma dúvida que, no momento oportuno, as entidades espirituais se manifestarão sobre o assunto tal como já o fizeram no passado em situações ainda piores.

De qualquer maneira, no Evangelho somos devidamente informados por Jesus Cristo a respeito do tema – ou seja: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Matheus, 18:7). Portanto, tragédias como a acima mencionada não ocorrem “por acaso”. Há algo de transcendente nelas que cumpre entender e aceitar. Não há outro jeito!

Todavia, os seus perpetradores têm – os agentes do “escândalo”, conforme referido pelo Mestre – um papel capital na tessitura de todo esse evento. Como sói acontecer em tais circunstâncias, todos os atores nela envolvidos têm procurado se esquivar como podem das acusações de participação nos lamentáveis acontecimentos. Como as leis brasileiras são frouxas, não seria de admirar que consigam evitar uma punição mais severa. Entretanto, o vírus da culpa – seja ela direta ou indireta – já os contaminou. Ter o nome exposto publicamente como malfeitor, irresponsável, funcionário público relapso, negligente ou corrupto, só traz desonra e opróbrio. Ser vinculado de maneira negativa às causas de tanta dor e sofrimento é algo que – mais cedo ou mais tarde – eclodirá como um irrefreável sentimento amargo de culpa e remorso no coração dos envolvidos. Não temos nenhuma dúvida sobre isso.

A conclusão do devido ajuste de contas, por sua vez, resultante da transgressão às leis divinas, poderá demorar muito ainda, mas certamente ele já começou. Ter-se a clara percepção de que pessoas morreram porque falhou no cumprimento do dever público, ou porque o interesse material egoístico e ganancioso prevaleceu acima até mesmo de vidas humanas, é algo aterrador para o bem-estar de qualquer Espírito. Nesse sentido, o Espírito Joanna de Ângelis na sua imensa lucidez faz interessantes considerações na obra Atitudes Renovadas (psicografia de Divaldo P. Franco), como a que mencionamos a seguir: “A falta, porém, do amor no ser humano, torna-se grave problema existencial que o conduz ao desespero mesmo que silencioso, ao sofrimento desnecessário, que poderiam ser resolvidos no aproximar-se um do outro com o objetivo destituído de lucro”. 

Infelizmente, nos depoimentos colhidos até o momento em que escrevemos estas modestas linhas e o farto noticioso disponível, fica evidente que o desejo excessivo de ter, possuir e acumular de um lado, e a irresponsabilidade e omissão do outro, tiveram pesos consideráveis no desenrolar dos nefastos acontecimentos. Cabe considerar que todos nós somos tentados a abdicar do caminho do bem através de inúmeras formas e meios. Mas o nosso desafio é o de nos mantermos firmes nessa senda porque é ela que nos conduzirá à salvação.

No mundo hodierno tem que se ter muita coragem moral para seguir essa vereda libertadora. Abrir mão das facilidades da vida material e viver modestamente com o salário justo é algo que incomoda a muitos. Os apelos do consumismo, da vida prazerosa e do poder efêmero são muito fortes em nossa civilização. Todavia, não há como contestar que representam sérias ameaças para a alma. Quantos retornam ao mundo das provas com claros compromissos de ajudar no progresso humano com a sua inteligência e capacidades, mas se perdem ao longo do trajeto? Certamente muitos.

Todavia, a nossa proposta é para que busquemos sempre dilatar a nossa capacidade de empatia. O bem-estar do outro deve ser um objetivo diário de vida, pois é através dele que nos revelamos a Deus. O nosso trabalho por mais simples que seja impacta, de alguma maneira, a vida de outros. Ademais, como bem observa o Espírito Lancellin, na obra Cirurgia Moral (psicografia de João Nunes Maia), “A alma que vive procurando a perfeição no que faz, concentra suas energias no que tange à sua própria conduta e apara suas arestas, para que a saúde se manifeste em seu coração e se instale em todo o seu corpo”. Assim sendo, prossigamos firmes no compromisso de fazer o melhor e mais perfeito ao nosso alcance para que a nossa consciência esteja sempre em paz e a nossa saúde equilibrada.   

        

 


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