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Clássicos do Espiritismo
Ano 6 - N° 295 - 20 de Janeiro de 2013
ANGÉLICA REIS
a_reis_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)
 

 

A Personalidade Humana

Fredrich Myers

(Parte 20)

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Personalidade Humana, de Fredrich W. H. Myers, cujo título no original inglês é Human Personality and Its Survival of Bodily Death. 

Questões preliminares 

A. Como Myers explica os casos de estigmatização?

Segundo Myers, a estigmatização, que durante um tempo enorme foi considerada como uma fraude por alguns e como um milagre por outros, não constitui mais do que um efeito da autossugestão sobre o sistema vasomotor, que possui uma plasticidade extrema e um maravilhoso poder de reação. A estigmatização seria, assim, uma vesicação sugerida ao próprio indivíduo durante o êxtase pela contemplação permanente das chagas de Cristo. (A Personalidade Humana. Capítulo V – O hipnotismo.)

B. O medo que certos oradores e atores revelam pode ser suprimido pela sugestão?

Sim. Certas pessoas podem, em cena ou na tribuna, dar a aparência da genialidade, evocando com a sugestão ou a autossugestão uma corrente subliminar de ideias ou de palavras, de gestos dramáticos ou de entonação que evitaria ao artista colocado em tais condições as violências e torpezas que cometeria sem ela. (Obra citada. Capítulo V – O hipnotismo.) 

C. Pode uma pessoa hipnotizada cometer um crime sob a influência da sugestão?

Diz Myers, no tocante aos crimes supostamente cometidos por pessoas hipnotizadas sob a influência da sugestão, que sua veracidade não foi até hoje demonstrada, apesar de todos os esforços realizados nesse sentido. (Obra citada. Capítulo V – O hipnotismo.)

Texto para leitura 

465. Vou agora abordar o estudo dos efeitos dinamogênicos da sugestão sobre os processos vitais centrais, isto é, que afetam o sistema vasomotor, o sistema neuromuscular e os trajetos sensoriais centrais.

466. No que concerne aos efeitos da sugestão sobre o sistema vasomotor, estes são conhecidos por todos e as experiências acerca deles são de uma simplicidade infantil: coloca-se sob as narinas de um indivíduo um frasco que contém amoníaco, dizendo-lhe que é água de colônia; o sujeito aspira o odor com prazer e seus olhos não lacrimejam. Faz-se a experiência contrária, isto é, dá-se água de colônia e diz-se que é amoníaco; o sujeito espirra e os olhos lacrimejam. Essas experiências mostram a influência que a sugestão hipnótica é capaz de exercer sobre a atividade secretora das glândulas.

467. A “estigmatização”, que durante um tempo enorme foi considerada como uma fraude por alguns e como um milagre por outros, não constitui em nossa opinião mais do que um efeito da autossugestão sobre o sistema vasomotor, que possui uma plasticidade extrema e um maravilhoso poder de reação. A estigmatização não é, com efeito, mais do que uma vesicação (1) sugerida ao próprio indivíduo durante o êxtase pela contemplação permanente das chagas de Cristo.

468. Os efeitos da sugestão sobre nossas faculdades sensoriais centrais, sobre nossa faculdade de representação interna de visões, de sons, etc., são muito mais importantes e só foram tratados até agora de forma superficial. Esses efeitos são conhecidos pelo nome de alucinações. Ocupar-nos-emos das alucinações no capítulo sobre o automatismo sensorial. Agora somente diremos que, longe de considerar as alucinações hipnóticas como o efeito de uma inibição, como a expressão de um monoideísmo, ao contrário, enxergamos nelas uma manifestação dinamogênica, uma intensificação da imaginação, que se relaciona às vezes a temas fúteis, mas que de todos os modos representa uma faculdade de ordem superior, indispensável, de uma forma ou de outra, à produção das obras que mais admiramos.

469. Esse poder intenso de imaginação não é só efeito da sugestão; possui ainda outra característica, a de confundir-se com nosso eu subliminar e de persistir ali em estado latente. Tal prova nos é proporcionada pela exatidão e precisão com que se executam as sugestões pós-hipnóticas, isto é, as ordens sugeridas durante o sono hipnótico, mas que devem ser executadas mais tarde, em data e hora determinados, através de um sinal convencionado. No momento de executar esta ordem, o indivíduo cai, momentaneamente, no sono hipnótico e não se recorda de a ter executado. Isso prova que a ordem sugerida formava parte de uma corrente de recordações que existia simultaneamente com aquela do estado de vigília, mas sem relações com esta última.

470. A faculdade subliminar que preside as alucinações se exerce em limites muito amplos, tão amplos como os limites nos quais se manifestam os efeitos terapêuticos da sugestão. Com efeito, as alucinações pós-hipnóticas não afetam unicamente a vista e o ouvido (aos quais, com frequência, se restringem as alucinações espontâneas), mas todas as reações vasomotoras e todas as sensações orgânicas, cardíacas, gástricas, etc., e produzem efeitos que artifício algum conseguiria produzir nas pessoas durante a vigília.

471. A sugestão atua intensificando nosso poder e nossas faculdades sensoriais comuns, elevando a um grau inacessível, no estado normal, nossa capacidade de percepção periférica ou central. Pode-se perguntar até que ponto os órgãos terminais especializados participam nessa atividade exagerada de percepção, e a resposta a esta pergunta nos permitiria esclarecer o estranho fenômeno conhecido sob o nome da transposição dos sentidos e que equidista entre a hiperestesia e a telestesia ou a clarividência.

472. Sabe-se em que consiste esse fenômeno: é, por assim dizer, a substituição de um órgão dos sentidos por outro, como, por exemplo, a visão com o auxílio da ponta dos dedos, etc. Trata-se de uma verdadeira substituição; mas, pergunta-se, um órgão é, realmente, capaz de assumir a função que não lhe corresponde e que é da jurisdição de outro órgão definido? Não o creio. A meu ver, as pontas dos dedos não constituem, no caso em questão, um órgão da visão, como as zonas chamadas hipnógenas não constituem órgãos destinados à transmissão da sugestão hipnótica. Trata-se, antes, de um estado de telestesia que não implica necessariamente a percepção pelo organismo corporal; só o espírito que percebe desta forma supranormal se encontra sob a impressão de que percebe através deste ou daquele órgão corporal.

473. Chego, neste momento, à terceira ordem dos efeitos dinamogênicos da sugestão: à sua influência em especial sobre a atenção, a vontade e o caráter, este último resultado da direção e da persistência da atenção voluntária. Constatamos, nos fenômenos hipnóticos tratados nesta obra, que a inteligência intervém em certa medida e grau.

474. Passemos agora de uma fase da consciência e da atividade inteligente a outra mais elevada. Pode-se reconhecer, na consciência deste tipo, três graus:

a) ignoro completamente a maneira pela qual o sangue flui em meu braço; é um processo orgânico que se realiza inteiramente sob o nível da consciência;

b) sei, até certo ponto, como movo o braço; é um processo orgânico associado a certas sensações conscientes de escolha e vontade;

c) a partir do momento em que movo o braço, posso compreender, de maneira mais uniforme do que nas fases anteriores, como escrevo letras num papel.

475. Esse ato encerra um elemento considerável de capacidade adquirida e de escolha consciente. Mas o que desta vez nos propomos a demonstrar é o modo pelo qual a sugestão hipnótica realiza a passagem da fase “b” à fase “c”, isto é, da fase em que o elemento consciente desempenha um papel mínimo à fase em que seu papel se torna importante e complexo.

476. Consideremos, por um momento, o grau de inteligência que intervém nas modificações do organismo, produzidas pela sugestão hipnótica, como a formação de bolhas cruciformes (2). Esta formação supõe, com efeito, uma combinação de capacidades bastante raras: a capacidade de impregnar as modificações fisiológicas com uma direção nova e a de reapresentar-se e imitar uma ideia abstrata, arbitrária, não fisiológica: a ideia de cruciformidade.

477. Tudo isso é, na minha opinião, a expressão de um controle subliminar sobre todo o organismo, controle mais eficaz e profundo do que o supraliminar. E, para dar uma aparência mais concreta a essa expressão abstrata, eu descreveria esse aumento da capacidade de modificação do organismo como uma volta à plasticidade primitiva; essa plasticidade latente durante o estado normal é despertada com a sugestão. Esse despertar não se dá às cegas, nem conscientemente, antes, parece-se a um capricho inteligente. Por exemplo, a vesicação cruciforme localiza-se de acordo com um plano predeterminado, o que prova que o processo não é completamente cego e, por outro lado, muitos indivíduos atingidos por ele ficariam contentes de se verem livres dele, o que prova que o processo não é nem consciente nem voluntário; tudo o que se pode dizer é que a ordem, em virtude da qual se formam as bolhas cruciformes, é uma ordem caprichosa, mas executada inteligentemente. Estamos aqui na presença de uma atividade dos centros do nível médio que põe em marcha as faculdades subliminares.

478. Chegamos agora às sugestões que afetam mais diretamente as faculdades centrais e se dirigem mais aos centros de nível superior. Citemos, primeiramente, os fatos em que as faculdades superiores obedecem a sugestões feitas tendo em vista fins puramente caprichosos. Falei, anteriormente, dos cálculos realizados subliminarmente, em virtude de sugestões pós-hipnóticas. Estas sugestões, a prazo fixo, isto é, ordens dadas durante o sono e que devem ser executadas em circunstâncias determinadas, depois de um lapso de tempo definido, mostram-nos o grau de inteligência que pode entrar em jogo, fora de qualquer intervenção da consciência supraliminar.

479. Milne Bramwell ordena a um indivíduo hipnotizado que trace uma cruz quando tenham transcorrido 20.180 minutos a partir do momento em que a ordem tenha sido dada. O fato de que essa ordem tenha podido ser executada demonstra que existe uma memória subliminar ou hipnótica que se mantém durante o transcorrer de nossa vida comum e que desperta quando aparecem circunstâncias propícias para que a ordem seja executada. Das experiências desse gênero e dos fatos já citados, de solução de problemas aritméticos durante o sonambulismo, resulta que, graças à educação, esta acuidade da memória subliminar é suscetível de auxiliar bastante nossa atividade supraliminar.

480. Todos compreendem que o que Richet chamou de objetivação dos tipos é produzido durante a hipnose com uma vivacidade muito maior do que no estado normal e sabe-se igualmente que o “medo” (dos atores ou dos oradores) é uma emoção que a sugestão pode facilmente suprimir. Certas pessoas podem, em cena ou na tribuna, dar a aparência da genialidade, evocando com a sugestão ou a autossugestão uma corrente subliminar de ideias ou de palavras, de gestos dramáticos ou de entonação que, ainda que não seja de rara qualidade, evitaria ao artista colocado em tais condições as violências e torpezas que cometeria sem ela.

481. Aqui também a hipnotização constitui uma espécie de extensão do “automatismo secundário”, isto é, uma eliminação da consciência comum dos movimentos (o caminhar, os movimentos dos dedos sobre o piano, etc.) frequentemente executados. E esses fatos fazem-nos entrever a possibilidade da associação, no homem, da estabilidade do instinto e da plasticidade da razão. O inseto, por exemplo, realiza com grande facilidade e perfeição certos atos difíceis que lhe são ditados por um instinto, que nada mais é, com frequência, do que uma “inteligência decadente”, um esforço vagamente consciente no início e que, à força de se repetir inúmeras vezes, transformou-se num automatismo ininteligente, contudo preciso.

482. O homem é frequentemente guiado por um automatismo secundário desse gênero, mas em grau ínfimo, se compararmos com a frequência pela qual se manifesta, com a quantidade de trabalho que efetua em virtude de um esforço consciente. Esse automatismo é suscetível de se estender em duas direções e o homem chega a cumprir com indiferença as necessidades desagradáveis e com facilidade as difíceis.

483. O hipnotismo pode ter um grande valor prático do ponto de vista do desenvolvimento da atenção em geral, que constitui um dos fins a que se propõe a educação. A incapacidade, a indolência, a falta de atenção repartem entre si a maioria das faltas e dos erros que cometemos diariamente. A falta de atenção é, sem dúvida, frequentemente, uma forma especial de indolência; mas, em outros casos, pode ser “constitucional” até o ponto de não poder ser vencida por um esforço enérgico da vontade.

484. Se nos fosse possível cortar essa precipitação do foco central até os centros indesejáveis de ideação como podemos deter os movimentos desordenados da moléstia de Parkinson, resultaria numa elevação do nível da inteligência humana, não do ponto de vista qualitativo, mas do ponto de vista quantitativo, ao se prever as perdas.

485. Os conhecidos casos das enfermeiras do Dr. Forel que podiam, graças à sugestão, dormir profundamente junto aos enfermos de que tinham que cuidar, não despertando senão quando os enfermos tinham necessidade de serem atendidos, demonstra que a atenção pode ser concentrada em impressões escolhidas e determinadas e evitado o desgaste de energia por meios mais eficazes do que os exercícios comuns da vontade.

486. No que diz respeito à influência da sugestão sobre a vontade, limitar-me-ei aqui a chamar a atenção sobre a energia e a resolução com que se realizam as sugestões hipnóticas, sobre a ferocidade mesma, com que o sujeito hipnotizado afasta as resistências mais vigorosas. Não creio que o sujeito hipnotizado se exponha assim a graves riscos, porque estou convencido (com Bramwell e outros) que o sujeito hipnotizado se dá conta vagamente de que não se trata, em suma, mais do que de um experimento.

487. De todas as maneiras, corre um certo risco, conduz-se como deve conduzir-se um homem resoluto e cheio de confiança em si, por mais tímido e agressivo que seja seu caráter habitual. E creio que se pode tirar muitas vantagens dessa confiança temporária em si mesmo que a sugestão faz nascer no indivíduo.

488. Aí temos um meio adquirido de inibição contra timidez e contra desconfiança do indivíduo acerca de si, tal como se manifesta no estado supraliminar, e a possibilidade de concentrar o eu subliminar sobre um objeto determinado, por mais difícil que seja de se conseguir. Em outras palavras, estamos de posse de um meio que permite tirar o maior partido possível das faculdades inatas do indivíduo e esperamos fazê-lo executar não só excursões clarividentes, mas também exercer uma ação a distância sobre a matéria, a telecinesia.

489. Admite-se, geralmente, que a hipnose debilita a vontade, que as pessoas hipnotizadas sofrem cada vez mais a influência do hipnotizador, que pode sugerir ao sujeito atos criminosos. E, sem dúvida, não há nada mais fácil, tanto para o sujeito como para o hipnotizador, do que prever e afastar as influências indesejáveis. Um amigo fiel nada mais tem do que sugerir ao sujeito hipnotizado que ninguém será capaz de lhe sugerir o que for, e obterá o resultado almejado. No que concerne aos crimes supostamente cometidos por pessoas hipnotizadas sob a influência da sugestão, sua veracidade não foi até hoje demonstrada, apesar de todos os esforços realizados nesse sentido. (Continua no próximo número.) 

 

(1) Vesicação: ato de gerar vesículas, como, por exemplo, mediante substância irritante. 

(2) Cruciforme: em forma de cruz.



 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita