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Crônicas e Artigos

Ano 5 - N° 229 - 2 de Outubro de 2011

JORGE HESSEN
jorgehessen@gmail.com
Brasília, Distrito Federal (Brasil)
 

Revista Reformador, admirável fonte de paz e amor


Fundada em 21/1/1883 por Augusto Elias da Silva, o Reformador foi um dos mais audaciosos empreendimentos de publicação espírita no Brasil. Isto porque fundar e conservar um órgão de propaganda espírita, na Corte do Brasil, era, naquele período, para entibiar o ânimo dos espíritas mais resolutos. Uma vez que dos púlpitos brasileiros, principalmente dos da Capital, choviam anátemas sobre os espíritas, os novos hereges que cumpria abater. Escreveu Augusto Elias: "Abre caminho, saudando os homens do presente que também o foram do passado e ainda hão de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: o ‘Reformador’ (grifamos). Com essas palavras inaugurais apresentava-se, ao mundo, o novo órgão da divulgação espírita”. (1) 

O artigo de fundo do primeiro número traçava as diretrizes de paz e progresso pelos quais se nortearia o órgão evolucionista da imprensa espírita, definindo ainda os relevantes objetivos que tinha em vista alcançar. Apresentou-se, portanto, o "Reformador" como mais um semeador da paz, apetrechado da tolerância e da fraternidade, desfraldando a bandeira do paradigma Ismaelino: Deus, Cristo e Caridade. Até 1888 a redação do periódico funcionou (num ateliê) na residência de Augusto Elias da Silva. Era um jornal quinzenal de quatro páginas e estima-se que sua tiragem inicial era de aproximadamente 300 exemplares, contando com cerca de uma centena de assinantes. A partir de 1902 passou ao formato de revista, inicialmente com 20 páginas e periodicidade bimensal. Na década de 30 passou a ser mensal, e o número de páginas aumentou gradativamente, até as atuais 40 páginas. Em 1939, a FEB adquiriu e instalou as máquinas impressoras próprias, nas dependências dos fundos do prédio da Avenida Passos. Foi uma decisiva empreitada, um novo alento na trajetória do difusor doutrinário na "Pátria do Evangelho". Graças a essa providência, as edições e reedições de livros espíritas começaram sua grande expansão.  

Com a instalação do Departamento Editorial, em 1948, em amplo edifício especialmente construído em São Cristóvão/Rio de Janeiro, a "Casa de Ismael" deu sólida estrutura a todo seu complexo editorial. (2) Nos anos 70 a FEB iniciou as impressões do Reformador com as capas coloridas, substituindo inclusive o logotipo e desenho e a Revista tomou novo aspecto gráfico, com excelente recepção. Na sua extraordinária trajetória, "Reformador" esteve intimorato ao lado de causas justas, como a abolição da escravatura e a tolerância religiosa, preservando até hoje o caráter genuinamente espírita e cristão da revista, que se tornou um dos veículos principais do desenvolvimento da doutrina espírita no mundo.  

A propósito, "a obra da Federação Espírita Brasileira, que se molda no espírito da Codificação Kardequiana e no Evangelho de Jesus, tem-se refletido no movimento espiritista de vários países da Europa, das Américas, da Ásia e da África, ensejando contatos fraternos de expressiva importância no que diz respeito às finalidades primaciais do Espiritismo”. (3) No transcorrer das décadas que se seguiram à sua fundação, duas guerras mundiais estremeceram as estruturas da Terra e diversas convulsões sociais desestabilizaram nosso País.  

Nesse contexto histórico, irrompiam em diversos países os totalitarismos bolchevistas, fascistas, nazi-fascistas. Irrompem-se a filosofia e movimento existencialista e a licenciosidade, porém, sem amargar os ressaibos amargosos dos estrugidos da violência; "Reformador" disseminava através de suas páginas, como manancial de esperança, preciosos estudos e oportunos comentários sobre a Boa Nova do Cristo e a Codificação Espírita de Allan Kardec, estimulando os esforços mais nobres dos Espíritos bem-intencionados, no rumo da confraternização e da paz mundial. "Reformador" continuou sempre a singrar, com equilíbrio sereno e inabalável, o agitado oceano das ideias em conflito, repetindo, mês a mês, com imperturbável segurança, a mensagem da verdade e do perdão, do trabalho, da solidariedade e da tolerância, em nome da Terceira Revelação. Hoje é o decano da imprensa espiritista em nosso território e um dos mais antigos do Mundo, entre os similares.  

Conforme consignam os "Anais da Biblioteca Nacional" (Vol. 85), a revista Reformador é um dos quatro periódicos surgidos no Rio de Janeiro, de 1808 a 1889, que sobreviveram até os dias atuais. São eles, a saber, pela ordem: "Jornal do Commercio" (1827); "Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro" (1839); "Diário Oficial" (1862); "Reformador" (1883). (4) Excetuando-se o "Diário Oficial", Reformador é o único que nunca teve interrompida sua publicação.  

Conservando as diretrizes que lhe foram assentadas desde sua fundação, jamais divergiu do programa de estudar, difundir e propagar o Espiritismo sob o seu tríplice aspecto (científico-filosófico-religioso), e, se deu maior importância à face moral e religiosa da Doutrina, não desconheceu, entretanto, e não desconhece o justo e real valor da experimentação científica e das reflexões. "A trajetória secular do Reformador virtualmente se confunde com a própria história da Casa de Ismael” (5) da qual é o porta-voz e a representação do seu pensamento. Todos os espiritistas conhecem sobejamente a orientação editorial do órgão febiano. Servindo de mensageiro da Federação Espírita Brasileira, expressa seu pensamento e suas diretrizes. Está permanentemente a serviço do Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita, e isto diz tudo.  

Sempre esteve na estacada, em defesa do Movimento Espírita, das Instituições Espíritas, dos espíritas, contra os ataques, as perseguições e os preconceitos de qualquer ordem ou procedência. Nessa linha de coerência, tem expressado sempre a coragem serena dos que pugnam pela prevalência da verdade, da justiça e da fraternidade entre os homens. "Como se expressava o Codificador, a unidade da Doutrina é a fortaleza ante a qual as dissidências se fundirão e os sofismas quebrar-se-ão ante princípios sustentados pela razão”. (6)  

Para a consubstanciação desse projeto, "há mais de um século, ‘Reformador’ vem doutrinando e consolando as massas brasileiras, principalmente, na proposta eficaz de transformação dos preconceitos arraigados e de ideias que estorvam a evolução espiritual”. (7) Nesse sentido, Emmanuel se expressa: "Para que todos sejam um”. (8) A rigor, a Unificação é um processo lento, de amadurecimento, que caminha no sentido de estimular a vivência de participação, de intercâmbio e de respeito entre as instituições espíritas, considerando suas diversidades de condições, respeitando-se a autonomia administrativa que dispõem. (9) 

Para alguns confrades a FEB difunde demasiadamente (via Reformador) o aspecto religioso da doutrina, motivo pelo qual, nutrem certa ojeriza bastante estranha frente a tudo que tenha laços com a religião. Várias instituições laicas vêm tentando ingerir-se no Movimento Espírita brasileiro. Companheiros que afirmam não ser o Espiritismo o Consolador Prometido, pois Espiritismo e Cristianismo seriam duas doutrinas distintas. (sic) Negam a adjetivação cristã ao Espiritismo. Nesse vórtice confuso não admitem submissão a qualquer poder constituído; as regras, para o espírito anarquista, são atropelos para o livre-pensar, por isso, usando a liberdade como bandeira de suas teses estranhas, são convictos de suas "sapiências" e julgam que suas ideias são a expressão da verdade. No que reporta à intransferível tarefa institucional da FEB, ressaltamos as instruções de Allan Kardec, quando trata da organização do Movimento Espírita.  

O mestre lionês demonstra não só a necessidade do órgão diretivo, mas como deveria funcionar. Por forte razão, deixar a Doutrina Espírita solta à volúpia insuperável das interpretações pessoais pode transformar o Movimento Espírita numa confusão sem precedentes. Quem não entende a necessidade de uma instituição unificadora, torna-se partidário do que se chama movimento "anárquico-libertário"(?!). E não são poucos os remanescentes de tais arroubos progressistas formando escolas de um Espiritismo à moda sob os frágeis pilares das meias verdades.

Com o objetivo de alcançar harmonioso relacionamento com os centros espíritas adesos, a FEB e o Reformador materializam o compromisso junto às federativas estaduais [sintonizadas com a FEB] de evitar a dispersão sistemática e generalizada, em caminho de desintegração, por força de interferências estranhas. Até porque a unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável da Doutrina Espírita. Ao lembrar, pois, a importância da revista Reformador, dentro da conjuntura atual do Movimento Espírita Mundial, recomendamos a todos sua leitura, como fonte de paz e amor e poderoso antídoto contra os venenos das discórdias e desuniões. 

 

Referências

1 - Disponível em http://febnet.org.br/site/conheca.php?SecPad=3&Sec=188.

2 - Departamento Editorial e Gráfico funciona em prédio próprio, à Rua Souza Valente nº 17, no Rio de Janeiro (RJ), e já publicou cerca de 6.000.000 de exemplares das obras de Allan Kardec e mais de 12.600.000 de outras obras espíritas, entre as quais se incluem, com mais de 8.300.000 de exemplares, os livros mediúnicos recebidos por Francisco Cândido Xavier. Algumas dezenas de obras didáticas e doutrinárias foram editadas em Esperanto pela Federação Espírita Brasileira, que desde 1909 propaga a Língua Neutra Internacional nos meios espíritas e até mesmo no seio de coletividades leigas. (Fonte: Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita baseado em Publicação da FEB).

3 - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita baseado em Publicação da FEB.

4 - Juvanir Borges de Souza In Reformador Janeiro de 2003.

5 - Reformador: porta-voz da espiritualidade superior - artigo de Francisco Thiesen In Reformador de outubro de 1972.

6 - Juvanir Borges de Souza, artigo Allan Kardec e a Unificação , disponível em acessado em 21/11/2005

7 - Frase extraída do capítulo sobre Augusto Elias da Silva de Grandes Espíritas do Brasil, 2ª. ed., revista e corrigida, Rio, FEB, 1969.

8 - (João, 17:22).

9 - O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto.
 


 


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