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Clássicos do Espiritismo
Ano 5 - N° 229 - 2 de Outubro de 2011
ANGÉLICA REIS
a_reis_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)


O Espiritismo perante a Ciência

 Gabriel Delanne

(Parte 22)

 
Damos continuidade nesta edição ao estudo do livro O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, conforme
tradução da obra francesa Le Spiritisme devant la science, publicada originalmente em Paris em 1885.

Questões preliminares

A. No fenômeno da  bicorporeidade há semelhança entre o corpo físico da pessoa e seu duplo fluídico?

Sim. Os fatos mostram que o duplo fluídico reproduz, identicamente, os traços do indivíduo no qual o fenômeno se processa. A semelhança é de tal modo frisante que permite aos outros reconhecer a pessoa que ali se apresenta. (O Espiritismo  perante a Ciência, Quarta Parte, Cap. II - Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel.)


B. No caso citado por Dassier que refere a aparição de um marinheiro em um outro navio, que característica digna de nota é mencionada por Delanne?

Trata-se da mensagem escrita pelo duplo fluídico, que se revelou, portanto, não só pela visão, mas também por meio da escrita, o que pressupõe a ideia de que  houve no caso materialização da segunda personalidade do indivíduo, fato que, em muitos casos, é precisamente o que ocorre. (Obra citada, Quarta Parte, Cap. II - Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel.)
 

C. Como o Espiritismo explica esses fatos?


Para explicar essa ordem de fenômenos, o Espiritismo diz que o perispírito ou invólucro fluídico da alma pode, em certas circunstâncias, separar-se do corpo, ao qual ele fica, entretanto, retido por um cordão fluídico. O perispírito reproduz a forma do indivíduo, porque é a ele que devemos a conservação do nosso tipo material e a constituição física do nosso corpo. A alma, nesse caso, goza de parte das faculdades que possui quando está inteiramente desprendida da matéria; assim se explica a rapidez do seu deslocamento.
(Obra citada, Quarta Parte, Cap. II - Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel.)

Texto para leitura

543. Entre os numerosos casos de bicorporeidade do ser humano, vamos fazer uma escolha, não só pela abundância da matéria, como para apresentar ao leitor tão-só fenômenos bem verificados e de incontestável certeza.

544. Dassier conta a seguinte história, que lhe fora referida durante sua passagem pelo Rio de Janeiro:

“Foi em 1858; falava-se, ainda, na colônia francesa dessa capital, de uma singular aparição, havida alguns anos antes. Uma família alsaciana, composta de marido, mulher e uma filha menor, estava de vela para o Rio de Janeiro, onde ia reunir-se a patrícios ali estabelecidos. A travessia foi longa; a mulher adoeceu e, por falta, sem dúvida, de cuidados e de alimentação conveniente, sucumbiu antes da chegada. No dia em que morreu, caiu em síncope, ficou muito tempo nesse estado, e quando recuperou os sentidos, disse ao marido, que lhe estava ao lado:

– Morro contente, porque sei, agora, que está assegurada a sorte de nossa filha. Venho do Rio de Janeiro, onde encontrei a rua e a casa de nosso amigo Fritz, o carpinteiro. Ele estava no limiar da porta: apresentei-lhe a pequena; estou certa de que, à tua chegada, ele a reconhecerá e a tomará a seu cuidado.

Alguns instantes depois ela expirava. O marido surpreendeu-se com a narrativa, sem lhe dar, entretanto, importância. No mesmo dia e à mesma hora, Fritz, o carpinteiro – o alsaciano de quem acabo de falar – encontrava-se à soleira da porta de sua casa, no Rio de Janeiro, quando acreditou que vira passar na rua uma de suas compatriotas, tendo nos braços uma menina. Ela o encarava com ar suplicante e parecia apresentar-lhe a criança. A figura era de grande magreza e lembrava os traços de Lota, a mulher do seu amigo e compatriota Schmidt. A expressão do rosto, a singularidade do andar, que se diria mais de fantasma que da realidade, impressionaram vivamente Fritz. Querendo assegurar-se de que não estava sendo vítima de uma ilusão, chamou um dos seus operários, que trabalhava na loja, e que era também alsaciano e da mesma localidade.
 

– Olha – disse lhe – não vês passar uma mulher na rua, com uma filha nos braços, e não parece Lota, a mulher do nosso patrício Schmidt?


– Não sei dizer, não distingo bem – respondeu o operário.


Fritz calou-se, mas as diversas circunstâncias dessa aparição real ou imaginária gravaram-se fortemente em seu espírito, notadamente a hora e o dia. Algum tempo depois, vê ele chegar seu compatriota Schmidt, trazendo uma criança nos braços. Retraça-se, então, em seu espírito, a visita de Lota, e antes que Schmidt tivesse aberto a boca, disse-lhe:


– Meu pobre amigo, já sei tudo; tua mulher morreu durante a travessia e antes de morrer veio apresentar-me sua filha para que eu velasse por ela. Eis a data e a hora.
 

Eram exatamente o dia e a hora consignados por Schmidt a bordo do navio.”


545. Façamos algumas observações. Vemos, primeiro, que o duplo fluídico reproduz, identicamente, os traços do indivíduo no qual o fenômeno se processa. A semelhança é de tal modo frisante que permite a Fritz reconhecer a mulher do amigo, que ele há muito não via. O segundo caráter a notar é a rapidez com que se move a aparição, pois o momento em que foi vista por Fritz coincide com o da síncope da doente, a bordo do navio. Terceiro, é preciso reter esta particularidade, a de que a alsaciana estava mergulhada em uma espécie de letargia, enquanto sua alma viajava ao longe.

546. Para explicar esse fato, os espíritas admitem que o perispírito ou invólucro fluídico da alma pode, em certas circunstâncias, separar-se do corpo, ao qual ele fica, entretanto, retido por um cordão fluídico. O perispírito reproduz a forma do indivíduo, porque, como veremos mais adiante, é a ele que devemos a conservação do nosso tipo material e a constituição física do nosso corpo. A alma, nesse caso, goza de parte das faculdades que possui quando está inteiramente desprendida da matéria; assim se explica a rapidez do deslocamento da alsaciana. O estado doentio ou a síncope não são sempre necessários ao desdobramento.

547. Vejamos outro fato relatado por Gouguenot des Mousseaux, citado por Dassier: “Robert Bruce, de ilustre família escocesa desse nome, é imediato de um navio; navega ele um dia perto da Terra Nova e, quando se entregava aos cálculos, julga notar seu capitão sentado à sua escrivaninha; olhando com atenção, verifica que a pessoa a quem vê é um estranho, cujo olhar friamente fixado sobre ele o surpreende. O capitão percebe seu espanto e o interroga.

– Mas quem está em sua escrivaninha? – pergunta Bruce.


– Ninguém.


– Sim, está lá um estranho, e como?


– Você sonha ou moteja?


– De modo algum. Desça e venha ver.


Desceram e não se viu ninguém na escrivaninha; o navio é revistado em todos os sentidos; nenhum estranho se encontrou.


– Entretanto, quem eu vi escrevia em sua ardósia; sua escrita deve ter ficado lá
– acrescentou Bruce.


Examinou-se a lousa; ela tinha estas palavras: steer to the north-west, isto é, governe para noroeste.


– Mas esta escrita é sua ou de alguém de bordo?


– Não é!


Pediu-se a todos que escrevessem a mesma frase e nenhuma se assemelhava à da ardósia.


– Pois bem, obedeçamos e aproemos o navio para noroeste; o vento está bom e permite a experiência.


Três horas depois, o vigia assinalava uma montanha de gelo e via ali um navio de Quebec, desmantelado, cheio de gente, com destino a Liverpool; seus passageiros foram trazidos em chalupas para a embarcação de Bruce.


Quando um dos homens subia para o navio libertador, Bruce estremeceu e recuou, muito comovido. Era o estranho que ele vira traçando as palavras na lousa. Narrou ao capitão esse novo incidente.


– Peço escrever steer to the north-west, nesta ardósia – disse o capitão ao recém-vindo, apresentando-lhe o lado onde não havia escrita. O estranho traçou as palavras pedidas.


– Bem. É esta a sua letra? – perguntou o capitão, impressionado com a identidade das duas escritas.


– Mas o senhor mesmo me viu escrever; seria possível duvidar? Como única resposta, o capitão virou a pedra e o estranho ficou confuso, vendo sua letra de ambos os lados.


– Teria o senhor sonhado que escrevia nesta lousa? – perguntou ao autor do escrito o capitão do navio naufragado.


– Não; pelo menos não me lembro.


– Que fazia, ao meio-dia, esse passageiro? – indagou o capitão salvador ao seu colega.


– Estando muito fatigado, esse passageiro dormiu profundamente e, tanto quanto me recordo, isso foi antes do meio-dia. Uma hora depois, ele acordou e me disse: – Capitão, seremos salvos hoje mesmo! – e acrescentou: – Sonhei que estava a bordo de um navio e que ele vinha em nosso socorro. Descreveu o navio e sua aparelhagem, e foi grande a nossa surpresa quando singrastes para nós e reconhecemos a justeza de sua descrição.


Enfim, o passageiro disse por seu turno:


– O que me parece singular é que aqui tudo me é conhecido e, entretanto, nunca vim aqui.”


548. O desdobramento da personalidade é tão manifesto neste caso como no primeiro; as condições são quase as mesmas: o corpo está profundamente adormecido. Dois reparos, entretanto, nos levam um pouco mais longe, no caminho dos descobrimentos.

549. Em primeiro lugar, a lembrança do que se passou durante essa viagem da alma parece apagada, ou, pelo menos, só apresenta ao Espírito vagas reminiscências; o passageiro reconhece o navio que visita, sem saber como tal acontece, pois que antes nunca estivera nele. Não é mais um desejo ardente, como no caso de Lota, o que determinou o fenômeno; o fato tem menos nitidez, no ponto de vista da memória, mas apresenta outra particularidade que é preciso assinalar. No exemplo da alsaciana, Fritz vê sua compatriota, ela lhe apresenta a criança com ar suplicante, mas o carpinteiro seria incapaz de dizer se era uma aparição ou realmente se fora a mulher do seu amigo quem ele viu.

550. No segundo caso, a personagem fluídica escreve; não é, pois, somente vaga aparência, mas uma pessoa tangível, que tem certa força para dirigir um lápis numa ardósia. Este ponto é certamente importante, porque há materialização da segunda personalidade do indivíduo, e vamos ver que, em muitos casos, é assim que sucede.

551. Eis uma descrição tomada ao Curso de Magnetismo, do Barão du Potet: “O fato seguinte está bem atestado e pode ser classificado entre os fenômenos mais difíceis de explicar, na ordem do Espiritismo. Foi publicado no manual dos amigos da religião, para 1814, por Jung Stilling, ao qual foi narrado pelo Barão de Sulza, Camarista do Rei da Suécia, como uma experiência pessoal. Conta o Barão que, indo fazer visita a um vizinho, voltou à casa por volta de meia-noite, hora em que, no verão, ainda faz claro na Suécia, de forma que se pode ler a mais delicada impressão.

– Quando cheguei – diz ele –, em meu domínio, meu pai veio a meu encontro, à entrada do parque; vestia como de hábito e segurava uma bengala, esculpida por meu irmão. Cumprimentei-o e conversamos muito tempo junto. Chegamos, assim, até a sua casa e à entrada do seu quarto. Quando entrei, vi meu pai despido, deitado na cama, e profundamente adormecido; no mesmo instante, a aparição se desvanecera.


Pouco tempo depois meu pai acordou e olhou-me com ar de interrogação.


– Meu caro Eduardo – disse-me ele –, bendito seja Deus, que te vejo são e salvo; fui atormentado em um sonho, por tua causa; parecia-me que tinhas caído n'água e que estavas prestes a afogar-te.


Ora, nesse dia – acrescenta o Barão – eu tinha ido com um dos meus amigos ao rio, para pescar caranguejos, e quase fui arrastado pela correnteza. Contei a meu pai que vira sua aparição à entrada da casa e que tínhamos conversado bastante tempo. Ele me respondeu que se davam muitas vezes fatos semelhantes.”


552. Esta narrativa apresenta circunstância bem notável. O fantasma humano fala com seu filho, durante muito tempo. Vimos, há pouco, que a mão perispiritual do passageiro era real, que escrevia; aqui é o órgão vocal que funciona; podemos, pois, concluir que em ambos os casos o perispírito se tinha materializado, pelo menos em parte. O duplo fluídico reproduz absolutamente, como se vê, todas as partes do corpo do paciente, é dele a cópia exata, ou antes, como veremos adiante, o esboço imponderável sobre o qual se modela o corpo do encarnado.

553. Sir Robert Dale-Owen era embaixador dos Estados Unidos em Nápoles. Em 1845 – conta esse diplomata –, existia na Livônia o colégio de Neuwelke, a doze léguas de Riga e a meia légua de Wolmar. Aí se encontravam 42 pensionistas, a maior parte de famílias nobres, e entre as inspetoras figurava Emilie Sagée, francesa de origem, com 32 anos de idade, de boa saúde, mas nervosa, e com um procedimento digno dos maiores elogios. Poucas semanas depois de sua chegada, notou-se que, quando uma aluna dizia tê-la visto num lugar, outra, muitas vezes, afirmava que ela estava em lugar diferente.


554. O fenômeno se produziu de diversas maneiras, durante o tempo em que Emilie ali esteve empregada, isto é, de 1845 a 1846, no espaço de ano e meio; houve intermitências de uma a muitas semanas. Verificou-se que quanto mais distinto e de aparência material era o duplo, tanto mais sofredora, mortificada e abatida estava a personalidade real; ao contrário, quando o duplo esmaecia, via-se a paciente readquirir suas forças. Emilie, entretanto, não tinha nenhuma consciência desse desdobramento, e só o conhecia por ouvir dizer; nunca vira o duplo, nunca suspeitara do estado em que ficava. Tendo o fenômeno inquietado os pais, estes retiraram as filhas e a instituição faliu.


555. Evidencia-se um fato desta narrativa: a relação íntima que existe entre o estado do corpo e o duplo. Quando o perispírito se torna menos vaporoso, mais sólido, o corpo enfraquece; quando se toma fluídico, o organismo material retoma forças. Isto indica que existe um laço entre o corpo e o duplo. Dassier denomina-o tecido vascular invisível. Kardec ensina há muito tempo que, durante o sono, a alma se desprende do corpo, mas que lhe fica sempre ligada por um cordão fluídico e que, se ele se rompesse, a morte do paciente seria instantânea.

556. Emilie Sagée, de constituição muito nervosa, era sujeita ao desprendimento da alma, mas o fato é notável porque o desdobramento se dava mesmo durante a vigília, enquanto que, de ordinário, ele só se opera quando o corpo está mergulhado no sono. (Continua no próximo número.)
 

 

 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita