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Crônicas e Artigos

Ano 4 - N° 174 - 5 de Setembro de 2010

ROGÉRIO COELHO
rcoelho47@yahoo.com.br
Muriaé, Minas Gerais (Brasil)


Aranzéis da horizontalidade

(Tomo I)

As consequências do Espiritismo são inumeráveis porque tocam os ramos da ordem social, tanto no físico quanto no moral

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” - Jesus.  (Jo., 14:6.)


A Humanidade vive em vã agitação e se perde na confusão das coisas nenhumas, muitas vezes presa em processos obsessivos, descoroçoando ante o emaranhado cipoal de cogitações puramente materialistas sem espaço para meditações no âmbito espiritual. Como poderiam medrar pensamentos de ordem espiritual em terreno tão sáfaro?

Se através dos conhecimentos filosóficos e científicos de hoje, o homem ainda não conseguiu elevar-se da ignorância, aí está o Espiritismo, facultando o norte, clareando os caminhos para evitar os tropeços.

Ensina Kardec: “(...) A Vida terrestre é apenas uma breve passagem conducente a melhor vida. Incontestavelmente os homens progridem por si mesmos e pelos esforços da inteligência; mas, entregues às próprias forças, só muito lentamente progrediriam se não fossem auxiliados por outros mais adiantados, como o estudante o é pelos professores”.

O Espiritismo é o professor maior, que nos “ensinará todas as coisas”, conforme assertiva de Jesus.

No livro básico “A Gênese”, capítulo IV, itens 13 a 17, aprendemos o seguinte:

“Todas as religiões são acordes quanto ao princípio da existência da Alma, sem, contudo, o demonstrarem. Não o são, porém, nem quanto à sua origem, nem com relação ao seu passado e ao seu futuro, nem principalmente, e isso é o essencial, quanto às condições de que depende a sua sorte vindoura. Em sua maioria, elas apresentam, do futuro da Alma, e o impõem à crença de seus adeptos, um quadro que somente a fé cega pode aceitar, visto que não suporta exame sério. Ligado aos seus dogmas, às ideias que nos tempos primitivos se faziam do mundo material e do mecanismo do Universo, o destino que elas atribuem à Alma não se concilia com o estado atual dos conhecimentos. Não podendo, pois, senão perder com o exame e a discussão, as religiões acham mais simples proscrever uma e outro.

Dessas divergências no tocante ao futuro do homem nasceram a dúvida e a incredulidade, que dão lugar a um penoso vácuo. O homem encara com medo e ansiedade o desconhecido em que fatalmente tem de penetrar, e glacial se lhe antoja a ideia do nada. Diz-lhe a consciência que alguma coisa lhe está reservada para além do presente. Que será? Sua razão, com o desenvolvimento que alcançou, já lhe não permite admitir as histórias com que seus avoengos o acalentaram na infância, nem aceitar como realidade a alegoria. Qual o sentido dessa alegoria? A ciência lhe rasgou um canto do véu; não lhe revelou, porém, o que mais lhe importa saber. Em vão ele a interroga e nada lhe responde ela de maneira peremptória e irretorquível de molde a aplacar-lhe a sede de conhecimento e acalmar-lhe as apreensões. Aí se encontra o fulcro gerador de seu frenesi para as coisas da vida material, vez que este é o corolário natural oferecido pela incerteza sobre o que concerne à Vida Futura.  Esse o inevitável efeito das épocas de transições, qual a que assinala hoje a vida na Terra: rui o carunchoso edifício do passado, sem que ainda o do futuro se ache construído.

Se a questão espiritual permaneceu, até os dias atuais, em estado de teoria, é que faltavam os meios de observação direta, existentes para comprovar o estado do mundo material, conservando-se, portanto, aberto o campo às concepções do espírito humano.

Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria e não pôde explicar o método experimental, andou a errar de sistema em sistema, no tocante ao mecanismo do Universo e à formação da Terra. O que se deu na ordem física, deu-se também na ordem moral. Para fixar as ideias, faltou o elemento essencial: o conhecimento das leis a que se acha sujeito o princípio espiritual. Estava reservado à nossa época esse conhecimento, como o esteve aos dois últimos séculos o das leis da matéria.

Com o auxílio da faculdade mediúnica à luz do Espiritismo, o homem se achou de posse de um novo e eficiente instrumento de observação. A mediunidade foi, para o mundo espiritual, o que o telescópio foi para o mundo astral e o microscópio para os do infinitamente pequeno. Permitiu que se explorassem, estudassem, ‘de visu’, as relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo”.

Uma vez estabelecidas as relações entre os dois planos da vida, foi possível, ao homem, seguir a Alma em sua marcha ascendente, em suas migrações, em suas transformações...  Pôde-se, enfim, estudar o elemento espiritual, e descobrir que a Alma é a mola que move e transporta, por uma ação contínua e inconsciente, os elementos dos corpos vivos.  

No mês de agosto de 1868, aparece na “Revue Spirite”, o seguinte raciocínio de Kardec:

“O fisiologista não admite o Espírito; mas que há de admirável? É uma causa e ele se pôs no estudo com um método que lhe interdita precisamente a pesquisa das causas.

Não queremos submeter a causa do espiritualismo a uma questão de fisiologia controvertida, e sobre a qual nos poderiam recusar em bom direito. O senso íntimo me revela a existência da Alma com uma autoridade muito outra. Quando o materialista fisiológico fosse tão verdadeiro quanto é discutível, nem por isso nossas convicções espiritualistas ficariam menos inteiras. Fortificado pelo testemunho do senso íntimo, confirmado pelo assentimento de mil gerações que se sucederam na Terra, repetiríamos o velho adágio: “A verdade não destrói a verdade”, e nós esperaríamos que a conciliação se fizesse com o tempo. Mas de que peso não nos sentimos aliviados quando vemos que, para negar a Alma e dar esta declaração como um resultado da Ciência, o sábio, por confissão própria, partiu metodicamente dessa ideia que a Alma não existe!

Lemos muitos livros de fisiologia, em geral muito mal escritos, mas o que nos chamou a atenção foi o vício constante dos raciocínios do fisiologista organicista, quando sai do assunto para se fazer filósofo. Vê-se constantemente tomarem o efeito pela causa, uma faculdade por uma substância, um atributo por um ser, confundir as existências e as forças etc.

Que espírito exato e claro, por exemplo, jamais pôde compreender o pensamento tão conhecido de Cabanis e de Broussais, que “o cérebro produz, secreta o pensamento?” Outras vezes, o homem positivo, o homem da observação e dos fatos, o homem da ciência, nos dirá seriamente que cérebro “armazena ideias”. Ainda um pouco, ele as desenhará. É metáfora ou aranzel?

(...) Ora, a existência do mundo invisível, em meio de nós, parte integrante da Humanidade terrena, desaguadouro das Almas desencarnadas e fonte das Almas encarnadas, é um fato capital imenso; é toda uma revolução nas crenças; é a chave do passado e do futuro do homem, que em vão procuraram todas as filosofias, como os sábios em vão buscaram a chave dos mistérios astronômicos antes de conhecer a lei de gravitação. Que se acompanhe a fieira das consequências forçadas desse único fato: a existência do mundo invisível em torno de nós, e chegar-se-á a uma transformação completa, inevitável, nas ideias, para a destruição dos preconceitos e dos abusos delas decorrentes e, por consequência, a uma modificação das relações sociais. Eis aonde leva o Espiritismo! Sua Doutrina é o desenvolvimento, a dedução das consequências do fato principal, cuja existência acaba de revelar. Seus corolários são inumeráveis, porque, pouco a pouco, tocam os ramos da ordem social, tanto no físico quanto no moral. É o que compreendem todos os que se deram ao trabalho de estudá-lo seriamente, e que se compreenderá melhor ainda mais tarde, mas os que, só lhe tendo visto a superfície, imaginam que ele esteja todo inteiro numa mesa que gira ou em perguntas pueris sobre a identidade dos Espíritos”.   



 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita