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Crônicas e Artigos
Ano 3 - N° 132 - 8 de Novembro de 2009

ÂNGELA MORAES
anjeramoraes@hotmail.com
Bauru, São Paulo (Brasil)


Reforma íntima às avessas

“Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo
, cap.VII, pág. 134.)

 
Adriana procurou o Atendimento Fraterno do Centro Espírita de sua cidade com a saúde em frangalhos e o sono perturbado. Espírita já há alguns anos, sabia que os sintomas acima poderiam bem ser provocados por algum obsessor, já que experimentara diversos tratamentos médicos sem resultado.

Assim foi que Adriana conversou com amoroso amigo da Casa Espírita e este, com a mediunidade mais aflorada, logo percebera que de fato uma entidade a acompanhava. Encaminhou a fichinha para a reunião de desobsessão, onde o Espírito seria ouvido, aconselhado e encaminhado para esfera mais apropriada. Quanto à Adriana, lembrou-lhe da necessidade do ‘orar e vigiar’, bem como recomendou-lhe que voltasse a fazer o Evangelho no Lar e a estudar O Livro dos Espíritos com mais dedicação. 

A moça foi embora pra casa confiante de que, a partir daquele momento, estaria em boas mãos. Pensou na mensagem do instrutor amigo: “Orai e vigiai” e resolveu que iria fazê-lo. Ao deitar-se, Adriana orou: 

– Senhor, preciso da sua proteção e da proteção dos bons Espíritos! Vigiai a minha casa para que obsessores não venham nos perturbar!!! 

Naquela noite, tendo Ronaldo – o Espírito que a estava acompanhando – ficado no Centro em companhia dos mentores que o acolheram, Adriana conseguiu conciliar melhor o sono. No dia seguinte, entendeu que a oração havia funcionado, embora sentisse ainda seu corpo pesado.

*

Na reunião mediúnica da noite anterior, Ronaldo fora chamado a conversar com o doutrinador da Casa. 

– O que faz em companhia daquela jovem, caro amigo? 

– Eu desencarnei há muitos anos e confesso que não sei para onde ir. Então, fico à espera de alguém com quem ocupar meu tempo. Eu não quero fazer nenhum mal pra moça, só quero ficar lá. É divertido!

– Por que acha divertido? 

– Ela alimenta pensamentos de grandeza e inveja tão desmedidos que chegam a ser ridículos! Enxergo sua tela mental como um filme de comédia e confesso que até me surpreende as coisas que ela faz com as colegas de trabalho pra se sobressair... 

– Mas você não pode ficar lá, amigo. Mesmo sem querer prejudicá-la, você acaba se alimentando de seus fluidos energéticos, é por isso que ela não consegue sarar. 

– Ah, só saio de lá se acabar a brincadeira, senão eu fico! 

A equipe mediúnica encerrou a reunião convidando Ronaldo para uma nova conversa na reunião da semana seguinte, na esperança de conseguir então demovê-lo de seu propósito. Ronaldo até prometeu voltar porque gostou de poder conversar de novo com alguém, andava meio solitário na casa de Adriana. Mas, enquanto isso, não ia perder os próximos episódios que a moça protagonizava. 

*

Adriana foi trabalhar com o mesmo astral dos dias anteriores. Sentia-se fraca e sonolenta, não conseguia se concentrar bem no trabalho e, pior ainda, soubera que uma colega mais jovem e com menos tempo de casa recebera uma incumbência de máxima confiança do chefe. Seu espírito imediatamente se rebelou e tal foi a vibração de raiva emitida de seu cérebro que imediatamente Ronaldo foi atraído para o local, satisfeito por presenciar a cena. As ondas de nervosismo que Adriana “engoliu” caíram em seu corpo astral como um novelo negro que, depositando-se no estômago perispiritual, transferiu para o referido órgão físico um mal-estar imediato. Foi quando lembrou-se da mensagem do amigo fraterno: “orai e vigiai”. Rumou para o banheiro feminino e, a sós no compartimento privado, orou: 

– Senhor, proteja-me das injustiças! Vigia meu ambiente de trabalho, para que meus chefes percebam como eu sou a pessoa certa pra estar em evidência!!! 

O restante do dia passou arrastado e de gosto azedo. Em casa, achou por bem acender uns incensos e velas de proteção, ritual que herdara de sua formação católica e que poderia ter buscado compreender a inutilidade de tais procedimentos em O Livro dos Espíritos, questão 552, mas não o fez. Ronaldo gostou do incenso, achou cheiroso. Enquanto Adriana deixava o corpo em descanso, em sua cama, logo sua viagem mental a levou – para alegria de Ronaldo – às cenas de glória e reconhecimento que julgava merecer. Via-se recebendo do chefe importante incumbência e, imediatamente, procurando pelos olhares cabisbaixos e invejosos das colegas de trabalho. Esse era seu prazer maior, e hoje – em sua visão distorcida sobre a felicidade – ela merecia dar a si mesma esse pensamento de consolo. 

*

Na semana seguinte, a reunião mediúnica começara e Ronaldo veio de boa vontade, pensando poder dividir com os novos colegas que o ouviam a divertida semana que teve. No entanto, ao chegar para a conversa costumeira, percebeu que algo diferente o aguardava. 

– Olá, amigo Ronaldo – disse o doutrinador. Hoje é um dia muito especial pra você. 

– Do que está falando?  

– Nós pedimos à espiritualidade que nos ajudasse a encaminhar você a uma atividade que realmente vai trazer satisfação ao seu espírito. Você não é uma pessoa má, tampouco pensa em vingar-se, apenas não encontrou algo de que goste e que seja bom pra todos. Da maneira como está não pode ficar, está prejudicando a moça e isso será ruim pra você. 

– Já sei, você vai vir com aquela conversa mole de trabalhar, dar assistência pros outros... olha, se eu quisesse fazer isso, já teria aceitado convite de outros grupos antes. Pra quê eu quero trabalhar depois de morto? Nem em vida eu fui muito dado ao horário comercial, não vai ser agora! Eu quero é me divertir! 

– Sim, mas quem disse que o trabalho não pode ser divertido? E diga verdadeiramente: você se diverte tanto assim, sozinho, assistindo à tela mental dos outros? Você nem tem com quem comentar depois! E quanto a sua própria tela mental, o que tem nela? Há quanto tempo não cuida de si mesmo? 

– Prefiro não falar de mim. 

– Não queremos julgá-lo, amigo, mas sua solidão é evidente! E você é uma pessoa tão alegre! Não nos conformamos de você desperdiçar assim essa sua jovialidade. 

Ronaldo estranhou ser tratado com tanta consideração e respeito. Intimamente, seu coração se aqueceu. Nessa hora, o doutrinador pediu que entrasse na sala um Espírito convidado especialmente para aquela ocasião. 

– Temos uma visita pra você. 

– Pai! – diminuiu o Espírito Ronaldo, olhando para seu genitor com saudade e vergonha, enquanto recebia dele o olhar mais acolhedor de sua vida. 

– Meu querido! Que bom que finalmente posso convidá-lo pra se juntar a nós!

– Mas... por que não veio antes?

– Porque você ainda não estava cansado da sua frivolidade. Sei que ainda tem muito medo das responsabilidades e eu sou responsável também por não tê-la fortalecido em você quando encarnado. Mas posso lhe garantir, meu filho, tudo o que precisamos agora, na colônia espiritual onde trabalhamos, é de alguém com a sua alegria, seu espírito jovem, sua habilidade para fazer os outros rirem. Trabalhamos com crianças recém-desencarnadas, elas precisam muito de alguém como você! 

– Mas... eu não sei se sou assim tão legal... eu rio dos outros... dos ridículos deles... 

– Será que agora Deus não está lhe dando a oportunidade de fazer suas estripulias – ser o palhaço da vez – para se redimir? Venha comigo, meu filho, não sei quantas vezes terei a oportunidade de vir buscá-lo! 

Ronaldo finalmente cedeu, encontrando nos braços do seu pai da última encarnação terrena o rumo que há anos procurava. 

*

Enquanto o Espírito Ronaldo estava no Centro, naquela noite, irmã Genésia, mentora espiritual de Adriana, aproximou-se dela, observando a mentalidade raivosa e arrogante que alimentava. Sem os fluidos do obsessor, interferiu em sua linha de raciocínio, soprando-lhe ao ouvido: 

– Adriana, chega de devaneios! De onde vem tanto orgulho? O que tem você a oferecer tanto assim? Seja mais humilde, você ainda tem muito a aprender!!!  

A moça perdeu a linha de pensamento e lembrou-se, subitamente, da orientação para que fizesse o Evangelho no Lar. Levantou-se e abriu o Evangelho ao acaso que, pelas mãos abençoadas de Genésia, foi parar no capítulo VII, “Bem-aventurados os pobres de espírito”.  

– Aquele que se eleva será rebaixado – leu em voz alta. Terminou silenciosamente a leitura e, desta vez, em sua tela mental pôde enxergar - intuída pela irmã abnegada e com vergonha de si mesma - as atitudes e pensamentos desregrados a que dava curso.  

Finalmente, antes de dormir, Adriana orou: 

– Senhor, ajuda-me a vigiar meus pensamentos e atitudes! Que eu perceba quando estou deixando o orgulho falar alto dentro de mim, ou quando estou sendo arrogante com os outros. Que eu consiga vencer a mim mesma, Pai Santíssimo! Ajuda-me a vigiar-me! 

Naquela noite, Adriana dormiu um sono profundo, sem sonhos. Ronaldo não se sentira vibracionalmente atraído mais ao seu lado. Outros Espíritos zombeteiros que passavam pela redondeza também não se importaram com ela.

No dia seguinte, acordou com nova disposição. Agora sim, intimamente reformada. 


     


 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita