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Estudando a série André Luiz
Ano 3 - N° 111 – 14 de Junho de 2009

MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
mbo_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)  
 

Libertação

André Luiz

(Parte 22)

Damos continuidade ao estudo da obra Libertação, de André Luiz, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada em 1949 pela Federação Espírita Brasileira.

Questões preliminares

A. O juiz teria, ao acordar, lembrança do que ocorreu durante o sono?

R.: Não. Gúbio disse que, no dia seguinte, ele se ergueria do leito sem a lembrança integral daquela conversa, porque o cérebro car­nal é um instrumento delicado, "incapaz de suportar a carga de duas vidas", mas ideias novas lhe surgiriam formosas e claras, com respeito ao bem que era necessário praticar. A intuição, que é o disco mila­groso da consciência, funcionaria livremente, retransmitindo-lhe as sugestões daquela hora de luz e paz. "Chegado esse momento, não permi­tas que o cálculo te abafe o impulso das boas obras", advertiu Gúbio. (Libertação, cap. XIII, pp. 173 a 175.) 

B. Jorge tivera relacionamento com o juiz em existências passadas?

R.: Sim. Jorge fora, numa anterior encarnação, escravo do juiz, então um rico fazendeiro. Mas, embora ali vivesse na condição de escravo, Jorge era, na verdade, irmão consanguíneo do dono das terras. De mães diferentes, o pai era o mesmo. Esse fato, contudo, jamais lhe foi per­doado, porque semelhante situação era tida por aviltante ultraje ao nome da família. (Obra citada, cap. XIII, pp. 173 a 175.) 

C. Ao pedir a ajuda de Saldanha, diretor da falange que obsidiava Margarida, Gúbio foi atendido?

R.: Sim. Ainda sensibilizado por tudo que Gúbio fizera por seus familiares, Saldanha colocou-se inteiramente à disposição do Instrutor para servi-lo, dando início, de imediato, à articulação do plano de ação. (Obra citada, cap. XIV, pp. 179 a 181.)

Texto para leitura

90. As raízes do drama - O juiz, em pranto, perguntou a Gúbio como agir. O Instrutor informou que, no dia seguinte, ele se ergueria do leito sem a lembrança integral daquela conversa, porque o cérebro car­nal é um instrumento delicado, "incapaz de suportar a carga de duas vidas", mas ideias novas lhe surgiriam formosas e claras, com respeito ao bem que era necessário praticar. A intuição, que é o disco mila­groso da consciência, funcionaria livremente, retransmitindo-lhe as sugestões daquela hora de luz e paz. "Chegado esse momento, não permi­tas que o cálculo te abafe o impulso das boas obras", advertiu Gúbio, explicando que nos corações hesitantes o raciocínio vulgar luta contra o sentimento renovador, turvando-lhe a corrente límpida, com o receio da ingratidão ou com ruinosa obediência aos preconceitos. Saldanha acompanhava a cena com indizível bem-estar, o mesmo ocorrendo com Jorge e Lia, que trocavam olhares de alegria e esperança. O juiz con­templou-os, pensativo, e, dominado pelas emoções do minuto, calou-se, resignado e humilde. Compreendendo que ele tinha ainda algo a indagar acerca da culpabilidade de Jorge, Gúbio afirmou-lhe que, relativamente ao delito de que fora acusado, Jorge tinha as mãos limpas. Ocorre que nos sofrimentos de hoje solvemos os débitos de ontem. Assim, Jorge li­berara certa parte do passado doloroso. As pessoas e os sucessos que nos afetam a consciência de modo particular não nos aparecem por acaso. Gúbio, então, informou ao magistrado: "Já te auscultei (...) os arquivos mentais e vejo os quadros que o tempo não destrói. No século findo, guardavas o título de posse sobre extensa faixa de terra e or­gulhavas-te da posição de senhor de dezenas de escravos que, em maio­ria reencarnados, atualmente te integram a falange de colaboradores nos trabalhos comuns a que te sentes constrangido pela máquina funcio­nal. A todos eles, deves assistência e carinho, auxílio e compreensão". Acrescentou então: "Nem todos os servos do passado, porém, se confundem no mesmo naipe de relações com o teu espírito. Alguns se sa­lientaram no drama que viveste e volvem ao teu caminho, impressio­nando-te o coração". Era esse o caso de Jorge, que fora, naquela exis­tência, escravo do rico fazendeiro. (Cap. XIII, pp. 173 a 175) 

91. Um desfecho feliz - Embora ali vivesse na condição de escravo, Jorge era, na verdade, irmão consanguíneo do dono das terras. De mães diferentes, o pai era o mesmo. Esse fato, contudo, jamais lhe foi per­doado, porque semelhante situação era tida por aviltante ultraje ao nome da família. Chegados ambos à tarefa da paternidade, o filho do fazendeiro, o mesmo Alencar de agora, transviou a filha de Jorge, a mesma Lia, e, quando semelhante amargura sobreveio, com escárnio su­premo para aquele lar cativo e triste, o fazendeiro determinou medidas condenáveis que culminaram em insofreável desespero de Jorge, que, de­sarvorado e semilouco, não somente assassinou o rapaz que lhe invadira o santuário doméstico, como pôs fim à própria existência, suicidando-se em dramáticas circunstâncias. "Todavia -- informou Gúbio ao magis­trado --, nem a dor, nem a morte apagam as aflições da responsabili­dade que só o regresso à oportunidade de reconciliação consegue reme­diar. E aqui te encontras, de novo, diante do condenado, junto do qual sempre te inclinaste à antipatia gratuita, e ao lado da jovem a quem prometeste amparar por filha muito querida ao coração". "Trabalha, meu amigo! vale-te dos anos, porque Alencar e tua pupila serão atraídos à bênção do matrimônio. Age enquanto podes. Todo bem praticado felici­tará a ti mesmo, porquanto outro caminho para Deus não existe, fora do entendimento construtivo, da bondade ativa, do perdão redentor." O Instrutor lembrou-lhe então que Jorge, humilhado e desiludido, apagara o desvario deplorável, suportando inominável martírio moral, com a prisão indébita, a viuvez, a enfermidade e as privações de toda a es­pécie por que passara. O relato de Gúbio tocou o juiz profundamente. A força magnética do Instrutor alcançara-lhe as fibras mais íntimas... E ele, após levantar-se, em lágrimas, cambaleante, abeirou-se de Jorge e estendeu-lhe a destra em sinal de fraternidade, a qual o filho de Saldanha beijou igualmente em pranto, e, em seguida, acercando-se da jovem, abriu-lhe os braços acolhedores, exclamando comovido: "Serás minha filha, doravante, para sempre!..." Saldanha, modificado por uma alegria misteriosa que lhe refundia as expressões fisionômicas, avan­çou para Gúbio e, tentando beijar-lhe as mãos, murmurou: "Nunca pensei encontrar noite tão gloriosa quanto esta!" Gúbio impediu-lhe o gesto, dizendo: "Saldanha, nenhum júbilo, depois do amor de Deus, é tão grande quanto aquele que recolhemos no amor espontâneo de um amigo. Semelhante alegria, neste momento, é nossa, porque te sentimos a ami­zade nobre e sincera no coração". E um abraço de carinhosa fraterni­dade coroou a tocante e inesquecível cena. (Cap. XIII, pp. 175 a 177) 

92. Gúbio revela a verdade a Saldanha - De volta ao quarto de Marga­rida, onde os dois hipnotizadores os aguardavam em função ativa, Gúbio pousou significativo olhar em Saldanha e pediu-lhe em tom discreto: "Meu amigo, chegou a minha vez de rogar. Releva-me a identificação, talvez tardia aos teus olhos, com relação aos objetivos que nos pren­dem aqui". E, com imensa comoção na voz, esclareceu: "Saldanha, esta senhora doente é filha de meu coração desde outras eras. Sinto por ela o enternecimento com que cuidaste, até agora, do teu Jorge, defen­dendo-o com as forças de que dispões. Eu sei que a luta te impôs acer­bos espinhos ao coração, mas também guardo sentimentos de pai. Não te merecerei, porventura, simpatia e ajuda?" Verificou-se então uma cena que, minutos antes, pareceria inacreditável. Saldanha contemplou Gúbio com o olhar de um filho arrependido. Grossas lágrimas brotaram-lhe dos olhos antes frios e impassíveis. O diretor da falange parecia inabili­tado a responder, diante da emotividade que o dominava. Gúbio, então, enlaçando-o fraternalmente, falou-lhe: "Passamos horas sublimes de trabalho, entendimento e perdão. Não desejarás desculpar os que te fe­riram, libertando, enfim, quem me é tão querida ao espírito? Chega sempre um instante no mundo em que nos entediamos dos próprios erros. Nossa alma se banha na fonte lustral do pranto renovador e esquecemos todo o mal a fim de valorizar todo o bem. Noutro tempo, persegui e hu­milhei, por minha vez. Não acreditava em boas obras que não nascessem de minhas mãos. Supunha-me dominador e invencível, quando não passava de infeliz e insensato. Considerava inimigos quantos me não compreen­dessem os caprichos perigosos e me não louvassem a insânia. Experimen­tava diabólico prazer, quando o adversário esmolasse piedade ao meu orgulho, e gostava de praticar a generosidade humilhante daquele que determina sem concorrentes". O Instrutor informou, enfim, que a vida havia retalhado seu coração com o estilete dos minutos, transformando-o devagar, até que o déspota morresse dentro dele. "O título de irmão é, hoje, o único de que efetivamente me orgulho", concluiu, antes de apelar outra vez para o concurso de Saldanha. (Cap. XIV, pp. 178 e 179) 

93. Saldanha promete servir a Gúbio - André e Elói tinham lágrimas ar­dentes diante daquela doutrinação emocionante e inesperada. Saldanha, por sua vez, enxugou os olhos e, fixando-os no interlocutor bondoso, disse-lhe, humilde: "Ninguém me falou ainda como tu... Tuas palavras são consagradas por uma força divina que eu não conheço, porque chegam aos meus ouvidos, quando já me encontro confundido pelos teus atos convincentes. Faze de mim o que desejares. Adotaste, nesta noite, por filhos de teu coração todos os parentes em cuja memória ainda vivo. Amparaste-me o filho demente, ajudaste-me a esposa alucinada, prote­geste-me a nora infeliz, socorreste-me a neta indefesa e repreendeste os que me perturbavam sem motivo justo... Como não enlaçar, agora, as minhas mãos com as tuas na salvação da pobre mulher que amas por filha? Ainda que ela própria me houvesse apunhalado mil vezes, teu pe­dido, após o bem que me fizeste, redimi-la-ia ao meu olhar..." E, de­tendo a custo o pranto que lhe manava espontâneo, Saldanha colocou-se inteiramente à disposição de Gúbio, para servi-lo. Passou-se então à articulação do plano de ação. Daí a pouco Saldanha retornou ao apo­sento e dirigiu a palavra a um dos hipnotizadores em serviço: "Leôncio, nosso projeto mudou e conto com a tua colaboração". "Que houve?", indagou com curiosidade o interpelado. "Um grande aconteci­mento... Temos aqui um mago da luz divina", disse-lhe Saldanha, que, em traços rápidos, narrou-lhe os acontecimentos daquela noite. Leôncio aquiesceu, de pronto, ao pedido do diretor da falange, advertindo, po­rém, quanto a Gaspar (o outro hipnotizador), que não se achava, se­gundo sua avaliação, em condições de aderir ao novo projeto. Saldanha pediu-lhe ficasse tranquilo, porque tudo seria acertado. (Cap. XIV, pp. 179 a 181) (Continua no próximo número.)   



 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita