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Crônicas e Artigos
Ano 2 - N° 83 - 23 de Novembro de 2008

WALDENIR APARECIDO CUIN
wacuin@ig.com.br
Votuporanga, São Paulo (Brasil)                          

 Educar a criança

Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, através das nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno...” (Emmanuel, Fonte Viva, psicografia de Francisco C. Xavier, item 157.) 


No contexto em que vivemos é comum a confusão que se faz quanto a educar e instruir as crianças. 

Instruir é oferecer ciência aos “pequenos”, dar-lhes ensinamento acadêmico, cultural, exercitando o intelecto, isso pode ser feito pela escola, grupos sociais, família, no entanto, educar significa formar caráter, tarefa prioritária da família. Uma criatura instruída pode não ser educada, enquanto uma pessoa educada certamente será também instruída, pois que acolheu em seu âmago os requisitos imprescindíveis para a boa convivência social.  

Da imperiosa tarefa da educação infantil não podemos, de forma alguma, apresentar nossa omissão, pois a despreocupação quanto à formação do caráter dos nossos filhos abre caminhos para a derrocada moral deles, com conseqüência danosa e imprevisível para nós mesmos, uma vez que os meninos de hoje comandarão os destinos da sociedade nos dias do porvir. 

Daí a necessidade da nossa atenção para com a prole. Em momentos tão desafiadores como os atuais, onde as crianças recebem uma quantidade imensa de informações diariamente, devemos saber, com clareza, como conduzi-las para que se tornem homens de bem. 

Por exercitarem a mente com grande intensidade, devido às escolas que freqüentam em tenra idade, pelos recursos da computação, diante do grau de escolaridade dos pais, hoje mais avançados que ontem, frente aos aparelhos de televisão que colocam o mundo dentro de cada lar, nossos filhos possuem uma notável capacidade de raciocínio e aprendizado. 

Se não preenchermos a vida deles com material digno, sublime e de boa qualidade, sem dúvida, pela avidez que apresentam no campo mental, encontrarão espaço para absorverem o que é nocivo, imprestável e inútil. 

Nós conseguimos ajudar nossos rebentos na busca de trilhos seguros quando sabemos dar exemplos notáveis de decência, honradez, dignidade, trabalho e respeito para com os  direitos do próximo, mostrando equilíbrio em nossas ações e sensibilidade em nossos comportamentos.

As palavras ensinam, informam, ajudam na educação, mas os exemplos arrastam e convencem. Daí a necessidade de refletir maduramente no conteúdo dos exemplos que estamos deixando à mostra. 

Não será possível educar uma criança com discursos inflamados se nossa conduta de vida reflete o inverso do que falamos. 

Se desejamos que nossos filhos sejam honestos, que vivamos com honestidade. Se pretendemos que respeitem os direitos alheios, que sejamos respeitadores. Se queremos que gostem de trabalhar, que ensinemos isso a eles trabalhando. Se almejamos que sejam fraternos e solidários, que vivamos demonstrando sensibilidade para com os problemas dos irmãos do caminho. 

Se parte da infância e da juventude de hoje vem apresentando comportamento em desalinho, certamente é porque os referenciais que conheceram e estão conhecendo não são dos mais dignos. Na verdade projetam para o meio social aquilo que estão observando. 

Nota-se uma grande preocupação em vestir bem a criança, cuidar satisfatoriamente de sua saúde, apresentar-lhe opções de lazer, isso, obviamente é louvável, mas, paralelamente, imperioso se torna a formação do caráter dela, para que saiba se posicionar no contexto social em que vive. 

A tarefa da educação é a formação de homens de bem. Importante, então, que analisemos se estamos oferecendo aos nossos “pequenos” um rumo seguro para que formem uma sociedade mais justa, fraterna e humana, nos dias futuros.
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita