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Espiritismo para crianças - Célia Xavier Camargo - Espanhol  Inglês
Ano 2 - N° 67 - 3 de Agosto de 2008

 

A casca de banana

 

Laurinha estudava na escola de seu bairro, e estava na terceira série do primeiro grau.

Não se preocupava muito com os estudos, mas conseguia sempre ser aprovada, embora com dificuldade.

Agora, já quase no final do ano, Laurinha ia fazer uma prova muito importante.

Sua mãe aconselhava-a a estudar, mas Laurinha respondia:

— Depois. Agora estou brincando.

— Laurinha, venha estudar, minha filha!

— Mais tarde, mamãe. Agora preciso conversar com minha amiga.

Algumas horas depois a mãezinha atenta a chamava

novamente, e ela replicava:  

— Amanhã, mamãe. Posso assistir à televisão? Só um pouquinho!

Depois, ficava com sono e ia para a cama e, no dia seguinte, tudo se repetia da mesma maneira.

Até que chegou o dia da prova.

Nervosa, Laurinha foi para a escola e voltou bastante deprimida.

Uma vergonha! Tirara nota ZERO na prova e fora a chacota de toda a classe. Os outros alunos foram bem e acharam as questões fáceis. Só ela não sabia nada, e, portanto, nada respondera.
 

A professora a chamara na frente, inquirindo a razão daquele tremendo fracasso, porém Laurinha, de cabeça baixa e muito envergonhada, nada respondeu.

Ao chegar em casa contou à sua mãe, chorando muito. Sentia-se humilhada perante os colegas de classe, achava que ninguém gostava dela. E tomou uma decisão:

— Não vou mais à escola! Não quero mais ver ninguém.

A mãe, com carinho, afagou-lhe os cabelos dizendo com ternura:

— Não se comporte dessa maneira, minha filha. Na verdade, você recebeu uma lição merecida. Colheu o que plantou, entende? Como não estudou nada, nada poderia saber, não é? O seu fracasso é, portanto, responsabilidade sua!

A menina fitou a mãe, surpresa, já parando de chorar.

— Pode ser. Mas não volto mais àquela escola. Nunca mais! E, depois, vou perder o ano mesmo!

Sua mãe sorriu, sabendo que não era o momento para insistir no assunto. Laurinha iria refletir e, provavelmente, mudaria de atitude.

Para espairecer, convidou-a para irem juntas à padaria da esquina. No caminho, a menina, que se distraía com o movimento da rua, pisou numa casca de banana que alguém jogara na calçada. Levou o maior tombo!
 

Rapidamente, toda dolorida e olhando em torno, para ver se alguém presenciara sua queda, Laurinha levantou-se, envergonhada.

A mãezinha viu naquele incidente oportunidade para uma lição e não perdeu tempo:

— Por que você não ficou esparramada no chão?

Laurinha olhou para a mãe, surpresa e sem entender a pergunta.

— O quê? Por que não fiquei no chão? Claro que não!

— Ah! Você não pensou em ficar na calçada, estatelada?

Laurinha replicou, horrorizada:

— Que idéia, mamãe! Naturalmente que não. Levantei o mais rápido possível!

A senhora balançou a cabeça, concordando:

— Isso mesmo, minha filha. É assim que devemos agir sempre. Não acha você que a situação na escola seja mais ou menos a mesma?

Laurinha escutou e pareceu meditar por momentos.

— Pense bem, querida. Em nossas vidas as dificuldades são obstáculos que precisamos superar. E não importa quantas vezes levemos uma queda, temos sempre que nos levantar e seguir em frente.

A menina sorriu e seus olhos se iluminaram.

— A senhora tem razão, mamãe! Uma prova mal feita não significa nada, a não ser que preciso me esforçar mais. Amanhã vou para a escola.

No dia seguinte, logo cedo, Laurinha voltou às aulas e, para alegria sua, a professora deu-lhe uma nova oportunidade para que pudesse recuperar os pontos perdidos.

Afinal, aquele problema que lhe parecera tão grande e sem solução, na verdade era bem pequeno.

E Laurinha, desse dia em diante, sempre que se via em dificuldades e tinha vontade de desistir, lembrava-se da lição que lhe dera uma humilde e desprezada casca de banana.  

                                                        Tia Célia   
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita