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Crônicas e Artigos
Ano 2 - N° 67 - 3 de Agosto de 2008

ARTHUR BERNARDES DE OLIVEIRA
tucabernardes@gmail.com
Guarani, Minas Gerais (Brasil)


O Consolador prometido

 
Kardec dedicou um capítulo de O Evangelho segundo o Espiritismo para analisar duas promessas de Jesus. Aliás, é o menor capítulo daquele livro.

As promessas estão relatadas, uma por Mateus, no capítulo XI, vv. 28 a 30 de seu evangelho e outra, por João no capítulo XIV, vv. 15 a 17 e 26 de seu evangelho.

O objetivo do capítulo é duplo: a) mostrar que Jesus Cristo foi o maior consolador que a humanidade conheceu e b) demonstrar que o Espiritismo é o cumprimento da promessa que ele fizera de que, quando as coisas permitissem, ele nos enviaria um outro consolador que daria seqüência ao seu pensamento e faria revelações novas que influiriam no progresso da Humanidade.

Vejamos os dois textos.

Diz Jesus em Mateus, capítulo XI:

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. (Mas para isso) Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou manso e humilde de coração e achareis descanso para vossas almas, pois suave é o meu jugo e leve o meu fardo”.

Como se vê, Jesus não promete a cura. Promete alívio, anestesia, capacidade de suportar as dores, de resolver os problemas, superar as dificuldades. A nossa cura depende exclusivamente de nós. Nós somos os médicos de nós mesmos. As dificuldades, os problemas de toda ordem fazem parte do tratamento; são medicamentos que a vida nos propõe para a nossa cura definitiva, para nossa libertação.

Mas, para que o processo de libertação se efetive, Jesus nos dá a receita. Qual é a receita? Tomar sobre nós o seu jugo (a sua lei, os seus ensinamentos, o roteiro que nos apresentou e, na aplicação desse roteiro, ser manso e humilde de coração), lembrando ainda que o seu jugo é suave e o fardo que está posto aos ombros de quem queira servi-lo é muito leve.

Deus não quer de nenhum de nós sacrifícios insuportáveis. Jesus foi claro ao dizer isso. “Misericórdia quero, não sacrifício!”. Deus quer de nós somente aquilo que podemos dar. Ele sabe de que somos capazes. Todos nós temos instrumentos para servir. Uns mais; outros menos. E a comparação de que Deus se utiliza não envolve a quantidade que se dá, mas a capacidade de quem dá. O óbolo da viúva foi a oferenda maior, embora monetariamente insignificante. Ninguém se julgue, pois, incapaz de servir. Basta que se disponha a isso; basta querer, basta dizer sim quando a vida o chama para isso.

Uma advertência, porém: para servir é preciso que tenhamos manso o coração e brandas, as atitudes; sereno o nosso comportamento; tolerantes; compreensivos, solidários, afetuosos, fraternos. É incompatível o espírito de serviço com a intolerância, com a brutalidade, com a impaciência, com as cobranças. E que sejamos sempre humildes. São os pequenos e necessitados que mais necessitam de nós. Precisamos da humildade para abrir-lhes o caminho até nós. Chico queria que toda casa espírita fosse sempre uma casa acolhedora, simples, sem luxo, para que o pobre, o necessitado, não tivesse vergonha de nela penetrar. Para que ele se sentisse em casa, à vontade, sem preocupações de ordem menor que tanto separam as pessoas umas das outras.

Mansuetude e brandura no coração e humildade em todas as atitudes. A nossa cura começa por aí.

A outra promessa está em João, capítulo XIV, vv. 15 a 17 e 26. Diz o texto:

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque o não vê e absolutamente não o conhece. Mas quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. O Consolador, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito”.

“... vos fará recordar tudo o que tenho dito...” De fato, as religiões ditas cristãs introduziram tantas coisas em sua doutrina que nada têm com o ensino de Jesus; acrescentaram tantas estranhezas ao pensamento do Mestre, que seria preciso alguém vir redizer as coisas que o Cristo disse, relembrar seus ensinamentos esquecidos e trazer novos esclarecimentos para ajudar a Humanidade a crescer.

Jesus não deu ênfase à sobrevivência do Espírito embora todo seu ensino acene para uma vida futura. No sermão da montanha, o mais belo resumo de seu pensamento, a vida futura está intensamente refletida e as bem-aventuranças só são entendidas se se aceitar a existência da vida futura. Jesus não se preocupou com a comunicação entre vivos e mortos, mas não só não repetiu a proibição de Moisés, como fez vir à sua presença e à de três de seus discípulos os Espíritos de Moisés e de Elias, na transfiguração do monte de Tabor. Jesus referiu-se vagamente à reencarnação no encontro com Nicodemos e nas conversas sobre a vinda ou não do profeta Elias preparando-lhe o caminho. Falou da existência de muitas moradas na casa do Pai.

Todos esses ensinamentos foram desfigurados nas doutrinas cristãs que vieram depois.

A promessa do novo consolador, entenderam nossos irmãos de outras crenças que ela ocorreu cinqüenta dias depois da morte de Jesus na festa do pentecostes, onde fenômenos mediúnicos muito sérios eclodiram na praça pública diante da multidão estupefata.

O Espiritismo retomou o ensino de Jesus e deu-lhe seqüência, avançando um pouco mais com novas revelações e tirando da letra que mata o espírito que vivifica a Doutrina de Jesus. É o momento novo em que se retoma o ensino de Jesus e se caminha um pouco mais, unindo religião e ciência para, ao lado da filosofia, esclarecer nosso Espírito e iluminar a nossa consciência.

Fiel a essa idéia, apresenta-se-nos o Espírito da Verdade que, ao superintender a obra da codificação, sugere-nos dois ensinamentos fundamentais para a nossa caminhada como espíritas. Diz ele: Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. O amor, essência da vida, está presente em todas as palavras e atitudes de Jesus; a instrução, meta universal, é um dos objetivos primeiros da encarnação a que todos estamos sujeitos, na difícil caminhada da evolução.
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita