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Especial

Ano 2 - N° 52 - 20 de Abril de 2008

JÁDER SAMPAIO
jadersampaio@uai.com.br
Belo Horizonte, Minas Gerais (Brasil)

Quadro comparativo entre os cultos afro-brasileiros
e o Espiritismo


Introdução

O desenvolvimento do Espiritismo no Brasil e nos países da América Latina, especialmente onde houve a prática de escravidão de povos africanos, se acha marcado pela confusão que a população em geral faz entre a atividade espírita e a prática de bruxarias, macumba e outros rituais e cultos a forças da natureza e aos mortos. Esta situação sempre exigiu dos espíritas e dos praticantes destes cultos um certo esforço para esclarecer o público e seus confrades, e nem sempre foi suficiente para evitar os sincretismos e as importações de práticas para seus próprios contextos.

Na primeira metade do século XX, Aurélio A. Valente escreveu dois capítulos no seu excelente “Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo” (veja capa ao lado), criticando as práticas trazidas ao movimento não apenas dos cultos afro-católicos, mas também do catolicismo popular. O notável Deolindo Amorim dedicou um livro inteiro à análise das semelhanças e diferenças entre o Espiritismo e as doutrinas espiritualistas. Herculano Pires redigiu um capítulo no seu “Mediunidade: conceituação da mediunidade e análise geral dos seus problemas atuais”, no

qual distingue o mediunismo da mediunidade. Vianna de Carvalho retornou do “túmulo” através da mediunidade vibrante de Divaldo Franco e, entre outras pérolas, psicografou o texto “Esquisitices e Espiritismo”, em que critica algumas cenas de prática mediúnica sem o conhecimento das diferenças entre Espiritismo e Espiritualismo.

O que se pretende com este trabalho é prosseguir o serviço de informação, sem a intenção de defender uma pureza doutrinária, termo que em nossa opinião cheira a ortodoxia, mas visando a convidar os espíritas a manterem acesa a chama da reflexão e da coerência.  

Conceituação geral

Espiritismo: doutrina de caráter científico, filosófico e religioso, codificada por Allan Kardec na França a partir de 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”.

Candomblé: nome genérico das diversas correntes do culto dos Orixás (1), constituído de rituais vindos da África como herança cultural dos antigos escravos. Os pesquisadores afirmam que a primeira instituição de Candomblé no Brasil surgiu em 1830, embora já existissem reuniões secretas 200 anos antes dessa data.

Umbanda: culto brasileiro dos Orixás, derivado dos Candomblés da Bahia, mas fortemente marcado por cultos dos índios brasileiros, do catolicismo popular e pelo Espiritismo. É um sincretismo de crenças e práticas que ganhou uma identidade própria com o passar do tempo. Surgiu no início do século XX no Rio de Janeiro. Macumba: não é um culto ou religião, mas um rito de protesto que consiste no sacrifício de animais pelo Exu (2). É uma expressão de revolta social. De uma forma geral os sacerdotes dos culto afro-brasileiros concordam que não há nada de divino nesse rito. Etimologicamente, macumba é o nome de um instrumento musical usado pelos africanos.  

Pequeno quadro comparativo entre Espiritismo, Candomblé e Umbanda

Selecionamos alguns pontos importantes que nos permitem comparar os princípios e as práticas que constituem estas três religiões. Por não possuírem uma doutrina codificada e basearem-se principalmente na tradição oral, existem divergências quanto à forma de exercer a prática entre os cultos afro-brasileiros, o que nos obrigou a falar deles de uma forma geral. Para alguns itens, não encontramos subsídios suficientes em nossa bibliografia, o que nos obrigou a utilizar o símbolo de interrogação (?) para indicá-los. Temos por objetivo dar uma visão geral, nos moldes do trabalho de Deolindo Amorim, e não fazer um estudo detalhado, como mostra o quadro abaixo: 

Características próprias

Espiritismo

Candomblé

Umbanda

Crença em Deus (Criador)

Culto material a Deus

Prática de rituais

Espiritualismo

Comunicação com os mortos

Culto aos Orixás

Prática sacerdotal

Uso de imagens e objetos sagrados

Religião cristã 

Uso de velas

Uso de roupas brancas na prática mediúnica

Sacrifício de animais

Uso de incenso

Símbolos e sinais cabalísticos

Corpo de doutrina homogêneo  e codificado

Crença na reencarnação

Filantropia

Terminologia africana

Hierarquia sacerdotal

Banhos de “descarrego”

Uso de amuletos

Passes

Conhecimentos secretos

Uso de atabaques, adjás e agogôs

Dança na prática mediúnica

Uso de cachimbo e cigarro na prática mediúnica

Categoriza os Espíritos em índios, pretos-velhos, caboclos, crianças, etc.

Jogo de búzios

Feitiços (p.e.: “trabalhos”)

Feitiço para prejudicar pessoas

Pluralidade dos mundos habitados

Sim

Não

Não

Sim

Sim

Não

Não

 
Não

Sim

Não

 
Não

Não

Não

Não

 
Sim

Sim

Sim

Não

Não

Não

Não

Sim

Não

 
Não

Não

 
Não

  

Não

Não

Não

Não

 

Sim 

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim (3)

Sim

Sim

 
Sim

Não

Sim

 
Sim

Sim

Sim

Sim

 
Não

Sim

?

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

 
Sim

Sim

 
Sim

  

Não

Sim

Sim

Sim

 

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

 
Sim

Não (4)

Sim

 
Sim

Não

Sim

Sim

 
Não

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

 
Alguns grupos

Alguns grupos

 
Sim

  

Sim

Não

Sim

Não

 

Notas:

(1) Orixás: divindades agentes de Olorum, o deus supremo criador do Universo. Uma outra corrente dos cultos acredita que os Orixás seriam homens e mulheres que depois da morte foram elevados à condição de seres destacados no “astral” e identificados com um elemento da natureza (rio, mar, etc.) transformando-se nele. Há uma certa concordância em torno do seu número.

(2) Exu: considerado o “mais humano dos Orixás” por Verger e por diversos grupos de Candomblé e Umbanda. Considerado apenas um intermediário entre os homens e os Orixás por outros. Exu foi associado ao demônio medieval pela sua falta de padrões morais, por agir segundos interesses pessoais e mundanos (dinheiro, política e negócios) e por estar ligado à sexualidade. Esta entidade também foi sincretizada com São Pedro no sul do país pelo seu caráter de “controlador de almas” no terreiro e “protetor” do mesmo. É também o mensageiro dos orixás junto ao babalorixá (sacerdote do Candomblé) na leitura de búzios, traduzindo-lhes as vontades.

(3) Embora aceite e às vezes pratique o mediunismo, o Candomblé valoriza mais o contato com os Orixás, que ele não considera como espíritos desencarnados, mas espíritos encantados, divindades. Há um tipo de Candomblé no Brasil que se importa com o culto aos Eguns (espíritos desencarnados).

(4) Apesar de possuir base no catolicismo popular, e de alguns grupos fazerem leituras de O Evangelho segundo o Espiritismo, a imagem de Jesus é uma sobreposição à de Oxalá e o Novo Testamento não é a base ética deste culto.
 

Bibliografia:

AMORIM, Deolindo. O Espiritismo e as doutrinas espiritualistas. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 1957.

CARVALHO, Marco Antônio. Cultura Negra. Rio de Janeiro: Editora Três.

BARRETI FILHO, Aulo. O culto dos eguns no Candomblé, Revista Planeta, Rio de Janeiro, nº 162, p. 43-49, mar. 1986.

EQUIPE PLANETA. Os orixás de Rita de Lucena, Revista Planeta, Rio de Janeiro, nº 205, p. 27-31, out. 1989. ______ Os orixás, Planeta Especial, Rio de Janeiro, nº 191-

FERNANDES, Carlos Augusto L. Dicionário de cultos afro-brasileiros. Rio de Janeiro: Editora Três, 1985.

FREITAS, Adilvar M. B. Umbanda: curso introdutório. Rio de Janeiro: Editora Três, 1985.

GARROUX, Saulo e RIVIERI, Dagmar. Entrevista: Zezinho de Ossãe, Revista Planeta, Rio de Janeiro, nº 152, p. 11-15, Mai. 1985. ______ Os orixás em perfil, Revista Planeta, Rio de Janeiro, nº 154, p. 42-48, Jul. 1985.

MIRANDA, Manoel Philomeno de. Loucura e Obsessão. Brasília: FEB, 1986, psicografado por Divaldo Pereira Franco. 
 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita