As três faces da
reencarnação
A reencarnação é
vista,
tradicionalmente,
como um tema
ligado à
religiosidade e
à filosofia de
vida. Contudo,
essa Lei Natural
pode também ser
considerada sob
outros enfoques:
como um tema da
área da saúde e
como um tema da
área social.
Um tema da área
da religiosidade
e da filosofia
de vida –
É assim que a
reencarnação tem
sido
tradicionalmente
compreendida,
dividindo
opiniões entre
os que acreditam
e os que não
acreditam nela,
bem como entre
dois grupos de
religiões: as
reencarnacionistas
e as não
reencarnacionistas.
Poucas pessoas
que não
acreditam na
reencarnação
sabem que a
afirmação
“reencarnação
não existe”
remonta a uma
decisão tomada
no II Concílio
de
Constantinopla,
em 553 d.C.,
convocado pelo
imperador
Justiniano. Para
esse concílio
foram convidados
apenas bispos
não
reencarnacionistas,
que deveriam
votar se a
reencarnação
existia ou não —
e decidiu-se que
não.
Um tema da área
da saúde –
Em decorrência
dessa decisão, a
Igreja Católica
tornou-se
oficialmente não
reencarnacionista,
e suas
dissidências
acabaram levando
consigo esse
mesmo
entendimento.
Com o
predomínio, no
Ocidente, dessas
igrejas não
reencarnacionistas,
formou-se no
inconsciente
coletivo
ocidental a
ideia de que a
reencarnação não
existe. Dentro
desse contexto
cultural
desenvolveram-se
também a
filosofia, a
medicina, a
psicanálise e a
psicologia
ocidentais, que,
por coerência
com essa visão
dominante,
geralmente não
consideram a
reencarnação em
suas abordagens.
Um tema da área
social –
Como somos, em
essência,
Espíritos que
reencarnam sob
diferentes
condições,
assumindo
variados papéis
e identidades
temporárias,
tendemos a
identificar-nos
excessivamente
com o personagem
atual e com seus
rótulos. Caímos,
assim, na ilusão
de sermos
essencialmente
brancos ou
negros, homens
ou mulheres,
pertencentes a
determinada
nacionalidade,
entre outras
classificações.
Essas
identificações
podem nos
separar e gerar
conflitos, como
o racismo, o
machismo e os
nacionalismos
tóxicos. Com a
compreensão mais
profunda da
diferença entre
“ser” e “estar”,
e com a ideia da
reencarnação
retornando
gradualmente à
consciência da
humanidade, o
“estar” tenderá
a prevalecer
sobre o “ser”,
favorecendo a
paz, a harmonia,
a fraternidade e
a cooperação
entre todos nós
— Espíritos
encarnados em
diferentes
“cascas”
humanas.
Mauro Kwitko é
médico,
escritor,
fundador e
presidente da
Associação
Brasileira de
Psicoterapia
Reencarnacionista
(ABPR).