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por Mauro Kwitko

 

As três faces da reencarnação


A reencarnação é vista, tradicionalmente, como um tema ligado à religiosidade e à filosofia de vida. Contudo, essa Lei Natural pode também ser considerada sob outros enfoques: como um tema da área da saúde e como um tema da área social.


Um tema da área da religiosidade e da filosofia de vida
 – É assim que a reencarnação tem sido tradicionalmente compreendida, dividindo opiniões entre os que acreditam e os que não acreditam nela, bem como entre dois grupos de religiões: as reencarnacionistas e as não reencarnacionistas. Poucas pessoas que não acreditam na reencarnação sabem que a afirmação “reencarnação não existe” remonta a uma decisão tomada no II Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., convocado pelo imperador Justiniano. Para esse concílio foram convidados apenas bispos não reencarnacionistas, que deveriam votar se a reencarnação existia ou não — e decidiu-se que não.


Um tema da área da saúde
 – Em decorrência dessa decisão, a Igreja Católica tornou-se oficialmente não reencarnacionista, e suas dissidências acabaram levando consigo esse mesmo entendimento. Com o predomínio, no Ocidente, dessas igrejas não reencarnacionistas, formou-se no inconsciente coletivo ocidental a ideia de que a reencarnação não existe. Dentro desse contexto cultural desenvolveram-se também a filosofia, a medicina, a psicanálise e a psicologia ocidentais, que, por coerência com essa visão dominante, geralmente não consideram a reencarnação em suas abordagens.


Um tema da área social
 – Como somos, em essência, Espíritos que reencarnam sob diferentes condições, assumindo variados papéis e identidades temporárias, tendemos a identificar-nos excessivamente com o personagem atual e com seus rótulos. Caímos, assim, na ilusão de sermos essencialmente brancos ou negros, homens ou mulheres, pertencentes a determinada nacionalidade, entre outras classificações. Essas identificações podem nos separar e gerar conflitos, como o racismo, o machismo e os nacionalismos tóxicos. Com a compreensão mais profunda da diferença entre “ser” e “estar”, e com a ideia da reencarnação retornando gradualmente à consciência da humanidade, o “estar” tenderá a prevalecer sobre o “ser”, favorecendo a paz, a harmonia, a fraternidade e a cooperação entre todos nós — Espíritos encarnados em diferentes “cascas” humanas.

 

Mauro Kwitko é médico, escritor, fundador e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Reencarnacionista (ABPR).
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita